quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"Livre das demandas do mercado, a arte começa a refazer a vida que está entre nós. Transformando o modo como nos relacionamos e fazemos arte, como nos recusamos e nos rebelamos, como amamos e comemos. Quando isso é feito num caldeirão de luta, numa ocupação, num movimento social, num protesto, novas amizades são tecidas, novas formas de viver se tornam possíveis. Este tipo de cultura nos aproxima ao invés de nos separar, e permite que a gente se encontre por entre os escombros. Estes momentos costumam carregar o nome "arte", re-produzem os sentimentos e excitam os sentidos, eles constroem desejos e mundos diferentes, alguns que talvez até diziam ser impossíveis. Esta é a arte que não mostra o mundo pra gente e sim o transforma. Esta arte de movimento social tem sua própria história secreta de performances rebeldes, imagens sutis, invenções insurrectas e sons sedutores. Nosso desafio hoje não é apenas relembrar este segredo da história da arte, mas descobrir e criar tendências no presente que tragam caminhos alternativos para a crise atual."
(Página 4)


"Esse guia não é um mapa rodoviário ou um manual de instruções. É um fósforo aceso no escuro."
(Página 5)

"A melhor mídia é o presente, Como disse Joseph Beuys, "Não espere pra começar, use o que você tem". Comece de onde você está. Caramba, você já começou. Quais são as ferramentas e as tendências a sua volta? Dentro de você? Ao seu lado? Você poderia começar com seu próprio corpo. É o ecossistema que você conhece melhor, a fonte de maior parte dos seus conhecimentos e sonhos. A arte dos movimentos sociais frequentemente começou com performances coletivas que usavam o corpo como seu primeiro e mais abundante recurso. "
(Pag 8)


"Quando os estudantes de arte ocuparam as faculdades em Paris, durante a rebelião de 1968, eles tomaram a sala de gravura e produziram milhares de cartazes. Recuperando a arte revolucionária do cartaz, que havia se perdido na França, em grande parte devido às leis que proibiam colar cartazes, os estudantes cobriram as paredes da cidade com simples imagens icônicas. A criatividade deles venceu a lei. Como dizia um dos cartazes: “il est interdit d’interdire” (é proibido proibir)."
Pag 9

"Para desmantelar e reinventar instituições ou sistemas, nós temos que começar pela raiz, com a cultura que as apoia. Cultura é o substrato material da política, é o alicerce lamacento sobre o qual ela é construída"
Pag 12

"Olhe ao redor. Nós estamos num espaço entre certezas, em um momento histórico onde a sociedade está mais maleável que o normal, onde o potencial tem poder e formas de vida mudam rapidamente. - See more at: http://revistacarbono.com/artigos/06guia-para-exigir-o-impossivel/#sthash.PpYAvil9.dpuf"
Pag 14


"Quando você conhecer bem seu material e seu lugar... é hora de fugir. Tudo começa com um salto. Não é deserção como fuga, mas como engajamento. Se você se opõe a lógica de transformar arte ou educação em um mercado, você já se opõe a forma como esta lógica define você: você não é o artista, estudante, trabalhador que o capital precisa. Isso significa que você já começou a se abolir. "O fato de que eu me devoro a mim mesmo apenas demonstra que eu existo", declarava o manifesto que acompanhava as pinturas preto e branco de Rodchenko em 1919. Este auto-abolir-se, ou recusa da parte da sua identidade que se entregou às demandas do capital significa agir diferente, se comportar de formas que talvez nem tenham nome ainda. E sem sua identidade você está livre, o que você faz se torna mais importante do que quem você é, e o que você faz pode ser qualquer coisa. Você pode se surpreender como a arte que que esquece seu nome pode se infiltrar em espaços inesperados. Mover-se em outros tipos de fazer, outros tipos de relacionamentos, significa abandonar, ao menos parcialmente, as páginas da história da arte e suas instituições. E você não seria o primeiro."
Pág 16

"A negação radical dos Dadaístas, que se recusavam à guerra, ao trabalho, à arte, à autoridade, à seriedade e à racionalidade, catalisou formas criativas de resistência inéditas ao se juntar com o núcleo dos movimentos antiguerra e anticapitalismo de Berlim, na época da República de Weimar. - See more at: http://revistacarbono.com/artigos/06guia-para-exigir-o-impossivel/#sthash.PpYAvil9.dpuf"
Pag17

Dica de como NÃO fazer (rs!):
"“Tome cuidado com o presente que você cria, pois ele deve se parecer com o futuro dos seus sonhos”. (...) Uma passeata de A até B com cartazes, slogans repetitivos entoados por um coro rouco de vozes, pessoas protestando no frio por horas a fio, multidões escutando um barbudo declamando, faixas sem graça penduradas nos prédios, panfletos cheios de estatísticas desanimadoras… Estes atos se parecem com o futuro que queremos? De que outra forma podemos manifestar nossos desejos e demandas? Como essas ações podem ser feitas e sentidas?" 
Pag 22

"Imaginando a arte do futuro, Alan Kaprow acreditava que “Nós podemos ver o sentido geral da arte mudar profundamente (...) ele entendeu que a arte carrega em si o potencial de criar imagens do futuro que podem ser ensaiadas no aqui e agora. As ações políticas mais bem sucedidas fazem o mesmo. Elas não apenas exigem ou bloqueiam algo, elas colocam nossos sonhos à mostra. Elas não dizem apenas NÃO, mas mostram de que outra forma poderíamos viver." 
Pag 23



"As festas Reclaim the Streets (Recupere as Ruas) nos anos 90 não apenas libertaram as ruas do tráfego poluente. O mais importante é que elas encheram as ruas de corpos dançantes, música e uma visão de mundo onde política é prazer, e não sacrifício. "
Pag 23

Dica de como FAZER:
"Eles fizeram sua própria instituição: The University of Strategic Optimism (A Universidade de Otimismo Estratégico) e, ao invés de aceitar a mercantilização da educação, eles começaram a educar o mercado dando palestras que ocupavam e redefiniam espaços de consumo – o hall de um banco, os corredores de um supermercado – como espaço de convivência e discussão." 
Pag 24

"Em meados da década de 60, artistas e atores exilados em São Francisco que se chamavam de Diggers (Escavadores) abriram uma loja, ‘The Free Store’ (A Loja Grátis). Produtos podiam ser deixados, trocados ou levados. Os papéis também eram trocáveis. Uma placa na loja dizia “Se uma pessoa perguntar pelo gerente, diga que ela é o gerente”. A loja virou um lugar onde aqueles que fugiam do alistamento para o Vietnã conseguiam uma muda de roupa e documentos com selos “oficiais”, e deixavam seu uniforme militar na prateleira. Comida grátis era servida por uma janela amarela gigante para quem vinha de longe todos os dias, clínicas de saúde de atendimento gratuito foram montadas… Tudo podia ser grátis, eles diziam, e mostravam como isso podia ser feito através do que eles chamavam de “atuação-na-vida”, onde a arte estava no modo de vida que alguém leva, e não o contrário. Apesar da polícia ter fechado a loja, a tática criativa deles se espalhou nos EUA e, recentemente, uma Non-Commercial House Free Store (Casa Não-Comercial Loja Grátis) abriu na Commercial Street, no leste de Londres. "
Pag 24

"Mais informação não vai nos motivar a agir, nem as representações ou as imagens de política. O que nos faz mover é provar o gosto dos sonhos, daquilo que poderia ser, é entrar nas rachaduras por onde outro mundo surge à vista. - See more at: http://revistacarbono.com/artigos/06guia-para-exigir-o-impossivel/#sthash.PpYAvil9.dpuf"
pag 25

"O que aconteceria se, de alguma forma, nós reconstruíssemos essas máquinas, se nós fizéssemos o que Guy Debord defendeu e iniciou, “produzindo a nós mesmos… e não as coisas que nos escravizam”. - See more at: http://revistacarbono.com/artigos/06guia-para-exigir-o-impossivel/#sthash.PpYAvil9.dpuf"
pag 28

"O que aconteceria se, de alguma forma, nós reconstruíssemos essas máquinas, se nós fizéssemos o que Guy Debord defendeu e iniciou, “produzindo a nós mesmos… e não as coisas que nos escravizam”.
Dentro de quais máquinas você trabalha? Placas de rua e outdoors? Redes sociais e internet? As roupas que veste? Lojas chiques? Telefonia celular? Assim como a “saboteur” (sabotadora) original, que jogava seu tamanco – seu “sabot”, na máquina da fábrica para que ele prendesse as engrenagens e produzisse tempo livre para ela, ao invés de lucros para seu patrão, nós podemos fazer engenharia-reversa no mundo à nossa volta. Em Buenos Aires, depois de uma anistia para os ditadores que fizeram milhares “desaparecerem”, o Grupo de Arte Callejero (Grupo de Arte de Rua) projetou lições visuais de arte conceitual e instalou placas de rua que apontavam para as casas de generais genocidas."
pag 28


"Na virada do século 21, artistas ativistas de Barcelona nomearam seu grupo de Yo-mango, subvertendo a marca de moda ‘Mango’ e criando um trocadilho que quer dizer “eu furto” na gíria espanhola. O objetivo deles era reconstruir o comprar, “nós não devemos renunciar aos nossos desejos por coisas, e sim furtá-las”, eles declararam. Eles fizeram do furto às lojas uma forma de arte social e uma marca desejável em si mesma, o buraco feito no bolso de trás de uma calça jeans ao se arrancar o dispositivo antifurto foi promovido como sendo muito mais legal do que uma etiqueta da Levis. "
pag 29




Fonte: Como [exigir*] o impossível
(*obs.: a palavra "exigir" aparece riscada)

Revista digital:
http://issuu.com/agenciatransitiva/docs/guia_impossivel?e=8109965/2875731

Site: Revista Carbono - natureza, ciência e arte
 http://revistacarbono.com/artigos/06guia-para-exigir-o-impossivel/

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Abrigar um abandono

Preciosidades que eu achei no meu rascunho de 2013!


" Um monge descabelado me disse no caminho: 'Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha idéia era fazer alguma coisa ao modo de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem debaixo da ponte, mas pode ser de um gato num beco ou de uma criança presa em um cubículo. (...)" (BARROS, Poesia Falada, v.8)



- 1
De onde vem a força dessa passagem de Barros? O que nos comove e também nos amedronta nessas letras? De certo que tememos ser esse que foi abandonado. Mas no contexto em que se visa trabalhar essa passagem, diante dos valores transmitidos pelo Estado e pela mídia, há medos que vão além. Barros não faz como muitos que, ao encontrar o horror, dele se aparta ou estereotipa. Ele se aproxima e olha de novo.

Esse autor tem como característica ver potência nas ruínas porque elas não são um sinal só de algo que acabou. Elas são uma simplicidade muitas vezes interessante e até necessária, fruto de uma história repleta de humanidades possíveis. Abrigar o abandono pode ser uma proposta de trabalho? No contexto em que estamos, se está claro que o abrigo não substitui, mas, antes de tudo, funciona até como alternativa a famílias que existiram, mas não puderam cuidar de seus filhos, como transformar a tarefa de abrigar o abandono em algo potente? Podemos pensar sua função também a partir desta passagem:

“Todo filho é biológico e adotado. A condição para todos existirem é nascer, e após isso, é ser adotado, pois só se tem um filho se você o considera.”

O abrigo, então, não abrigaria O Abandono, mas um tipo possível deste. Estar inserido em uma família não é garantia de acolhimento como os valores morais de nossa sociedade tendem a preconizar de modo conservador.

Como ver nele um mediador necessário e até interessante? Como trabalhar o olhar que é lançado pela sociedade e não ver nessas crianças e jovens só alguém arruinado, mas alguém potente?

- 2

Retomaria no trecho em q coloco o cenário da criança abandonada e abusada como desinteressante:

Pq tanto do q nos comove não nos move? Porque nos movemos pela beleza e doamos dinheiro pro Criança Esperança sem querer saber pra onde vai esse dinheiro e que medidas são essas q estão sendo tomadas (numa espécie de alienação ou de ajuda sem compromisso)? Que funcionamento é esse que prefere evitar a dor e acaba por fazer com que nos furtemos a debates tão importantes como o abuso sexual de crianças? Por que é tão mais fácil não falar disso? Por que não está claro que o silencio é permissivo e leva a repetição? Se temos horror a que isso aconteça, por que isso leva ao nosso afastamento e não ao combate? É fato que temos que nos aproximar do horror para combatê-lo e isso não precisa ser de forma que esteja além das nossas capacidades. Leve sua arte, leve sua habilidade na cozinha, leve seu malabarismo circense, ofereça tempo e trabalho que todas essas formas serão maneiras de tocar no problema a partir do momento que se é capaz de produzir felicidade também.]


- 3

LINK: http://www.fazendohistoria.org.br/downloads/3_imaginar_para_encontrar_a_realidade.pdf

Outro limiar que é ocupado por ele é o de uma medida pública que parece atuar em âmbito privado como apontado na cartilha “3 Imaginar para Encontrar a Realidade”. Apesar de ser uma cartilha as vezes taxativa, apresenta reflexões interessantes como essa: “A contradição entre o espaço público e o privado é sempre tema de debates. As conquistas internas em relação ao progresso das crianças, adolescentes e dos jovens implicam negociações nem sempre inteligíveis para os que estão do lado de fora.”








segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Promessa

" Caminar es un peligro y respirar es una hazaña en las grandes ciudades del mundo al revés. Quien no está preso de la necesidad, está preso del miedo: unos no duermen por la ansiedad de tener las cosas que no tienen, y otros no duermen por el pánico de perder las cosas que tienen. El mundo al revés nos entrena para ver al prójimo como una amenaza y no como una PROMESA..." [Patas Arriba]

Qual é a diferença entre libertarismo e anarquismo?


Refletir



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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Qual é a diferença entre libertarismo e anarquismo?


Por Tom Wetzel

Isso depende de qual dos dois significados de “libertário” você tem em mente. No sentido original de “libertário” do século 19 e início do 20, que ainda é predominante em vários países que não falam inglês, não existe qualquer diferença realmente nos termos de qual segmento de opinião política que estes termos se referem. Neste sentido original de “libertário”, a diferença está entre uma definição positiva e negativa. “Anarquismo” possui uma definição negativa: oposição a hierarquias construídas de cima para baixo de poder (“patrões”, “governantes”) tais como as corporações e o estado. “Libertário” se refere a um ponto de vista que coloca grande ênfase na liberdade positiva: controlar sua vida, controlar decisões na medida em que você é afetado por elas, auto-gestão sobre o trabalho e a comunidade, e acesso aos meios para desenvolver seu potencial e, portanto, sua capacidade pela auto-gestão.

O outro significado de “libertário” foi inventado nos EUA no período das décadas de 1950 e 60. Ele foi designado para ser um novo nome para os defensores do liberalismo clássico individualista extremo do século 19. O que é fundamental para esta forma de “libertarismo” é limitar a definição de “liberdade” para liberdade negativa: ausência de coerção ou restrição. Portanto, você pode ver a definição entre os dois “libertarismos” em como eles enxergam a instituição do trabalho assalariado sob o capitalismo.

Para os libertários de esquerda, os anarquistas, ser compelido a trabalhar para empregadores, estar sujeito ao poder gerencial, é uma forma de opressão porque esmaga, invalida a sua auto-gestão e impede a realização do potencial dos trabalhadores assalariados que estão presos em empregos sem futuro.

Para os libertário de direita, ser compelido a trabalhar para empregadores, ser comandados por patrões é coerente com a liberdade porque ninguém coloca uma arma em sua cabeça para pegar o emprego. E, por isso, não é coerção. A partir da perspectiva anarquista ou libertária de esquerda, isso é uma definição drasticamente pobre de “liberdade”.

Os anarquista não rejeitam necessariamente o “governo”. Como Kropotkin apontou, existe uma distinção entre estado e governo. O governo consiste das instituições de governança... criar regras, julgar disputas, auto-defesa social. Por outro lado, um estado é um aparato burocrático construído de cima para baixo com ordenação sobre forças militares e policiais, separado do controle real pela massa da população.

Libertários de direita estão certos quanto a existência do estado, porque um estado é necessário para proteger a minoria capitalista ou a classe patronal. Seus desentendimentos com os liberais sociais e social-democratas sobre o estado são sobre o uso do estado fornecer sistemas de benefício social para beneficiar as massas de pessoas comuns... seguro-desemprego, leis de salário mínimo, sistemas de seguridade social, saúde pública, etc. Libertários de direita se opõem a estas coisas.

Libertários de esquerda defendem sistemas de fornecimento de benefícios sociais tais como assistência médica gratuita, educação, ou transporte público, porém eles desejam que estes serviços sejam gerenciados diretamente pelos seus trabalhadores. Todavia, libertários de esquerda, anarquistas, se opõem ao estado por causa do seu outro lado, a sua utilização para defender e proteger os interesses das classes dominantes e exploradoras, tais como capitalistas e burocratas.

Portanto, os libertários de esquerda propõem substituir o estado com sistemas de poder popular direto baseado na democracia direta das assembléias nos locais de trabalho e bairros, e organismos delegados intimamente controlados pela assembléia de base. Deste modo, nós poderíamos dizer que eles desejam governança sem o estado.

Traduzido por Rodrigo Viana. Para ler o artigo original clique aqui.


Tom Wetzel é escritor e ativista libertário socialista e membro do “Workers Solidarity Alliance”.




Fonte: Esquerda Libertária
http://aesquerdalibertaria.blogspot.com.br/2014/11/qual-e-diferenca-entre-libertarismo-e.html?m=1

sábado, 3 de dezembro de 2016

Bolos veganos! ;)

Bolos veganos!

1 -
1 xíc de frinha de trigo branca
1 xíc de farinha integral
1 xíc de de açucar (eu coloco um pouco menos)
1 colher de cha de canela
1 pitada de sal
1/2 de xícara de oleo
3/4 de xíc de leite vegetal (uso o de arroz)
1 xíc de banana madura amassada (coloco um pouco mais de 1 xic, e è mais gostoso c alguns pedços)
1 colher de sopa de vinagre
1 colher de sopa de fermento


2 -
Bolo de chocolate vegano
Confira esta opção de Bela Gil

Ingredientes

massa:

  • 3 copos de farinha de trigo integral
  • 1 copo farinha de trigo branca
  • 1 copo de cacau em pó (sem adição de açúcar)
  • 2 copos de açúcar mascavo
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó
  • 1 pitada de sal marinho
  • 1 colher (chá) de canela
  • 1/2 copo de óleo de coco + 1/2 copo de azeite
  • 1 colher de vinagre de maçã (não filtrado)
  • 4 copos de água

cobertura/recheio:

  • 4 colheres (chá) de Agar Agar em pó (veja onde encontrar)
  • 2 copos de água
  • 3/4 copo de cacau em pó
  • 1 copo de açúcar mascavo
  • 4 colheres de melado de cana
  • 1 pitada de sal marinho

Modo de preparo

massa:

  1. preaqueça o forno à 180ºC.
  2. Unte duas formas redondas de 23 cm.
  3. Misture numa tigela as farinhas, cacau, fermento, açúcar mascavo, sal e canela.
  4. Em outro recipiente misture bem o óleo, azeite, vinagre e água.
  5. Com a ajuda de uma colher de pau, misture lentamente os ingredientes líquidos ao secos.
  6. Divida a massa igualmente entre as duas formas e coloque no forno para assar por 35 minutos.
  7. Não abra o forno nos primeiros 30 minutos para o bolo não solar. Retire do forno e deixe amornar antes de desinformar.

cobertura/recheio

  1. Numa panela média, aqueça a água e o agar-agar até o pó estiver totalmente dissolvido.
  2. Adicione o cacau, açúcar mascavo, melado e o sal.
  3. Deixe levantar fervura, mexa bem e abaixe o fogo no mínimo. Cozinhe por dois minutos, sempre mexendo
Fonte: Receitas GNT - Bela Cozinha
http://gnt.globo.com/receitas/receitas/bolo-de-chocolate-vegano-receita-de-bela-gil.htm

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Reação do Congresso à Lava Jato

"Colegas ( não falarei "bom dia" pq o "bom" não cabe pra hj...)

NO FUNDO DO POÇO TINHA UM PORÃO MAIS ABAIXO......

Você talvez ainda nao tenha percebido, mas você levou um tapa na cara nesta madrugada!

Em um dos dias mais tristes da história do país, em que a nação pranteava de luto, na calada da noite, a Câmara dos Deputados, a título de votar conjunto de medidas contra a improbidade, aprovou um "pacotaço" PRÓ CORRUPÇÃO!!!

REGISTRE: dia 30 de novembro de 2016,  o dia 1º do fim da LAVAJATO!

Câmara APROVOU puniçao a Juízes e Promotores!

Em contrapartida, os Deputados desfiguraram completamente as medidas contra a corrupçao e RETIRARAM do PROJETO:

   1.  figura do delator do bem;

   2. Perdimento antecipado dos bens fruto da corrupçao;

   3. Necessidade de devolver valores ou reparar o erário para obter progressao de pena

   4. Afastaram as medidas que aperfeiçoavam o atual sistema de prescrição de penas

   5. Perda ampliada dos bens decorrentes de crimes

   6. Crime de enriquecimento ilícito

    7. Acordo penal

    8. Rejeitaram medida que acelerava ações de improbidade

    9. Rejeitaram necessidade do MP participar dos acordos de leniência com empresas e estes serem submetidos a homologação judicial

    10. Suspensão do registro de partidos políticos que praticaram falta grave.


Os DOIS MILHÕES E MEIO de cidadãos que assinaram o projeto de lei de iniciativa popular das #10medidascontraacorrupção  receberam, diretamente de Brasília, um #tapanacara!!"


Matéria na íntegra:

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Câmara aprova emenda apontada como reação do Congresso à Lava Jato



RANIER BRAGON
DE BRASÍLIA

30/11/2016 01h24

Alan Marques/Folhapress
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, durante a votação sobre o pacote que reúne um conjunto de medidas de combate à corrupção (DF)
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), preside sessão de votação das medidas de corrupção
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quarta-feira (30) emenda ao pacote contra a corrupção que inclui na legislação a possibilidade de juízes e integrantes do Ministério Público de responder por crimes de abuso de autoridade com base em várias condutas, algumas de caráter subjetivo.
A emenda, que passou por 313 votos a 132, foi apresentada nesta terça-feira (29) pelo líder da bancada do PDT, Weverton Rocha (MA), contou com o apoio do PP, partido com o maior número de congressistas implicados na Lava Jato, PT e várias outras legendas.
O texto tem que passar ainda pelo Senado e ser sancionado pelo presidente Michel Temer para entrar em vigor.
A quase totalidade do mundo judiciário, incluindo a força tarefa da Operação Lava Jato, aponta a emenda como uma clara tentativa de retaliar e intimidar os investigadores e magistrados responsáveis pelas apurações do esquema de corrupção da Petrobras.
Vários deles comparam essa medida ao que aconteceu na Itália com a Operação Mãos Limpas (contra a máfia local), nos anos 90, freada por ações do Parlamento. Eles argumentam que se a regra entrar em vigor representará um importante ataque ao trabalho de promotores, procuradores e magistrados.
"A sociedade espera passar a limpo todos os lados, não pode haver castas", discursou Weverton, para quem a legislação é muito branda para juízes e promotores que se desviam de suas funções. Essa foi a tônica do discurso da maioria dos deputados.
"Todos, absolutamente todos, são iguais perante a lei. E que respondam pelos excessos", reforçou Arthur Lira (PP-AL), que falou em nome do PP. Ele é um dos principais alvos da Lava Jato, tendo sido denunciado por corrupção e ocultação de bens.
Durante a madrugada, uma fila de deputados que foram ou são alvos de investigação se revezaram no microfone defendendo a proposta. "Quantos de nós foram assassinados, vilipendiados, execrados. (...) Não queremos acabar com a Lava Jato, queremos acabar com esse empoderamento absurdo", discursou Alberto Fraga (DEM-DF). Clarissa Garotinho (sem partido-RJ) aproveitou para reclamar do juiz que determinou a prisão do paí, Anthony Garotinho.
Um dos poucos a se manifestar contra, o relator do pacote, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) afirmou que os deputados estavam votando contra a operação baseada em Curitiba. "Votei não, não é hora de retaliação", discursou Major Olímpio (SD-SP).
O pacote de medidas anticorrupçãodo Ministério Público teve o seu texto-base aprovado na madrugada desta quarta. As emendas estavam sendo analisadas durante a madrugada.
MORDAÇA
Entre as condutas passíveis de punição pela proposta do PDT está a apresentação pelo Ministério Público de ação de improbidade administrativa contra agentes públicos "de maneira temerária". A pena seria de seis meses a dois anos de reclusão, multa e indenização por danos materiais e morais.
A apresentação por procuradores e promotores de ação civil pública "com finalidade de promoção pessoal ou por perseguição política" também ensejaria punição.
O texto também pretende classificar como crime de abuso de autoridade de juízes e integrantes do Ministério Público a manifestação em qualquer meio de comunicação de opinião sobre processos, próprios ou de terceiros, entre outras condutas.
A iniciativa tem paralelo com antiga proposta do ex-prefeito e hoje deputado Paulo Maluf (PP-SP), que há alguns anos tentou aprovar no Congresso uma lei para punir autoridades que supostamente agem por má-fé, promoção pessoal ou perseguição política.
A proposta estabelece ainda que qualquer cidadão possa representar contra os membros da magistratura e do Ministério Público, inclusive investigados.

Fonte: Folha de São Paulo
http://m.folha.uol.com.br/poder/2016/11/1836969-camara-aprova-emenda-apontada-como-reacao-do-congresso-a-lava-jato.shtml?mobile

Aos que vierem depois de nós - Bertolt Brecht

Aos que vierem depois de nós
Bertolt Brecht(Tradução de Manuel Bandeira)

Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.


Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.

Bertolt Brecht nasceu em Augsburg, Alemanha, em 1898. Em 1917 inicia o curso de medicina em Munique, mas logo é convocado pelo exército, indo trabalhar como enfermeiro em um hospital militar. Aquele que iria se tornar uma das mais importantes figuras do teatro do século XX, começa a escrever seus primeiros poemas e cedo se rebela contra os "falsos padrões" da arte e da vida burguesa, corroídas pela Primeira Guerra. Tal atitude se reflete já na sua primeira peça, o drama expressionista "Baal", de 1918. Colabora com os diretores Max Reinhardt e Erwin Piscator. Recebe, no fim dos anos 20, instruções marxistas do filósofo Karl Korsch. Em 1928, faz com Kurt Weill a "Ópera dos Três Vinténs". Com a ascensão de Hitler, deixa o país em 1933, e exila-se em países como a Dinamarca e Estados Unidos da América, onde sobrevive à custa de trabalhos para Hollywood. Faz da crítica ao nazismo e à guerra tema de obras como "Mãe coragem e seus filhos" (1939). Vítima da patrulha macartista, parte em 1947 para a Suíça — onde redige o "Pequeno Organon", suma de sua teoria teatral. Volta à Alemanha em 1948, onde funda, no ano seguinte, a companhia Berliner Ensemble. Morre em Berlim, em 1956.

O poema acima foi extraído do caderno "Mais!", jornal Folha de São Paulo - São Paulo (SP), edição de 07/07/2002, tendo sido traduzido pelo grande poeta brasileiro Manuel Bandeira.

Fonte: