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sábado, 20 de janeiro de 2018

Ritalina é usada por seus efeitos adversks

O Brasil e essa mania terceiro mundista de ser mercado pra veneno

E vc, quando propagandeia uso de remédio no seu face sem o menor cuidado, faz parte disso!!

- Cocaína para crianças poderia?
"“Há campanhas contra o uso de anfetaminas [como a cocaína] por adultos, mas utilizam uma droga com o mesmo efeito em crianças”."

- A Ritalina você usa pelo efeito adverso: o q é um motivo pra vc NÃO USAR
"A ritalina é um estimulantel (...) Todas essas drogas tem algumas reações adversas, que indicam quando o medicamento não deve ser mais administrado. (...)  As reações adversas da ritalina são o foco em uma coisa só (...) E é justamente por essas reações adversas que a ritalina é utilizada em crianças e adolescentes e não pelo efeito terapêutico."

- Por fim e menos importante mas q foi a entrada estratégica d mais uma droga no mercado: "o TDAH não é comprovado (...) É impossível diagnosticar uma doença neurológica por meio de um questionário” e isso não é óbvio, gente?

- Motivador real do Brasil consumir veneno em forma de remédio e agrotóxico: "A professora também é uma das precursoras do movimento “Despatologiza”, que busca discutir formas de tratamento que não transforme questões sociais, culturais e familiares em patologias."

Link
http://www.gazetadopovo.com.br/saude/ritalina-e-usada-em-criancas-por-reacoes-adversas-e-nao-pelos-efeitos-terapeuticos-1u420hsfmgz4h38lrhtdpwfwi
______________

Laura Beal Bordin
[19/06/2016 





SAÚDE DAS CRIANÇAS

“Ritalina é usada em crianças por reações adversas e não pelos efeitos terapêuticos”

Em entrevista à Gazeta do Povo, Maria Aparecida Affonso Moysés, do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, diz que o TDAH não é comprovado

Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp | Antonio Scarpinetti
Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp Antonio Scarpinetti
“Há campanhas contra o uso de anfetaminas por adultos, mas utilizam uma droga com o mesmo efeito em crianças”. Essa é a opinião da pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre o uso da ritalina em crianças e adolescentes mais “agitados”. A droga é comumente utilizada no tratamento do chamado Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e por conta do grande número de diagnósticos, o uso de ritalina no Brasil aumentou 775% em dez anos de acordo com a Anvisa, fazendo do país o segundo no mundo em que mais consome a droga.

Nunca foi tão importante estar bem informado.Sua assinatura financia o bom jornalismo.
Para a professora, não há comprovação científica de que o transtorno exista e considera irreal o dado de que entre 7% e 10% de crianças sofram de uma doença neurobiológica de origem genética, como sugerem os defensores do diagnóstico. “É impossível diagnosticar uma doença neurológica por meio de um questionário”, diz
De acordo com Maria Aparecida, a ritalina faz com que crianças fiquem mais quietas, mas contidas quimicamente. “As crianças acabam sendo não só acolhidas no seu sofrimento, mas recebem um rótulo e uma droga com todas as reações adversas que a ritalina apresenta. Não existe um tratamento alternativo. É preciso olhar a criança e escutar o que ela está tentando me dizer”, afirma. A professora também é uma das precursoras do movimento “Despatologiza”, que busca discutir formas de tratamento que não transforme questões sociais, culturais e familiares em patologias. Leia a entrevista completa:
Como a ritalina age no sistema nervoso central e para quais fins ela é utilizada?
A ritalina é um estimulante do sistema nervoso central que tem o mesmo mecanismo de ação que as anfetaminas, como a cocaína, por exemplo, e deixa a pessoa mais ativa. Todas essas drogas tem algumas reações adversas, que indicam quando o medicamento não deve ser mais administrado. Ou seja, se a pessoa sentiu a reação adversa, deve parar de tomar aquele medicamento. As reações adversas da ritalina são o foco em uma coisa só e um efeito chamado “zumbi-like”, que é ficar contido em si mesmo. E é justamente por essas reações adversas que a ritalina é utilizada em crianças e adolescentes e não pelo efeito terapêutico.



Então a ritalina é usada em crianças por conta de um efeito colateral?
A reação adversa é mais do que um efeito colateral. O efeito colateral é algo que você não espera, mas acontece. Já a reação adversa é aquilo que você não queria e que é ruim para o paciente, indicando que o medicamento deve ser retirado. E foi justamente por essas reações que ela acabou sendo usada em crianças e adolescentes mais agitados, mais ativos: para que eles fiquem mais quietos e quimicamente contidos. Qual é o foco? Só conseguir pensar em fazer uma coisa de cada vez, o que é totalmente inviável na vida real. As crianças então passam a obedecer, deixam de questionar. Uma vez um garoto me disse: “Eu não deixei de sentir o que eu sentia, mas agora eu não consigo gritar”. Apesar da ritalina ser vendida e divulgada como uma droga segura, ela pode causar dependência como qualquer outro estimulante.
O consumo de ritalina cresceu 775% em dez anos e o Brasil se tornou o segundo maior consumidor da droga, atrás apenas dos Estados Unidos. Quais são os fatores que contribuíam para que a ritalina seja tão utilizada no Brasil?
Os fatores são semelhantes no mundo todo. Há uma epidemia de diagnósticos do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), um transtorno que é muito mal conceituado, muito questionado, que não é aceito pela própria medicina como uma doença. Não estou dizendo que não existem crianças mais agitadas, agora, isso é um transtorno? Não há comprovação. Na verdade, o que nós percebemos é que inúmeras coisas são colocadas em uma gaveta chamada TDAH e que não há a menor comprovação de que ele exista. Há um transtorno não comprovado sendo tratado com uma droga pela reação adversa que ela causa, com todos os problemas que os estimulantes apresentam. Há uma grande campanha contra o uso de anfetaminas por adultos e você dá uma droga que causa esses mesmos efeitos para crianças.
Pesquisas mostram uma grande diferença entre o número de diagnósticos de crianças com o Transtorno do Déficit de Atenção no Brasil e na Europa, por exemplo. A França, inclusive, só reconheceu a pouco tempo o transtorno. Na sua opinião, há um exagero nos diagnósticos do TDAH no país?
Esse diagnóstico não é nem mesmo comprovado. É absolutamente irreal você pensar em um número de cerca de 7% a 10% de crianças com uma doença de origem neurológica e inata. Nós não utilizamos porcentagem para falar de doenças inatas, usamos para falar de problemas socialmente determinados. Quando falamos de problemas inatos, a porcentagem é uma medida grosseria, uma agressão a todo o conhecimento da medicina.
Há uma epidemia de diagnósticos de TDAH, que foi difundida pela Associação Americana de Psiquiatria, por várias entidades no Brasil e que estourou neste século. Então você tem algo que é divulgado como algo científico e inquestionável, e que na realidade é questionado por pesquisadores relevantes para a medicina no mundo inteiro. Houve também uma divulgação midiática totalmente acrítica do TDAH e com informações que não são verdadeiras. Por exemplo, se fala que o transtorno é igual no mundo todo e isso não é verdade, pois ela varia de acordo com os costumes, com a cultura de cada local. Também há uma divulgação de que a ritalina é uma droga absolutamente segura e sem reações adversas, o que também não é verdade. Existem famílias com crianças com problemas reais e que sofrem muito mais pelo estigma do que pelo modo de agir. Algumas associações que difundem o TDAH e o uso da ritalina conseguem fazer com que as famílias se sintam acolhidas e elas acabam achando que estão fazendo o melhor para os seus filhos.
Muitas vezes os país ficam receosos em medicar os filhos, mas ao mesmo tempo buscam a melhora da criança. Qual é a melhor saída para estes casos?
Esses pais que veem seus filhos sendo estigmatizados e em sofrimento também sofrem e acham que estão fazendo o melhor para os filhos. Você passa por profissionais da saúde, lê conceitos na mídia, vê os questionários sendo aplicados aos filhos e que indicam o diagnóstico de um transtorno neurológico. É impossível diagnosticar uma doença neurológica por meio de um questionário, ainda mais quando vemos entre 7% e 10% de crianças sendo diagnosticadas por um transtorno neurobiológico de origem genética que não é nem mesmo comprovado. Somos obrigados a pensar que isso é um problema social, causado principalmente pela intolerância com a diferença. A imensa maioria das crianças que recebem este rótulo são crianças mais agitadas, questionadoras. Existem sim crianças com problemas, que agem de forma mais intensa. Mas,se houver uma investigação, percebe-se que são crianças e adolescentes que estão manifestando um problema psíquico. E, ao invés dos profissionais tentarem entender o porquê dessa criança estar agindo assim, o que ela está querendo dizer, a enquadram em um diagnóstico de TDAH sem a menor crítica. Pessoas que estão em sofrimento psíquico apresentam mudanças de comportamento. Com esse diagnóstico, elas acabam sendo não só acolhidas no seu sofrimento, mas recebem um rótulo e uma droga com todas as reações adversas que a ritalina apresenta. Não existe um tratamento alternativo, é preciso olhar a criança e escutar o que ela está tentando me dizer, qual é o problema dela. E então estabelecer um tratamento terapêutico singular para cada criança.






domingo, 17 de maio de 2015

Baixe livros de história!

Baixe livros de história!

http://canaldoensino.com.br/blog/baixe-de-graca-mais-de-mil-livros-de-historia

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A avaliação deve orientar a aprendizagem

A avaliação deve orientar a aprendizagem


http://revistaescola.abril.com.br/formacao/avaliacao-aprendizagem-427861.shtml

Vietña - Mãe

Vietnã
Mulher, como você se chama? – Não sei.
Quando você nasceu, de onde você vem? – Nao sei.
Para que cavou uma toca na terra? – Não sei.
Desde quanto está aqui escondida? – Não sei.
Por que mordeu o meu dedo anular? – Não sei.
Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal? – Não sei.
De que lado você está? – Não sei.
É a guerra, você tem que escolher. – Não sei.
Esses são teus filhos? – São.
Wislawa Szymborska 
O teor do meu trabalho e meu mote na vida pessoal: EU NÃO FINJO QUE TÁ TUDO BEM.
Problema é pra ser resolvido. Se vc finge a paz, vc não resolve nada. Porque fingir é mais fácil do q mudar.
Se vc n quer mudar pessoalmente,  seja, então, melhor no seu trabalho do q como pessoa, porque, no seu trabalho, outras depende de vc! As pessoas não devem se sujeitar ao seu humor. Há deveres e Direitos. O direito deveria ser lindo e garantido!

"Se a paz não for para todos, ela não será para ninguém".

sábado, 11 de abril de 2015

Psicologia social (análise institucional) e professores precarizados/escola

Algum texto que fale sobre psicologia social (análise institucional) e professores precarizados/escola?
Mal acaba o feriado e a gente pensa no trabalho (q vai fazer de graça! Rs)!


Respostas:


Félix:
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/.../materias/0339.html

Ale:
dois clássicos do estágio com a Katia Aguiar, "retrato de uma intervenção" e "a escola como espaço de invenção". O primeiro é da Heliana conde e Regina benevides; o segundo da Ana Heckert e outros vários autores.

Luis Antônio: a fábula do garoto que quanto mais falava sumia sem deixar vestígios

Tem um livro: novos possíveis no encontro da psicologia com a educação, super recomendo tbm

Kátia Aguiar:
tem os livros produzidos na pesquisa de Milton Athaíde e Jussara Brito.



 

Alguns dados para pensar a atualidade


1 -




2 - 
Divulgando a publicação da Luanda Davis num grupo do qual faço parte, para denunciar como foi a votação do texto-base do PL das terceirizações, que joga décadas de conquistas trabalhistas no lixo. Cabe destacar que somente as bancadas de três partidos com representatividade na casa votaram integralmente contra essa atrocidade: PSOL, PT e PC do B. Aproveito para questionar os amigos de Esquerda sobre como nos mobilizaremos efetivamente contra isso nas ruas, nos próximos dias. Segue:
"Jorge A. C. Santana me passa os seguintes números da votação:
majoritariamente sim:
- PMDB: 53 sim / 8 não
- PSDB: 49 sim / 1 não
- PSD: 33 sim / 0 não
- PP: 36 sim / 3 não
- DEM: 19 sim / 2 não
- PTB: 18 sim / 5 não
- PV: 7 sim / 0 não
- PR: 23 sim / 7 não
- PPS: 7 sim / 4 não
- PSB: 20 sim / 10 não
- Solidariedade: 14 sim / 0 não
majoritariamente não:
- PT: 0 sim / 63 não
- PSOL: 0 sim / 5 não
- PCdoB: 0 sim / 13 não
- PRB: 6 sim / 14 não
- PDT: 7 sim / 10 não
Algumas curiosidades (ainda do post compartilhado por Jorge):
- PV: 100% sim;
- Roberto Freire: Sim;
- Solidariedade (“sindicalista”): 100% Sim;
- PSB cada vez mais direita: 2/3 Sim;
- PSD do Kassab, novo “aliado do governo: 100% sim."

A "Palestra" sobre "Motivação" para professoras de uma escola

A "Palestra" sobre "Motivação" para professoras de uma escola

10.04.2015

[Tarefa bem subvertida! Sabe a felicidade? Um grito de GOooooooooooooooooOL enorme, só que sem competição.]

Dei a "palestra" sobre "motivação" com a psicóloga que convidei do DAST- UFRRJ (Saúde do Trabalhador) numa das escolas com a qual o meu serviço trabalha e foi lindo! A receptividade das profissionais do DAST foi valiosa, entendendo que a Rural deve sim oferecer algo a cidade e superar tanta indiferença secular!

- Primeiro propusemos as professoras que sentassem em círculo, mexendo com um primeiro aspecto do ensino tradicional (Paulo Freire? Presente!). Convocávamos todas a olharem nos olhos umas das outras num primeiro movimento de horizontalização possível da dinâmica do encontro.

- Iniciamos uma conversa de acordo com uma palavra que cada profissional usaria para representar o seu trabalho. E o assunto que antes se resumia a uma demanda por "motivação" se desdobrava em outras mil mais. 
Enquanto o esquema "palestra" naufragava, a construção em conjunto emergia!


- ASSUNTOS ABORDADOS: 
. Dos assuntos que surgiam, o AMOR e a LUTA se destacavam. 
. Questionavam a produção de ESTATÍSTICAS pelo MEC quando iam avaliar a escola resumindo as crianças a números que não contavam a história de seu processo de aprendizagem. 
. A demanda dos profissionais por RECONHECIMENTO tantos das crianças quanto das famílias destas pela relação imediata, diferenciando essas do reconhecimento da sociedade, do qual nada esperavam. De como investiam no material para levar e não eram valorizados.
. A noção de que eles estavam ali para TRANSMITIR/AJUDAR/ENSINAR conhecimento para as crianças, embora entendessem que estavam aprendendo o tempo todo. 
. De que podiam tirar DINHEIRO do próprio bolso para suprir algum material que faltava as crianças. 
. Cobravam LIMITES e EDUCAÇÃO das crianças.
. Mostravam que os mais BAGUNCEIROS acabavam tendo mais atenção do que os mais SILENCIOSOS. 
. De como compartilhavam EXPERIÊNCIAS entre profissionais. 
. Uma falou de como produzir AUTONOMIA, de como respeitava as colegas que sabiam mais do que ela.


- Em diálogo feito ponto a ponto, dizíamos:
. AMOR e LUTA
Como valorizar essa trabalhadora historicamente precarizada? Uma profissão ocupada por mulheres a partir do desprestígio que há com a saída do homem dessa marca, quando uma nova época passa a requerer mais dele no mercado de trabalho do que na passagem de conhecimento para a mais tenra idade. E "professorar" vira essa coisa feminina, maternal e pouco qualificada que deve ser feita só por amor?


AMOR
Amor: como debater educação infantil sem estragar a palavra?? Como dizer que só amor não basta?


LUTA
Luta: palavra que se debate e se desdobra. É uma luta interna (e autodomínio para ter paciência com as crianças), é fazer frente a famílias (para não esmorecer frente a reclamações que desconsideram o investimento do professor); é o trabalho de descobrir como ensinar, lutar para conseguir achar uma forma!


DEMAIS ASSUNTOS:
Aos poucos fomos debatendo os demais assuntos e costurando uns aos outros. 
Que nessa luta por ENSINAR, é preciso, muitas vezes, escapar a LINGUAGEM FALADA e entender que o que fica muitas vezes na memória é o AFETO.

Que além de aprender o A, o B ou o C, se ensina também delicadeza.
Que dói a VIOLÊNCIA das crianças seja física ou verbal, mas que temos que conseguir responder de outro lugar fazendo perder o sentido aquela agressividade e não usando da mesma moeda; ou aceitar AJUDA de colegas para resolver uma vez que a ira não se dirige a ele naquele momento, já que mágoas são parte do processo. Que ao lidarmos com as palavras insuficientes tanto um abraço pode conter uma fúria quanto evitar o toque se isso for insuportável em momento tenso.
A psicóloga do DAST aborda a importância de brincadeiras que sejam mais COOPERATIVAS! 
Emoticon heart
Que se só a professora TRANSMITISSE conhecimento e a(o) aluna(o) aprendesse, em nada a professora teria que mudar. Que o conhecimento é uma TROCA e a gente também troca com quem "não sabe" e a criança, com sua história e sua forma, provoca o aprendizado na professora de outra forma de SER e ensinar.
Que "não saber" também tem uma função. Que novos e velhos profissionais fazem outras TROCAS. O "não saber" é o q chega para estranhar e provocar experiências diferentes a partir de outros princípios, não sendo um demérito. Que o velhos profissionais ensinam como atualmente o sistema funciona e podem se desengessar se se propuserem a questionar o funcionamento atual COLETIVAMENTE.
Nesse sentido, não adianta tamponar demandas com o próprio DINHEIRO, quando ela devem ser cobradas do município, pois há uma REDE para tal que temos que aprender a usar e como funciona.
Que as escola não precisa só cobrar que as crianças venham bem de casa ou das instituições de acolhimento como se lá estivesse O MITO DA ORIGEM dos problemas, mas ser ela também um momento bom e de acolhimento na vida dessas pessoinhas.
Que em uma escola que trabalhei, o dia das mães e dos pais era tão doloroso para as crianças, que foi substituído pelo dia da família ou de alguém que a criança gostasse para homenagear. Que a FAMÍLIA ESTRUTURADA também é um mito e que há outras formas de família, sendo que a outra psicóloga chega a pautar as famílias e representações em materiais de escola das FAMÍLIAS HOMOAFETIVAS! 
Emoticon heart
Que não tem como ensinar só LIMITES, DEVERES e REGRAS para as crianças, se não falarmos também de LIBERDADE. Que é possível ensinar como os espaços funcionam, mas que é difícil dizer, muitas vezes, que algo é totalmente ERRADO. Que ele deve aprender a não brigar na escola, mas que ele pode precisar desse subterfúgio no local em que ele mora e isso ser uma demonstração de autodefesa. Podemos cobrar respeito e ensinar uma regra, mas só se a desordem não for tomada sempre como algo ruim, mas também uma oportunidade de organizar de outra forma. Entender que nossa CULTURA conforma nossas respostas e que, muitas vezes, as crianças nos convidam a INVENTAR e, as vezes, essa é a única saída.
E quando falaram dos SILENCIOSOS que ficavam de lado, pude dizer: que quem sente muito também cala. Que destruir uma cadeira nos chama a fazer alguma coisa por aquela pequena pessoa, mas que o silêncio pode guardar dores indizíveis. Que há sucessos cruéis de pessoas que se conformaram a uma sociedade doente como aqueles que se viciam em trabalhar. Que precisamos suportar ouvir certas coisas se queremos, de fato, "ajudar".
Eis que surgem relatos de ABUSO DE CRIANÇAS. Acolho e falo dos sentidos de sermos HEROÍNAS. Que essa é uma pessoa que faz o que é necessário no momento em que é preciso ou alguém que não teve tempo de correr e que, em ambos os sentidos, o que vale é sabermos que não temos que lidar com esse assunto sozinhas. Podemos encaminhar para redes de apoio e cobrar do município serviços específicos para tal. Que essa é uma demanda que temos que gerar se quisermos que pare de acontecer.
E que nada do debatido acima se sustenta se não tivermos tempo de pensar e DAR SENTIDO A NOSSA PRÁTICA. E até entendermos que não precisamos querer ter a mesma profissão para sempre. Incluir no nosso tempo o momento de nos CUIDARMOS porque não passamos ilesos por nada disso!
A diferença entre a SAÚDE e a doença é o movimento. Quem para pode adoecer e ir a reboque de um trabalho que perde o sentido. Quem descansar, mas não desistir, segue tendo problemas normais e sendo sujeito em sua prática. A saúde é o sentido da luta aonde faz parte da cura lutar por um ambiente melhor de trabalho para você e para o coletivo.

Enfim... 
Só sei que vou morrer pobre, feliz e que alguns ricos vou deixar pagar minha boemia como uma boa ação muito bonita! rs


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Título: Uma escola me pediu uma "palestra" sobre "MOTIVAÇÂO"! Uhul!
Subtítulo: profissionais que trabalham com crianças em desgaste

Logo eu, com minhas "motivações surreais". Rs 
Um pedido desses pra mim, enquanto pessoa, era o mesmo que ouvir soar um enorme grito de GOooooooooOOOOOol quanto a aposta no meu trabalho por mais uma pessoa da rede municipal da qual faço parte! 
Emoticon wink



Me faz sentir um amor enorme por tudo que aprendi e pela coragem que me deu 4 anos de pesquisa com a Silvana Mendes Lima (e o grupo) e o Espaço Cultural da Grota.

Entendemos o que querem dizer quando pedem a nós, psicólogas, esse tipo trabalho: socorro. Só que ninguém de fora pode ir lá só "dar uma palestra" pra dizer o que essa coordenação e esss professors tem que fazer ou só proporcionar uma catarse coletiva com palavras bonitas (como quem obriga a pessoa a suportar ao invés de trocar sabedorias). Faz parte do desafio construirmos esse trabalho juntos! Também convidei a área de Saúde do Trabalhador da UFRRJ (DAST) a participar.

"É impossível ser feliz sozinho."

Restava decidir qual seria o viés de trabalho a partir desse estopim da "motivação".

REFLEXÃO:
O que eu vejo primeiro é que as pessoas que trabalham com crianças não são valorizadas culturalmente (as pessoas acham um trabalho bonito, mas não qualificado) e estão desgastadas por dois lados. Por um lado, por trabalharem com um modelo pedagógico "inquestionável"; e, por outro, por estarem cansadas de lidar com as crianças que não se adaptam ("rebeldes", "bagunceiras", "sem jeito", "que não aprendem"). Trabalhamos sempre no limite de "não saber mais o que fazer com essas crianças".


Quando converso "com as escolas" surgem muitas questões no âmbito dos problemas pessoais também desses profissionais com suas próprias crias , em busca de novas respostas prontas para profissionais cansados ou um diagnóstico rápido.

A princípio acho que o foco seria lidar melhor com as crianças, compartilhando estratégias. Dar mais significado ao trabalho também fazendo participar disso a singularidade da contribuição de "cada um" em função de um trabalho que é sempre coletivo. E isso passa por uma equipe que se dê bem e por reflexões acerca do trabalho (por ter tempo para pensa-lo, por haver troca de experiência e de informação que ajude a entender como funciona a estrutura do sistema atual).

Se aqui posso antecipar muitas coisas sobre esse encontro é porque tenho um plano. E tenho certeza de que só poderei falar de mais essa oportunidade de trabalhar com professores (e a querida área da educação!) depois que essa troca tiver ocorrido e esse plano tiver passado a ser um plano coletivo! 
Emoticon smile

sábado, 17 de janeiro de 2015

Conversar: Resolvendo conflito nas escolas

Conversar para resolver conflitos

Quando a escuta e o diálogo são as regras, surgem soluções pacíficas para as brigas


Eliane Holanda, docente da EE Walter Negrelli, conversa com a representante do 7º ano sobre a sua turma. Foto: Marina Piedade

Momento de tutoria Eliane Holanda, docente da EE Walter Negrelli, conversa com a representante do 7º ano sobre a sua turma


Alunos que brigam com colegas, professores que desrespeitam funcionários, pais que ofendem os diretores. Casos de violência na escola não faltam. A pesquisa O Que Pensam os Jovens de Baixa Renda sobre a Escola, realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) sob encomenda da Fundação Victor Civita (FVC), ambos de São Paulo, revelou que 11% dos estudantes se envolveram em conflitos com seus pares nos últimos seis meses e pouco mais de 8% com professores, coordenadores e diretores. Poucas escolas refletem sobre essas situações e elaboram estratégias para construir uma cultura da paz. A maioria aplica punições que, em vez de acabar com o enfrentamento, estimula esse tipo de atitude e tira dos jovens a autonomia para resolver problemas.

Segundo Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e colunista da revista NOVA ESCOLA, implementar um projeto institucional de mediação de conflitos é fundamental para implantar espaços de diálogo sobre a qualidade das relações e os problemas de convivência e propor maneiras não violentas de resolvê-los. Assim, os próprios envolvidos em uma briga podem chegar a uma solução pacífica.

Por essa razão, é importante que, ao longo do processo de implantação, alunos, professores, gestores e funcionários sejam capacitados para atuar como mediadores. Esses, por sua vez, precisam ter algumas habilidades como saber se colocar no lugar do outro, manter a imparcialidade, ter cuidado com as palavras e se dispor a escutar.

O projeto inclui a realização de um levantamento sobre a natureza dos conflitos e um trabalho preventivo para evitar a agressão como resposta para essas situações. Além disso, ao sensibilizar os professores e funcionários sobre o tema, é possível identificar as violências sofridas pelos diferentes segmentos e atuar para acabar com elas.


Pessoas capacitadas atuam em encontros individuais e coletivos 
Há duas formas principais de a mediação acontecer, segundo explica Lívia Maria Silva Licciardi, doutoranda em Psicologia Educacional, Desenvolvimento Humano e Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A primeira é quando há duas partes identificadas envolvidas. Nesse caso, ambos os lados se apresentam ou são chamados para conversar com os mediadores - normalmente eles atuam em dupla para que a imparcialidade no encaminhamento do caso seja garantida - em uma sala reservada para esse fim. Eles ouvem as diversas versões, dirigem a conversa para tentar fazer com que todos entendam os sentimentos colocados em jogo e ajudam na resolução do episódio, deixando que os envolvidos proponham caminhos para a decisão final.

A segunda forma é utilizada quando acontece um problema coletivo - um aluno é excluído pela turma, por exemplo. Diante disso, o ideal é organizar mediações coletivas, como uma assembleia. Nelas, um gestor ou um professor pauta o encontro e conduz a discussão, sem expor a vítima nem os agressores. "O objetivo é fazer com que todos falem, escutem e proponham saídas para o impasse. Assim, a solução deixa de ser punitiva e passa a ser formativa, levando à corresponsabilização pelos resultados", diz Ana Lucia Catão, mestre em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ela ressalta que o debate é enriquecido quando se usa outros recursos: filmes, peças de teatro e músicas ajudam na contextualização e compreensão do problema.

No CEF 602, no Recanto das Emas, subdistrito de Brasília, o Projeto Estudar em Paz, realizado desde 2011 em parceria com o Núcleo de Estudos para a Paz e os Direitos Humanos da Universidade de Brasília (NEP/UnB), tem 16 alunos mediadores formados e outros 30 sendo capacitados. A instituição conta ainda com 28 professores habilitados e desde o começo deste ano o projeto faz parte da formação continuada. "Os casos de violência diminuíram. Recebo menos alunos na minha sala e as depredações do patrimônio praticamente deixaram de existir. Ao virarem protagonistas das decisões, os estudantes passam a se responsabilizar por suas atitudes", conta Silvani Carlos dos Santos, diretora da escola.

O projeto obteve outras conquistas. Até o ano passado, o CEF 602 era a única instituição do Distrito Federal cujas carteiras tinham o assento e o encosto de ferro. Ao perceberem que esse fato incomodava os alunos - como se fosse uma violência estrutural -, eles organizaram uma assembleia, recolheram cerca de 500 assinaturas da comunidade e enviaram um ofício à Coordenação Regional de Ensino (CRE), que realizou a troca do mobiliário. O sucesso da ação levou o então coordenador pedagógico, Francisco Celso, a assumir a recém-criada diretoria de mediação de conflitos da CRE, que atua em todas as unidades sob sua responsabilidade.

Fonte: http://gestaoescolar.abril.com.br/formacao/conversar-resolver-conflitos-brigas-dialogo-762845.shtml 

3 ideias: a da música, a da imagem e a do sagrado feminino virgem

" Mais perto da essência
O Sentido respira
Mas nem sempre o ar mais puro se tem
...
Eu vou lhe dar um prato de flores
E no seu ventre vou fazer o meu jardim
Que vai florir x2
Quando os espinhos lançarem as dores
Do cheiro forte do jardim que não tem fim
Que não tem fim x2
E o seu umbigo ainda em flor
Vai mexer com o tempo vai matar a dor denovo"
(3 ideias: a da música, a da imagem e a do sagrado feminino virgem deturpada para a ideia d castidade)


"Uma aula sobre o Sagrado Feminino e a distorção da plenitude feminina ao longo dos tempos em apenas um parágrafo:

"Antigas sacerdotisas da lua eram chamadas de virgens. 'Virgem' significava não-casada, não-pertencente a um homem - uma mulher que era uma em si mesma. A palavra deriva do Latim, significando força, habilidade, e mais tarde foi aplicada a homens: viril. Ishtar, Diana, Astarte, Isis eram todas chamadas virgens, o que não se referia à sua castidade sexual, mas à sua independência sexual. E todos os grandes heróis de culturas passadas, míticos ou históricos, eram ditos serem nascidos de mães virgens: Marduk, Gilgamesh, Buda, Osiris, Dionísio, Genghis Khan, Jesus - todos eram reconhecidos como filhos da Grande Mãe, a Força Original, e seus enormes poderes provinham dela. Quando os Hebreus usaram a palavra, e no original em Aramaico, significava 'mulher jovem', 'donzela', sem conotações de castidade sexual. Mas mais tarde tradutores cristãos não puderam conceber a 'Virgem Maria' como uma mulher de sexualidade independente; eles distorceram o significado para sexualmente pura, intocada, casta."

Monica Sjöö, The Great Cosmic Mother: Rediscovering the Religion of the Earthjustice

(Texto e imagem sensacionais, que conheci viaBruno Stehling < berlin-artparasites)"
Maria Gabriela Saldanha

Quando questiono sobre a veracidade da fonte, ainda me responde:

" A fonte é o livro que está logo abaixo do texto, da década de 80. Essa leitura das "Virgens" já é amplamente divulgada por quem se interessa por religiões pagãs, a diferença é que nesse texto ela amarrou de uma forma impressionante. Fui pesquisar a respeito, quando li o texto, e vi que é o trabalho de uma feminista sueca que pesquisava as manifestações da Deusa e as relações entre o poder feminino sagrado e a desconstrução do patriarcado. Desde então, venho me informando mais sobre ecofeminismo, que é uma corrente que muito me agrada, por casar meu olhar espiritual com a militância, e pela qual sempre me orientei meio que intuitivamente.
Maria Gabriela Saldanha

Doutor é quem fez Doutorado

Doutor é quem fez Doutorado


Doutor é quem fez Doutorado

No momento em que nós do Ministério Público da União nos preparamos para atuar contra diversas instituições de ensino superior por conta do número mínimo de mestres e doutores, eis que surge (das cinzas) a velha arenga de que o formado em Direito é Doutor.
A história, que, como boa mentira, muda a todo instante seus elementos, volta à moda. Agora não como resultado de ato de Dona Maria, a Pia, mas como consequência do decreto de D. Pedro I.
Fui advogado durante muitos anos antes de ingressar no Ministério Público. Há quase vinte anos sou Professor de Direito. E desde sempre vejo “docentes” e “profissionais” venderem essa balela para os pobres coitados dos alunos.
Quando coordenador de Curso tive o desprazer de chamar a atenção de (in) docentes que mentiam aos alunos dessa maneira. Eu lhes disse, inclusive, que, em vez de espalharem mentiras ouvidas de outros, melhor seria ensinarem seus alunos a escreverem, mas que essa minha esperança não se concretizaria porque nem mesmo eles sabiam escrever.
Pois bem!
Naquela época, a história que se contava era a seguinte: Dona Maria, a Pia, havia “baixado um alvará” pelo qual os advogados portugueses teriam de ser tratados como doutores nas Cortes Brasileiras. Então, por uma “lógica” das mais obtusas, todos os bacharéis do Brasil, magicamente, passaram a ser Doutores. Não é necessária muita inteligência para perceber os erros desse raciocínio. Mas como muita gente pode pensar como um ex-aluno meu, melhor desenvolver o pensamento (dizia meu jovem aluno: “o senhor é Advogado; pra quê fazer Doutorado de novo, professor?”).
1) Desde já saibamos que Dona Maria, de Pia nada tinha. Era Louca mesmo! E assim era chamada pelo Povo: Dona Maria, a Louca!
2) Em seguida, tenhamos claro que o tão falado alvará jamais existiu. Em 2000, o Senado Federal presenteou-me com mídias digitais contendo a coleção completa dos atos normativos desde a Colônia (mais de quinhentos anos de história normativa). Não se encontra nada sobre advogados, bacharéis, dona Maria, etc. Para quem quiser, a consulta hoje pode ser feita pela Internet.
3) Mas digamos que o tal alvará existisse e que dona Maria não fosse tão louca assim e que o povo fosse simplesmente maledicente. Prestem atenção no que era divulgado: os advogados portugueses deveriam ser tratados como doutores perante as Cortes Brasileiras. Advogados e não quaisquer bacharéis. Portugueses e não quaisquer nacionais. Nas Cortes Brasileiras e só! Se você, portanto, fosse um advogado português em Portugal não seria tratado assim. Se fosse um bacharel (advogado não inscrito no setor competente), ou fosse um juiz ou membro do Ministério Público você não poderia ser tratado assim. E não seria mesmo. Pois os membros da Magistratura e do Ministério Público tinham e têm o tratamento de Excelência (o que muita gente não consegue aprender de jeito nenhum). Os delegados e advogados públicos e privados têm o tratamento de Senhoria. E bacharel, por seu turno, é bacharel; e ponto final!
4) Continuemos. Leiam a Constituição de 1824 e verão que não há “alvará” como ato normativo. E ainda que houvesse, não teria sentido que alguém, com suas capacidades mentais reduzidas (a Pia Senhora), pudesse editar ato jurídico válido. Para piorar: ainda que existisse, com os limites postos ou não, com o advento da República cairiam todos os modos de tratamento em desacordo com o princípio republicano da vedação do privilégio de casta. Na República vale o mérito. E assim ocorreu com muitos tratamentos de natureza nobiliárquica sem qualquer valor a não ser o valor pessoal (como o brasão de nobreza de minha família italiana que guardo por mero capricho porque nada vale além de um cafezinho e isto se somarmos mais dois reais).
A coisa foi tão longe à época que fiz questão de provocar meus adversários insistentemente até que a Ordem dos Advogados do Brasil se pronunciou diversas vezes sobre o tema e encerrou o assunto.
Agora retorna a historieta com ares de renovação, mas com as velhas mentiras de sempre.
Agora o ato é um “decreto”. E o “culpado” é Dom Pedro I (IV em Portugal).
Mas o enredo é idêntico. E as palavras se aplicam a ele com perfeição.
Vamos enterrar tudo isso com um só golpe?!
A Lei de 11 de agosto de 1827, responsável pela criação dos cursos jurídicos no Brasil, em seu nono artigo diz com todas as letras: “Os que frequentarem os cinco anos de qualquer dos Cursos, com aprovação, conseguirão o grau de Bachareis formados. Haverá tambem o grau de Doutor, que será conferido àqueles que se habilitarem com os requisitos que se especificarem nos Estatutos que devem formar-se, e só os que o obtiverem poderão ser escolhidos para Lentes”.
Traduzindo o óbvio. A) Conclusão do curso de cinco anos: Bacharel. B) Cumprimento dos requisitos especificados nos Estatutos: Doutor. C) Obtenção do título de Doutor: candidatura a Lente (hoje Livre-Docente, pré-requisito para ser Professor Titular). Entendamos de vez: os Estatutos são das respectivas Faculdades de Direito existentes naqueles tempos (São Paulo, Olinda e Recife). A Ordem dos Advogados do Brasil só veio a existir com seus Estatutos (que não são acadêmicos) nos anos trinta.
Senhores.
Doutor é apenas quem faz Doutorado. E isso vale também para médicos, dentistas, etc, etc.
A tradição faz com que nos chamemos de Doutores. Mas isso não torna Doutor nenhum médico, dentista, veterinário e, mui especialmente, advogados.
Falo com sossego.
Afinal, após o meu mestrado, fui aprovado mais de quatro vezes em concursos no Brasil e na Europa e defendi minha tese de Doutorado em Direito Internacional e Integração Econômica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Aliás, disse eu: tese de Doutorado! Esse nome não se aplica aos trabalhos de graduação, de especialização e de mestrado. E nenhuma peça judicial pode ser chamada de tese, com decência e honestidade.
Escrevi mais de trezentos artigos, pareceres (não simples cotas), ensaios e livros. Uma verificação no sítio eletrônico do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) pode compravar o que digo. Tudo devidamente publicado no Brasil, na Dinamarca, na Alemanha, na Itália, na França, Suécia, México. Não chamo nenhum destes trabalhos de tese, a não ser minha sofrida tese de Doutorado.
Após anos como Advogado, eleito para o Instituto dos Advogados Brasileiros (poucos são), tendo ocupado comissões como a de Reforma do Poder Judiciário e de Direito Comunitário e após presidir a Associação Americana de Juristas, resolvi ingressar no Ministério Público da União para atuar especialmente junto à proteção dos Direitos Fundamentais dos Trabalhadores públicos e privados e na defesa dos interesses de toda a Sociedade. E assim o fiz: passei em quarto lugar nacional, terceiro lugar para a região Sul/Sudeste e em primeiro lugar no Estado de São Paulo. Após rápida passagem por Campinas, insisti com o Procurador-Geral em Brasília e fiz questão de vir para Mogi das Cruzes.
Em nossa Procuradoria, Doutor é só quem tem título acadêmico. Lá está estampado na parede para todos verem.
E não teve ninguém que reclamasse; porque, aliás, como disse linhas acima, foi a própria Ordem dos Advogados do Brasil quem assim determinou, conforme as decisões seguintes do Tribunal de Ética e Disciplina: Processos: E-3.652/2008; E-3.221/2005; E-2.573/02; E-2067/99; E-1.815/98.
Em resumo, dizem as decisões acima: não pode e não deve exigir o tratamento de Doutor ou apresentar-se como tal aquele que não possua titulação acadêmica para tanto.
Como eu costumo matar a cobra e matar bem matada, segue endereço oficial na Internet para consulta sobre a Lei Imperial.
Os profissionais, sejam quais forem, têm de ser respeitados pelo que fazem de bom e não arrogar para si tratamento ao qual não façam jus. Isso vale para todos. Mas para os profissionais do Direito é mais séria a recomendação.
Afinal, cumprir a lei e concretizar o Direito é nossa função. Respeitemos a lei e o Direito, portanto; estudemos e, aí assim, exijamos o tratamento que conquistarmos. Mas só então.
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Texto escrito por Marco Antônio Ribeiro Tura, jurista. Membro vitalício do Ministério Público da União. Doutor em Direito Internacional e Integração Econômica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestre em Direito Público e Ciência Política pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor Visitante da Universidade de São Paulo. Ex-presidente da Associação Americana de Juristas, ex-titular do Instituto dos Advogados Brasileiros e ex-titular da Comissão de Reforma do Poder Judiciário da Ordem dos Advogados do Brasil

Fonte: Pós-graduando.com
http://posgraduando.com/blog/doutor-e-quem-fez-doutorado