"Quer saber pq imposto não é roubo? Liga a televisão agora.
Nesse momento estou em casa. Não consegui me deslocar para o trabalho em função da situação do Rio de Janeiro. Minha televisão está ligada e a todo o momento aparecem blindados, helicópteros e homens armados. A televisão informa que está acontecendo um cerco à favela da Rocinha, maior do Brasil. É provável que aconteça um banho de sangue nas próximas horas. Boa parte da população aplaude e pede intervenção militar. Como chegamos a essa situação limite? Claro que o problema é complexo e existem centenas de explicações igualmente válidas. Mas eu queria pensar um pouco sobre a natureza dos regimes democráticos.
No longínquo século XVIII, os filósofos iluministas definiam a democracia como o sistema de governo em que o cidadão é ao mesmo tempo súdito e soberano. Ele é soberano porque, ao ser ouvido, participa dos destinos coletivos. Ele é parte naquilo que Rousseau chamou de Vontade geral. Vontade geral não deve ser entendida como a soma das vontades particulares, pois ela deve necessariamente guiar-se pelo interesse comum. É dessa intricada equação entre a soma das vontades particulares e o interesse comum que nasce a Vontade geral.
Portanto, ao contrário do que pensam os liberais, na política a soma das partes não forma o todo. A soma das vontades individuais é apenas a expressão de interesses conflitantes, um jogo de forças. No fim, prevalece quem tem mais poder. É pura e simples dominação.
Foucault, invertendo a famosa frase de Clausewitz, disse que a política é a guerra por outros meios. Eu diria não exatamente a política, mas a democracia que é a guerra por outros meios. Pois, como lembrou Marilena Chauí, o sistema democrático é o único que aceita os conflitos como legítimos e, desse modo, os mantém dentro dos limites institucionais.
Porém, é preciso estar atento. A Vontade geral choca-se, a todo o momento, com as vontades particulares e corre-se o risco que os interesses acabem por prevalecer.
Em 2011, o mesmo traficante que agora leva o terror à favela da Rocinha, Nem, disse as seguintes palavras numa entrevista: “UPP não adianta se for só ocupação policial. Tem de botar ginásios de esporte, escolas, dar oportunidade. Como pode Cuba ter mais medalhas que a gente em Olimpíada? Se um filho de pobre fizesse prova do Enem com a mesma chance de um filho de rico, ele não ia para o tráfico. Ia para a faculdade”. Se um pobre fizesse vestibular com condições iguais a um rico, ele não iria para o tráfico e eu não estaria em casa, sem poder sair, nesse momento. A educação pública de qualidade para todos, portanto, pode ser entendida como a emanação da Vontade geral. Ela assegura o bem e a tranquilidade comum.
A ideia da UPP, porém, era transformar o os moradores das comunidades carente em súditos, sem lhes dar a soberania. Era levar ordem, sem democracia. Era acabar com os conflitos pela força. Por isso estava fadado ao fracasso. Como numa panela de pressão, no primeiro furo, explodiria.
Nessa mesma entrevista, o traficante fez outra afirmação desconcertante: “Meu ídolo é o Lula. Adoro o Lula. Ele foi quem combateu o crime com mais sucesso. Por causa do PAC da Rocinha. Cinquenta dos meus homens saíram do tráfico para trabalhar nas obras. Sabe quantos voltaram para o crime? Nenhum. Porque viram que tinham trabalho e futuro na construção civil.”
Independente da avaliação que cada um de nós tenha do ex-presidente, há nessa frase algumas revelações importantes. Nem, o traficante, disse que o PAC tirou de modo definitivo 50 homens do crime. O investimento público em infraestrutura é outro exemplo prático da Vontade geral. Um programa de obras públicas, agindo numa comunidade carente, gerando empregos e ajudando na construção da paz. Emprego, renda, paz e crescimento econômico.
Essa é exatamente a lógica dos impostos. Meu interesse particular diz que é melhor eu gastar meu dinheiro comigo, com prazeres momentâneos e individuais. Mas, como nos ensinou Rousseau, a soma das partes não forma o todo. E o indivíduo, como parte desse todo, é afetado por essa dinâmica corrosiva dos conflitos egoístas. Os impostos, ao serem aplicados em programas como o PAC, ou em educação, serviriam à Vontade geral. São elementos básicos da democracia.
Claro que essa separação não é tão nítida e muitas vezes o dinheiro público é vertido para outros fins. Mas o golpe que sofremos foi arquitetado por pequenos grupos que, em nome de uma moralidade difusa, colocaram o poder a serviço de poucos.
O que os incomodava era a frágil democracia que havíamos construído nas ultimas décadas. Com o golpe votou-se uma PEC que limita os gastos primários. Programas como o PAC agora são inviáveis. A política cortou os poucos laços que mantinha com a soberania popular. Nosso presidente, o mais impopular da história, aceita qualquer demanda, qualquer pressão, para se manter no cargo. Nossa democracia agoniza num jogo de forças entre vontades particulares, enquanto nosso Estado se desintegra sem direção.
Se a democracia é a guerra por outros meios, sem democracia, a guerra emerge pelos meios tradicionais."
Por Eduardo Migowski
o sol no cafofo! Rodo cotidiano, Rabiscos voadores... As anotações mais urgentes e mais tortas pelo tempo! "Eu sempre espero uma coisa nova de mim, eu sou um frisson de espera - algo está sempre vindo de mim ou fora de mim." C.
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sábado, 23 de setembro de 2017
sábado, 18 de julho de 2015
Conto de fadas ou guerreiros sem guerra
Texto de 29 de dezembro de 2014
Conto de fadas ou guerreiros sem guerra
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"E o caminho da felicidade ainda existe: é uma trilha estreita em meio à selva triste."
Eu vejo as pessoas perdoando coisas imperdoáveis so pq elas são sozinhas ou novas demais...
As vezes, elas n tem ning. Perdoam quem tem.
As vezes, elas n tem ning. Perdoam quem tem.
Sem condições de se protegerem, de se sustentarem ou fugirem para um lugar seguro a maioria das pessoas novas q vejo agem como "tendo q aceitar". E fugir acaba sendo perdoar e aceitar, o q parece muito bonito do ponto de vista moral cristão, mas não educam ninguém, principalmente quem foi perdoado a não abusar sexualmente de crianças, por exemplo. E a justiça, claramente morta na terra, está só, no céu, e "Deus vai fazer ele pagar" e todos nós não precisamos fazer mais nada(?). Não posso incitar a revolta nesse sistema perverso. Mas sei q não estou só.
Não adianta nem mesmo concordar com a crítica se não mudamos de atitudes no sentido d produzir proteção para quem precisa. Isso envolve falar e encarar assuntos difíceis que vão do sexo ao abuso, por exemplo. Recusamos todo santo dia a possibilidade d sermos heróinas/heróis, fascinados pela fantasia da capa vermelha ou da máscara de morcego. De achar d forma fabulosa q o bem e o mal estão separados e d q alguém de fora (e do alto) vai, magicamente, salvar a gente. A ideia de heroismo tem q passar por aquilo q precisa mudar no cotidiano e não pela anestesia. Por entender q tem figuras aparentemente boas como "o bom pai" q estupram adolescentes em seu "lar" ou "a boa tia" q agenciam a prostituição aliciando a própria filha ou a filha dos outros ainda criança para homens (mais) velhos. Eles não usam etiqueta dizendo como lavar para se tornarem novos! Vejo que, em muitos casos, essas pessoas seriam até denunciadas se o agressor não fosse tirado de casa e fosse incluído num acompanhamento mediador q o fizesse parar (e não acabasse com ele enquanto provedor da família). Mas isso ainda não vi acontecer. Se tem algo pior do q o abuso é morrer de fome.
Numa vida pautada pela ideia de felicidade e prazer, ninguém quer passar pelo q dói. Vejo crianças sendo abusadas e não faço nada (mais uma vez!) porque não vou levá-las pra casa? Se não pararmos para pensar o q fazer nesses casos, vamos continuar com essa noção simplista quanto a tomada d providência e achando mais fácil não fazer nada.
Instituições d acolhimento para ficar com esse público, "largando e esquecendo" as crianças lá dentro são o ideal? Não são! "Abrigo" não é lugar de criança! elas tem q estar sob as asas do tal amor e compaixão tão apregoado! Uma atenção específica, com sustento e com liberdade de ir e vir. O amor não deve estar numa relação sujeita ao profissionalismo de uma instituição. Deve-se estar lá em último caso.
[*Vale ressaltar que em instituições de acolhimento se tem todo tipo de público. ♡]
[*Vale ressaltar que em instituições de acolhimento se tem todo tipo de público. ♡]
Outro debate que permeia esse é a visão que temos dessas pessoas que passaram pelo abuso, onde só as respeitamos se eles se portarem como vítimas indefesas quando, em qualquer realidade multiversa, podem ser também belas jovens de 1,80m de altura, mas ainda sim adolescentes q são aliciadas nos casos em questão, só q, pela vida sexual avançada são simplesmente culpadas.
Pergunto: o q vc faria se soubesse que alguém da sua família abusou de alguém menor de idade da sua família também?
Se vc n estiver pronto para saber, tampouco esses menores de idade estão prontos para falar.
Se vc n estiver pronto para saber, tampouco esses menores de idade estão prontos para falar.
"Eu durmo pronto pra guerra
E eu não era assim, (...)
E sei o que é mau pra mim
Fazer o que se é assim
Vida loka cabulosa
O cheiro é de pólvora
E eu prefiro rosas
E eu que...e eu que
Sempre quis com um lugar,
Gramado e limpo, assim, verde como o mar
Cercas brancas, uma seringueira com balança
Disbicando pipa, cercado de criança"
E eu não era assim, (...)
E sei o que é mau pra mim
Fazer o que se é assim
Vida loka cabulosa
O cheiro é de pólvora
E eu prefiro rosas
E eu que...e eu que
Sempre quis com um lugar,
Gramado e limpo, assim, verde como o mar
Cercas brancas, uma seringueira com balança
Disbicando pipa, cercado de criança"
(Com a contribuição do amigo Rafa na sugestão da arte e na ideia e dos Racionais MCs na arte da música)
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quarta-feira, 13 de maio de 2015
Vietña - Mãe
Vietnã
Mulher, como você se chama? – Não sei.
Quando você nasceu, de onde você vem? – Nao sei.
Para que cavou uma toca na terra? – Não sei.
Desde quanto está aqui escondida? – Não sei.
Por que mordeu o meu dedo anular? – Não sei.
Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal? – Não sei.
De que lado você está? – Não sei.
É a guerra, você tem que escolher. – Não sei.
Esses são teus filhos? – São.
Quando você nasceu, de onde você vem? – Nao sei.
Para que cavou uma toca na terra? – Não sei.
Desde quanto está aqui escondida? – Não sei.
Por que mordeu o meu dedo anular? – Não sei.
Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal? – Não sei.
De que lado você está? – Não sei.
É a guerra, você tem que escolher. – Não sei.
Esses são teus filhos? – São.
Wislawa Szymborska
O teor do meu trabalho e meu mote na vida pessoal: EU NÃO FINJO QUE TÁ TUDO BEM.
Problema é pra ser resolvido. Se vc finge a paz, vc não resolve nada. Porque fingir é mais fácil do q mudar.
Se vc n quer mudar pessoalmente, seja, então, melhor no seu trabalho do q como pessoa, porque, no seu trabalho, outras depende de vc! As pessoas não devem se sujeitar ao seu humor. Há deveres e Direitos. O direito deveria ser lindo e garantido!
"Se a paz não for para todos, ela não será para ninguém".
Problema é pra ser resolvido. Se vc finge a paz, vc não resolve nada. Porque fingir é mais fácil do q mudar.
Se vc n quer mudar pessoalmente, seja, então, melhor no seu trabalho do q como pessoa, porque, no seu trabalho, outras depende de vc! As pessoas não devem se sujeitar ao seu humor. Há deveres e Direitos. O direito deveria ser lindo e garantido!
"Se a paz não for para todos, ela não será para ninguém".
sábado, 11 de abril de 2015
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
"Porque educar não é sobre encher baldes, mas sobre acender fogueiras" é muito bom.
sábado, 12 de abril de 2014
Casal Gay adota 5 filhos
Sobre o abrigo:
"A filha mais velha, Camila, que tinha 7 anos quando foi adotada, recorda do tempo. ´abrigo era muito ruim. As pessoas que cuidavam da gente não estavam todo o tempo, porque aquela não era a casa delas. Então a partir do momento que fui viver com os meus pais, nossas vidas mudaram para sempre. Para melhor, é claro´reflete."
Sobre família:
"Leandro e Miguel vivem juntos há nove anos, e a união foi oficializada em maio de 2009. Antes do casamento, em 2007, o casal começou a procurar na Justiça o direito da adoção. Leandro comenta que, de inicio eles queriam dois filhos, mas ao conhecerem os cinco irmãos, os planos precisaram ser trocados."
De onde você é?
O que esperam de você?
" “Graças a Deus ninguém tem preconceito deles por serem filhos de um casal de homossexuais. Amigos deles vêm aqui em casa, a gente vai à reunião de pais, até mesmo o batizado na Igreja Católica a gente conseguiu para todos! "
Novos conceitos:
Acho q com a união homoafetiva fica bem claro q falar "pais" não esclarece o papel da mãe numa relação, né? Não por acaso, posto q a língua sempre subentende o sexo feminino e coloca tudo no masculino. Coisas d uma sociedade machista! Estou tentando mudar...
Agora que "pais" "pode significar" dois homens, acho melhor falar "pai e mãe" quando se tratar d um casal de homem e mulher e "mães" quando se tratar de um casal de duas mulheres...
Agora, quando tivermos um filho e uma filha, tb não rola dizer q temos um casal porque casais hj em dia, graças a Deus, podem ser homo! Eles nunca deixaram d existir, né? Só estão sendo reconhecidos! :)
Quem estiver mas a frente no debate, manda a letra!
http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/2014/04/casal-gay-que-adotou-cinco-irmaos-deve-lancar-livro-sobre-familia.html
"A filha mais velha, Camila, que tinha 7 anos quando foi adotada, recorda do tempo. ´abrigo era muito ruim. As pessoas que cuidavam da gente não estavam todo o tempo, porque aquela não era a casa delas. Então a partir do momento que fui viver com os meus pais, nossas vidas mudaram para sempre. Para melhor, é claro´reflete."
Sobre família:
"Leandro e Miguel vivem juntos há nove anos, e a união foi oficializada em maio de 2009. Antes do casamento, em 2007, o casal começou a procurar na Justiça o direito da adoção. Leandro comenta que, de inicio eles queriam dois filhos, mas ao conhecerem os cinco irmãos, os planos precisaram ser trocados."
De onde você é?
O que esperam de você?
" “Graças a Deus ninguém tem preconceito deles por serem filhos de um casal de homossexuais. Amigos deles vêm aqui em casa, a gente vai à reunião de pais, até mesmo o batizado na Igreja Católica a gente conseguiu para todos! "
Novos conceitos:
Acho q com a união homoafetiva fica bem claro q falar "pais" não esclarece o papel da mãe numa relação, né? Não por acaso, posto q a língua sempre subentende o sexo feminino e coloca tudo no masculino. Coisas d uma sociedade machista! Estou tentando mudar...
Agora que "pais" "pode significar" dois homens, acho melhor falar "pai e mãe" quando se tratar d um casal de homem e mulher e "mães" quando se tratar de um casal de duas mulheres...
Agora, quando tivermos um filho e uma filha, tb não rola dizer q temos um casal porque casais hj em dia, graças a Deus, podem ser homo! Eles nunca deixaram d existir, né? Só estão sendo reconhecidos! :)
Quem estiver mas a frente no debate, manda a letra!
http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/2014/04/casal-gay-que-adotou-cinco-irmaos-deve-lancar-livro-sobre-familia.html
terça-feira, 8 de abril de 2014
ECA, ABRIGOS E SUBJETIVIDADES
ENTRE EFEITOS E PRODUÇÕES: ECA, ABRIGOS E SUBJETIVIDADES
"O discurso predominante nas entrevistas nos falava constantemente da permanência de
práticas referentes à lógica de internação nos abrigos. Isto é, apesar de o ECA ter sido
promulgado no ano de 1990, a proposta se encontra distante da realidade dos abrigamentos,
abrindo espaço para pensarmos que o abrigo tem sido um dispositivo tanto protetor quanto
violador dos propalados direitos da criança e do adolescente, já que, apesar de protegê-los de
situações que causam dano, infringe a lei por outros percursos. Alguns pontos importantes
como a separação de grupos de irmãos, o trabalho de reintegração familiar, de convivência
comunitária, entre outros, são difíceis de ser colocados em prática quando outras questões
como a sexualidade, a separação por idade e sexo, a resistência de vizinhos em ter uma casaabrigo
nos arredores de suas moradias e a falta de equipe entram em cena. A lei, portanto, não
deu e não dá conta de mudar a multiplicidade de práticas que se configuram num plano micro
do cotidiano, e, muitas vezes, permanecem ainda arraigadas e atravessadas pelos processos de
trabalho que eram exercidos nos complexos de internação."
"Diferentemente, na sociedade disciplinar o exercício de poder não está localizado nas
mãos de um soberano, mas circula por toda a sociedade. As punições não são mais violências
ou torturas cometidas contra o corpo de um condenado. Como aponta Foucault (2004), na
nova economia punitiva surgida na Europa em meados do século XIX, a punição torna-se,
através da instituição da prisão, uma privação de liberdade. Se alguém comete um crime, não
paga sofrendo um suplício, mas é punido com a pena de ter sua liberdade cerceada através de
seu encarceramento numa prisão."
"No que concerne especificamente ao contexto da América Latina, vivemos o momento
em que um “senso comum punitivo” (BATISTA, 2003) paira sobre nossa sociedade. Por esse
viés, há um clamor público por punição e, ao mesmo tempo, há uma judicialização4 das
relações sociais. É como se a punição se transformasse na nova panaceia que solucionará
todos os problemas da sociedade. Dessa maneira, movimentos de “lei e ordem” ganham, cada
dia, mais força (WACQUANT, 2008).
Nesse sentido, a lógica punitiva que paira sobre nossa sociedade se faz presente,
também, nos abrigos. Os entrevistados expressaram o quanto se sentiam ameaçados pelo
Ministério Público (MP), que age de forma bastante punitiva sobre os técnicos e educadores,
em constante vigilância de suas práticas. Por sua vez esses profissionais, de forma encadeada,
incorporam esta lógica da punição em suas relações com os abrigados e de maneira repressiva
e coercitiva vão, muitas vezes, definindo um cotidiano autoritário e ameaçador no interior dos
abrigos. Um exemplo dessa hierarquia de controle aparece nas falas que narram os episódios
de brigas entre os abrigados. Dizem os entrevistados que pairava uma constante preocupação
com essa questão, já que as brigas podiam produzir marcas, machucados que configuravam
punição imediata do MP à equipe.
Ainda analisando a capilarização da lógica punitiva no interior dos abrigos, é possível
dizer que os educadores se veem sem ferramentas para administrar o cotidiano e, dessa forma,
vão criando maneiras cada vez mais sofisticadas, mais invisíveis de castigar. Por exemplo,
dando preferência a uns e não a outros para certas situações, demorando a fornecer remédios e
material de higiene pessoal (que na maioria das vezes fica sob controle dos educadores), ou
ainda não permitindo visitas da família."
"No entanto, nem todas as entrevistas apontaram situações punitivas dessa ordem.
Foram também apresentados discursos que indicam escapes a um modo único, instituído de
abrigo. Em duas das entrevistas, os profissionais falam da ocorrência de assembleias com
participação das crianças, adolescentes e funcionários nas decisões da casa. Referem o uso de
tal dispositivo como um espaço democrático de conversas e discussões que determinavam o
funcionamento da casa, mostrando a possibilidade de se criar estratégias que escapem à lógica
de controle e punição.
Mas é uma experiência assim muito boa quando você começa a construir um espaço
onde dá direito de voz a todos e não só a um grupo, só às educadoras ou só à equipe
técnica, mas quando você tenta fazer com que esse espaço seja todo tempo avaliado
por todos os atores que estão ali dentro. É o ator que está ali dentro, não são só os
educadores e os meninos, mas é o vizinho, é a escola, são os voluntários, quer dizer,
cada pessoa que está envolvida direta ou indiretamente com aquele espaço, com
aquele abrigo. (...) Consegue ver ou fazer com que a criança passe aquele período no
abrigo da forma mais digna possível: dando direito de voz a ela. E o direito à voz é o
direito de querer ficar e de não querer ficar também, de querer sair do abrigo. Então,
eu sempre falei com as crianças e com os educadores que isso aqui não é uma
prisão, aqui é um espaço de acolhimento, onde o menino tem que estar aqui porque
ele gosta. Porque na hora de ir para escola, ele vai para escola sozinho. Ele tem que
ir para escola e tem que voltar para o abrigo (fala de um entrevistado).
Um segundo ponto de análise, que não se descola da lógica de controle mais
sofisticado anteriormente discutido, mas, ao contrário, faz parte dela, diz respeito justamente à
medicalização e à psiquiatrização das crianças e adolescentes abrigados. Em uma das
entrevistas, a psicóloga diz que todas as adolescentes abrigadas estavam sendo medicadas e
acompanhadas por psiquiatras. Todas tinham diagnósticos de transtornos.
Era tanta medicação, tanta medicação que os educadores tinham que dar, que eles
começaram a se perder. Era tanta menina, tanto remédio, que a gente bolou um
quadro, esquemático, “fulana, tal hora, tal remédio”, pra elas conseguirem visualizar
e não perder a hora do remédio dela, de tanto remédio que era (fala de um
entrevistado).
Eu comecei a perceber, nos meus últimos períodos de abrigo, que muitas meninas
estavam sendo encaminhadas para serviço de saúde mental. (...) E, elas começaram a
entrar nesse rótulo de paciente psiquiátrico. Eram muitas, por conta das brigas que
rolavam lá dentro, elas agressivas, era surto, eu lembro dos prontuários de lá...(...)
todas surtavam todos os dias lá, todo dia uma surtava, e era pegar lençol e amarrar."
"Narrativas como essas estiveram muito presentes nas falas dos entrevistados e
chamaram a atenção pela proximidade com o discurso da falta de controle e domínio que os
educadores e técnicos sentem diante de situações cotidianas como as de expressão da
sexualidade (namoro, sexo, gravidez), agressões entre os abrigados, evasões, insubordinações
e desobediências. Se as formas de controle têm se tornado mais sutis, como afirma Deleuze
(1992), no espaço dos abrigos a medicalização tem sido um dispositivo dos mais eficazes
nessa direção.
"A medicalização não é um processo presente somente nos abrigos. Faz parte de um
movimento historicamente construído na relação entre a medicina e a sociedade. Ao longo da
modernidade, o saber médico foi se capilarizando pelas práticas cotidianas, criando
dispositivos de higiene e prevenção cada vez mais presentes em nossas vidas. Hoje a
medicalização pode ser entendida como um desses dispositivos, usado como técnicas de
aprisionamento dos corpos, controlando-os de formas cada vez mais sofisticadas, como é o
caso do uso de fármacos.
É um aprisionamento de qualquer maneira, sai do perfil do abrigado e entra no perfil
do paciente psiquiátrico, não consegue sair disso... (fala de um entrevistado).
Nessa dela brigar muito, começaram as internações, por ela ser muito violenta. Ela
começou a ser levada para o D. Pedro II. Na primeira internação já virou paciente
psiquiátrica, passou a tomar remédio controlado, e tudo que ela fazia era motivo
para ser levada para o Pedro II. Ela começou então com uma história de internação.
Foi a fase que ela ficou mais calma, mas que acabou com ela, porque ela tinha esses
momentos de agressão mas era também muito criativa, muito engraçada. E isso foi
derrubando ela. Eu a vi outro dia na rua, ela estava cronificada (fala de um
entrevistado).
O terceiro ponto de discussão proposto pela análise das entrevistas diz respeito à
produção de corpos tutelados nos abrigos, isto é, à construção ou não de um trabalho que vise
à autonomia dos abrigados, especialmente dos adolescentes. Sabemos que, apesar do ECA
colocar o abrigo como provisório, muitas crianças e adolescentes ficam até os 18 anos.
Quando saem, se deparam com a situação de não terem onde ficar e não estarem preparados
para o trabalho, isso porque, no tempo em que ficaram abrigados, foram excessivamente
tutelados e aprisionados num modelo que os define como não qualificados para gerir suas
próprias vidas. Em muitos dos relatos, roupas, materiais de higiene que contivessem álcool,
brinquedos e até presentes ficavam sob a guarda dos educadores, tirando a liberdade e a
autonomia das crianças e jovens para cuidar de seus objetos e fazer escolhas. Ir sozinho para a
escola, namorar, escolher uma profissão, comer em horários diferentes dos outros, negociar
isso de alguma forma, muitas vezes parece um problema para os coordenadores e educadores
dos abrigos, tornando ainda mais complicada e tensa a convivência.
Elas iam para escola acompanhadas, na Kombi. Nós enchíamos a Kombi e ia a
galera toda, o que era um sofrimento para elas, elas pediam muito para o motorista
parar antes da entrada da escola. Elas odiavam aquela Kombi (fala de um
entrevistado).
Tudo elas faziam acompanhadas, nunca saíam sozinhas. Só as que estavam no
abrigo há muito tempo que às vezes iam ao mercado ou pediam para ir a algum lugar.
Elas adoravam, pediam para ter algo para fazer na rua, mas a regra do abrigo
era sempre sair acompanhada, em eventos, tudo... (fala de um entrevistado)."
"Como vimos na fala de um entrevistado referindo-se as
crianças abrigadas: “tudo elas faziam acompanhadas, nunca saíam sozinhas”. Nesse caso,
apesar de as crianças gostarem e pedirem para sair sozinhas, as regras instituídas no abrigo
impediam as mesmas de experimentar a liberdade e autonomia de andarem sozinhas pelas
ruas e escolherem, também, por onde andar."
Su: Sou obrigada a comentar q é arriscado. As relações de proximidade não se estabelecem como em uma família. Há crianças que se envolvem com o tráfico ou evadem. Como dar conta de todos esses casos?
"Por outro lado, os modos pelos quais os abrigos funcionam tem relação direta tanto
com a dinâmica de forças que atravessavam nossa sociedade no momento da construção do
ECA, impondo determinados contornos à sua elaboração, quanto com a maneira pela qual
suas determinações legais são exercidas diariamente. Colocar em análise o funcionamento dos
abrigos significa, também, problematizar a sociedade na qual os mesmos emergem."
"Parece-nos que o melhor modo de pensar essa questão é entender que existe uma
construção subjetiva instituída, que torna os abrigos como locais de tristeza, de desafeto, de
abandono, de vidas fracassadas. Ao nos perguntarmos sobre essa subjetividade hegemônica,
que implanta a crença em destinos pré-construídos para os abrigados, não podemos deixar de comentar sobre a construção histórica do que é entendido como “cuidado correto de crianças”.
Com a ascensão do modelo burguês de família, esta se tornou o lugar obrigatório, eficaz e
desejado de “proteção à infância”. É somente nela que a boa criação pode ocorrer. É somente
no seio desse “ninho de amor e cuidado” que o sujeito pode se desenvolver adequadamente.
Mas se nos pautamos em uma análise histórica, nada disso nos parece evidente e natural.
Podemos, pois, enunciar que a proteção, a família, o bom desenvolvimento infantil são
construções sociais surgidas no Estado moderno, no século XVIII, com as novas
configurações da família burguesa e a implantação da ordem jurídica, sobretudo no que diz
respeito às determinações legais sobre a guarda de crianças."
Fonte:
online.unisc.br/seer/index.php/barbaroi/article/download/1521/1315
Maria Lívia do Nascimento
Universidade Federal Fluminense – UFF - Brasil
Alessandra Speranza Lacaz
Universidade Federal do Espírito Santo – UFES - Brasil
José Rodrigues de Alvarenga Filho
Universidade Federal Fluminense – UFF - Brasil
"O discurso predominante nas entrevistas nos falava constantemente da permanência de
práticas referentes à lógica de internação nos abrigos. Isto é, apesar de o ECA ter sido
promulgado no ano de 1990, a proposta se encontra distante da realidade dos abrigamentos,
abrindo espaço para pensarmos que o abrigo tem sido um dispositivo tanto protetor quanto
violador dos propalados direitos da criança e do adolescente, já que, apesar de protegê-los de
situações que causam dano, infringe a lei por outros percursos. Alguns pontos importantes
como a separação de grupos de irmãos, o trabalho de reintegração familiar, de convivência
comunitária, entre outros, são difíceis de ser colocados em prática quando outras questões
como a sexualidade, a separação por idade e sexo, a resistência de vizinhos em ter uma casaabrigo
nos arredores de suas moradias e a falta de equipe entram em cena. A lei, portanto, não
deu e não dá conta de mudar a multiplicidade de práticas que se configuram num plano micro
do cotidiano, e, muitas vezes, permanecem ainda arraigadas e atravessadas pelos processos de
trabalho que eram exercidos nos complexos de internação."
"Diferentemente, na sociedade disciplinar o exercício de poder não está localizado nas
mãos de um soberano, mas circula por toda a sociedade. As punições não são mais violências
ou torturas cometidas contra o corpo de um condenado. Como aponta Foucault (2004), na
nova economia punitiva surgida na Europa em meados do século XIX, a punição torna-se,
através da instituição da prisão, uma privação de liberdade. Se alguém comete um crime, não
paga sofrendo um suplício, mas é punido com a pena de ter sua liberdade cerceada através de
seu encarceramento numa prisão."
"No que concerne especificamente ao contexto da América Latina, vivemos o momento
em que um “senso comum punitivo” (BATISTA, 2003) paira sobre nossa sociedade. Por esse
viés, há um clamor público por punição e, ao mesmo tempo, há uma judicialização4 das
relações sociais. É como se a punição se transformasse na nova panaceia que solucionará
todos os problemas da sociedade. Dessa maneira, movimentos de “lei e ordem” ganham, cada
dia, mais força (WACQUANT, 2008).
Nesse sentido, a lógica punitiva que paira sobre nossa sociedade se faz presente,
também, nos abrigos. Os entrevistados expressaram o quanto se sentiam ameaçados pelo
Ministério Público (MP), que age de forma bastante punitiva sobre os técnicos e educadores,
em constante vigilância de suas práticas. Por sua vez esses profissionais, de forma encadeada,
incorporam esta lógica da punição em suas relações com os abrigados e de maneira repressiva
e coercitiva vão, muitas vezes, definindo um cotidiano autoritário e ameaçador no interior dos
abrigos. Um exemplo dessa hierarquia de controle aparece nas falas que narram os episódios
de brigas entre os abrigados. Dizem os entrevistados que pairava uma constante preocupação
com essa questão, já que as brigas podiam produzir marcas, machucados que configuravam
punição imediata do MP à equipe.
Ainda analisando a capilarização da lógica punitiva no interior dos abrigos, é possível
dizer que os educadores se veem sem ferramentas para administrar o cotidiano e, dessa forma,
vão criando maneiras cada vez mais sofisticadas, mais invisíveis de castigar. Por exemplo,
dando preferência a uns e não a outros para certas situações, demorando a fornecer remédios e
material de higiene pessoal (que na maioria das vezes fica sob controle dos educadores), ou
ainda não permitindo visitas da família."
"No entanto, nem todas as entrevistas apontaram situações punitivas dessa ordem.
Foram também apresentados discursos que indicam escapes a um modo único, instituído de
abrigo. Em duas das entrevistas, os profissionais falam da ocorrência de assembleias com
participação das crianças, adolescentes e funcionários nas decisões da casa. Referem o uso de
tal dispositivo como um espaço democrático de conversas e discussões que determinavam o
funcionamento da casa, mostrando a possibilidade de se criar estratégias que escapem à lógica
de controle e punição.
Mas é uma experiência assim muito boa quando você começa a construir um espaço
onde dá direito de voz a todos e não só a um grupo, só às educadoras ou só à equipe
técnica, mas quando você tenta fazer com que esse espaço seja todo tempo avaliado
por todos os atores que estão ali dentro. É o ator que está ali dentro, não são só os
educadores e os meninos, mas é o vizinho, é a escola, são os voluntários, quer dizer,
cada pessoa que está envolvida direta ou indiretamente com aquele espaço, com
aquele abrigo. (...) Consegue ver ou fazer com que a criança passe aquele período no
abrigo da forma mais digna possível: dando direito de voz a ela. E o direito à voz é o
direito de querer ficar e de não querer ficar também, de querer sair do abrigo. Então,
eu sempre falei com as crianças e com os educadores que isso aqui não é uma
prisão, aqui é um espaço de acolhimento, onde o menino tem que estar aqui porque
ele gosta. Porque na hora de ir para escola, ele vai para escola sozinho. Ele tem que
ir para escola e tem que voltar para o abrigo (fala de um entrevistado).
Um segundo ponto de análise, que não se descola da lógica de controle mais
sofisticado anteriormente discutido, mas, ao contrário, faz parte dela, diz respeito justamente à
medicalização e à psiquiatrização das crianças e adolescentes abrigados. Em uma das
entrevistas, a psicóloga diz que todas as adolescentes abrigadas estavam sendo medicadas e
acompanhadas por psiquiatras. Todas tinham diagnósticos de transtornos.
Era tanta medicação, tanta medicação que os educadores tinham que dar, que eles
começaram a se perder. Era tanta menina, tanto remédio, que a gente bolou um
quadro, esquemático, “fulana, tal hora, tal remédio”, pra elas conseguirem visualizar
e não perder a hora do remédio dela, de tanto remédio que era (fala de um
entrevistado).
Eu comecei a perceber, nos meus últimos períodos de abrigo, que muitas meninas
estavam sendo encaminhadas para serviço de saúde mental. (...) E, elas começaram a
entrar nesse rótulo de paciente psiquiátrico. Eram muitas, por conta das brigas que
rolavam lá dentro, elas agressivas, era surto, eu lembro dos prontuários de lá...(...)
todas surtavam todos os dias lá, todo dia uma surtava, e era pegar lençol e amarrar."
"Narrativas como essas estiveram muito presentes nas falas dos entrevistados e
chamaram a atenção pela proximidade com o discurso da falta de controle e domínio que os
educadores e técnicos sentem diante de situações cotidianas como as de expressão da
sexualidade (namoro, sexo, gravidez), agressões entre os abrigados, evasões, insubordinações
e desobediências. Se as formas de controle têm se tornado mais sutis, como afirma Deleuze
(1992), no espaço dos abrigos a medicalização tem sido um dispositivo dos mais eficazes
nessa direção.
"A medicalização não é um processo presente somente nos abrigos. Faz parte de um
movimento historicamente construído na relação entre a medicina e a sociedade. Ao longo da
modernidade, o saber médico foi se capilarizando pelas práticas cotidianas, criando
dispositivos de higiene e prevenção cada vez mais presentes em nossas vidas. Hoje a
medicalização pode ser entendida como um desses dispositivos, usado como técnicas de
aprisionamento dos corpos, controlando-os de formas cada vez mais sofisticadas, como é o
caso do uso de fármacos.
É um aprisionamento de qualquer maneira, sai do perfil do abrigado e entra no perfil
do paciente psiquiátrico, não consegue sair disso... (fala de um entrevistado).
Nessa dela brigar muito, começaram as internações, por ela ser muito violenta. Ela
começou a ser levada para o D. Pedro II. Na primeira internação já virou paciente
psiquiátrica, passou a tomar remédio controlado, e tudo que ela fazia era motivo
para ser levada para o Pedro II. Ela começou então com uma história de internação.
Foi a fase que ela ficou mais calma, mas que acabou com ela, porque ela tinha esses
momentos de agressão mas era também muito criativa, muito engraçada. E isso foi
derrubando ela. Eu a vi outro dia na rua, ela estava cronificada (fala de um
entrevistado).
O terceiro ponto de discussão proposto pela análise das entrevistas diz respeito à
produção de corpos tutelados nos abrigos, isto é, à construção ou não de um trabalho que vise
à autonomia dos abrigados, especialmente dos adolescentes. Sabemos que, apesar do ECA
colocar o abrigo como provisório, muitas crianças e adolescentes ficam até os 18 anos.
Quando saem, se deparam com a situação de não terem onde ficar e não estarem preparados
para o trabalho, isso porque, no tempo em que ficaram abrigados, foram excessivamente
tutelados e aprisionados num modelo que os define como não qualificados para gerir suas
próprias vidas. Em muitos dos relatos, roupas, materiais de higiene que contivessem álcool,
brinquedos e até presentes ficavam sob a guarda dos educadores, tirando a liberdade e a
autonomia das crianças e jovens para cuidar de seus objetos e fazer escolhas. Ir sozinho para a
escola, namorar, escolher uma profissão, comer em horários diferentes dos outros, negociar
isso de alguma forma, muitas vezes parece um problema para os coordenadores e educadores
dos abrigos, tornando ainda mais complicada e tensa a convivência.
Elas iam para escola acompanhadas, na Kombi. Nós enchíamos a Kombi e ia a
galera toda, o que era um sofrimento para elas, elas pediam muito para o motorista
parar antes da entrada da escola. Elas odiavam aquela Kombi (fala de um
entrevistado).
Tudo elas faziam acompanhadas, nunca saíam sozinhas. Só as que estavam no
abrigo há muito tempo que às vezes iam ao mercado ou pediam para ir a algum lugar.
Elas adoravam, pediam para ter algo para fazer na rua, mas a regra do abrigo
era sempre sair acompanhada, em eventos, tudo... (fala de um entrevistado)."
"Como vimos na fala de um entrevistado referindo-se as
crianças abrigadas: “tudo elas faziam acompanhadas, nunca saíam sozinhas”. Nesse caso,
apesar de as crianças gostarem e pedirem para sair sozinhas, as regras instituídas no abrigo
impediam as mesmas de experimentar a liberdade e autonomia de andarem sozinhas pelas
ruas e escolherem, também, por onde andar."
Su: Sou obrigada a comentar q é arriscado. As relações de proximidade não se estabelecem como em uma família. Há crianças que se envolvem com o tráfico ou evadem. Como dar conta de todos esses casos?
"Por outro lado, os modos pelos quais os abrigos funcionam tem relação direta tanto
com a dinâmica de forças que atravessavam nossa sociedade no momento da construção do
ECA, impondo determinados contornos à sua elaboração, quanto com a maneira pela qual
suas determinações legais são exercidas diariamente. Colocar em análise o funcionamento dos
abrigos significa, também, problematizar a sociedade na qual os mesmos emergem."
"Parece-nos que o melhor modo de pensar essa questão é entender que existe uma
construção subjetiva instituída, que torna os abrigos como locais de tristeza, de desafeto, de
abandono, de vidas fracassadas. Ao nos perguntarmos sobre essa subjetividade hegemônica,
que implanta a crença em destinos pré-construídos para os abrigados, não podemos deixar de comentar sobre a construção histórica do que é entendido como “cuidado correto de crianças”.
Com a ascensão do modelo burguês de família, esta se tornou o lugar obrigatório, eficaz e
desejado de “proteção à infância”. É somente nela que a boa criação pode ocorrer. É somente
no seio desse “ninho de amor e cuidado” que o sujeito pode se desenvolver adequadamente.
Mas se nos pautamos em uma análise histórica, nada disso nos parece evidente e natural.
Podemos, pois, enunciar que a proteção, a família, o bom desenvolvimento infantil são
construções sociais surgidas no Estado moderno, no século XVIII, com as novas
configurações da família burguesa e a implantação da ordem jurídica, sobretudo no que diz
respeito às determinações legais sobre a guarda de crianças."
Fonte:
online.unisc.br/seer/index.php/barbaroi/article/download/1521/1315
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sexta-feira, 4 de abril de 2014
Que mais forte do q a provocação seja o amor.
A provocação exige um vencedor. Em uma equipe, quando um só vence, todos perdem. A rede perde um ponto! Cai o peixe... desenganos, boatos, atritos, pré-julgamentos e estamos todos torcendo pelo perdido!
A rede não tem q existir pra vc acreditar nela. Vc tem q crer nela pra ela existir! É fazê-la sempre q puder... até q se torne coletiva e ecoe!
Amor... Aonde quer q tu esteja (porque eu t esqueço! E até não te acho!), espero q esteja ouvindo isso! Pq tu nunca é fácil? Pq tu nunca é fácil!!!
Daqui vejo como tudo endurece (em mim tb). E que durezas que precisam ser (em mim tb). Mas que saibamos diferenciar dureza e flexibilidade porque não é possível que uma atitude padrão contemple sempre!
Olha q curioso: o próprio movimento da dureza à flexibilidade faz preponderar a flexibilidade!! Mas o fluxo é o q importa. Ser o mesmo é fácil!
Difícil é:
- curvar-se: com a brisa
- resistir: ao furacão...
Mesmo a lágrima q não cair será uma dose dessa tempestade!
Que o conceito de amor não seja algo restrito ao romântico, privilégio de casais. Ou que não seja a obviedade do afago. Não é toda cabeça que recebe mão ou a sua mão que tem q estar a disposição, ao invés da cabeça!!
Tem afago pior q TAPA!
Não existe afago em si! Tem q fazer sentido!
Tratar com AFETO não é acariciar necessariamente! Mas eu entendo o engano quando me respondem segundo o entendimento do afeto como carícia. Explicar-se é quase impossível... tão romântico q éramos, tão duro que ficamos! Ou teimosos q somos!
Amar é tb é se distanciar, falar o q é preciso, às vezes silenciar, outras criticar, amar d longe pode ser aprender com o outro e não fazer tudo q vc quiser sozinho.
O amor não é padrão, nem pode ser.
O que não vale é olhar para o outro, tão novo, como se ele já estivesse arruinado (mote e fato de todas essas letras d hj!).
Ou eu penso em tudo isso, ou eu morro disso tudo q não pensei.
Fácil falar, difícil lembrar, praticar... Criar um corpo para tanto!
O q ainda me arrepia é esperança.
A provocação exige um vencedor. Em uma equipe, quando um só vence, todos perdem. A rede perde um ponto! Cai o peixe... desenganos, boatos, atritos, pré-julgamentos e estamos todos torcendo pelo perdido!
A rede não tem q existir pra vc acreditar nela. Vc tem q crer nela pra ela existir! É fazê-la sempre q puder... até q se torne coletiva e ecoe!
Amor... Aonde quer q tu esteja (porque eu t esqueço! E até não te acho!), espero q esteja ouvindo isso! Pq tu nunca é fácil? Pq tu nunca é fácil!!!
Daqui vejo como tudo endurece (em mim tb). E que durezas que precisam ser (em mim tb). Mas que saibamos diferenciar dureza e flexibilidade porque não é possível que uma atitude padrão contemple sempre!
Olha q curioso: o próprio movimento da dureza à flexibilidade faz preponderar a flexibilidade!! Mas o fluxo é o q importa. Ser o mesmo é fácil!
Difícil é:
- curvar-se: com a brisa
- resistir: ao furacão...
Mesmo a lágrima q não cair será uma dose dessa tempestade!
Que o conceito de amor não seja algo restrito ao romântico, privilégio de casais. Ou que não seja a obviedade do afago. Não é toda cabeça que recebe mão ou a sua mão que tem q estar a disposição, ao invés da cabeça!!
Tem afago pior q TAPA!
Não existe afago em si! Tem q fazer sentido!
Tratar com AFETO não é acariciar necessariamente! Mas eu entendo o engano quando me respondem segundo o entendimento do afeto como carícia. Explicar-se é quase impossível... tão romântico q éramos, tão duro que ficamos! Ou teimosos q somos!
Amar é tb é se distanciar, falar o q é preciso, às vezes silenciar, outras criticar, amar d longe pode ser aprender com o outro e não fazer tudo q vc quiser sozinho.
O amor não é padrão, nem pode ser.
O que não vale é olhar para o outro, tão novo, como se ele já estivesse arruinado (mote e fato de todas essas letras d hj!).
Ou eu penso em tudo isso, ou eu morro disso tudo q não pensei.
Fácil falar, difícil lembrar, praticar... Criar um corpo para tanto!
O q ainda me arrepia é esperança.
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sexta-feira, 21 de março de 2014
Tudo mudou?

Fonte: Rede de Comunidades e Movimentos contra a violência
https://www.facebook.com/redecontraviolenciarj/photos/a.451493084893296.104818.443075235735081/689622567747012/?type=1&theater
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7 Anuário Brasileiro de Segurança Pública

Polícia brasileira mata cinco por dia e é uma das mais letais do mundo.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que somente no ano passado quase 2 mil pessoas foram mortas em confrontos com policiais.
A polícia brasileira é uma das mais violentas do mundo, revela o 7º anuário Brasileiro de Segurança Pública (...). De acordo com o estudo, pelo menos cinco pessoas são vítimas da intervenção policial no Brasil todos os dias, manchando a imagem das corporações.
Em 2012, 1.890 pessoas foram mortas em confronto com policiais em serviço, seguido pelo México, com 1.652 assassinatos. África do Sul (706), Venezuela (704) Estados Unidos (410) e República Dominicana (268) aparecem em seguida na comparação entre países do continente americano.
“Esse índice é superior ao do México, que vive uma crise na fronteira com os Estados Unidos”, compara o sociólogo Renato Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Também por essa razão, a popularidade da polícia nunca esteve tão baixa. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) informa que 70% da população não confia nas polícias, mais popular apenas do que os partidos políticos, rejeitados por 95% dos brasileiros. Nos Estados Unidos, 88% da população confia em seus policiais, enquanto na Inglaterra esse índice é de 82%.
Fonte: http:// ultimosegundo.ig.com.br/ brasil/crimes/2013-11-05/ policia-brasileira-mata-cin co-por-dia-e-e-uma-das-mai s-letais-do-mundo.html
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que somente no ano passado quase 2 mil pessoas foram mortas em confrontos com policiais.
A polícia brasileira é uma das mais violentas do mundo, revela o 7º anuário Brasileiro de Segurança Pública (...). De acordo com o estudo, pelo menos cinco pessoas são vítimas da intervenção policial no Brasil todos os dias, manchando a imagem das corporações.
Em 2012, 1.890 pessoas foram mortas em confronto com policiais em serviço, seguido pelo México, com 1.652 assassinatos. África do Sul (706), Venezuela (704) Estados Unidos (410) e República Dominicana (268) aparecem em seguida na comparação entre países do continente americano.
“Esse índice é superior ao do México, que vive uma crise na fronteira com os Estados Unidos”, compara o sociólogo Renato Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Também por essa razão, a popularidade da polícia nunca esteve tão baixa. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) informa que 70% da população não confia nas polícias, mais popular apenas do que os partidos políticos, rejeitados por 95% dos brasileiros. Nos Estados Unidos, 88% da população confia em seus policiais, enquanto na Inglaterra esse índice é de 82%.
Fonte: http://
quarta-feira, 19 de março de 2014
Há um aperto q rola...
É por essa razão q me emociono!
(Por mais contraditória q pareça a frase!)

Fonte: Paulo Sabino
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3956821694842&set=a.1204774135373.25634.1709245074&type=1&theater
(Por mais contraditória q pareça a frase!)

Fonte: Paulo Sabino
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3956821694842&set=a.1204774135373.25634.1709245074&type=1&theater
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Insônia Coletiva
Maria, Maria, minha poesia da vida real!
"... É imprescindível promover a insônia coletiva...."
(de Luiz Eduardo Soares)
__________________________________
"A cidade não pode dormir sobre tantos corpos e tanta dor. E despertar amanhã para outro dia, mais uma vez, indiferente ao genocídio. É imprescindível promover a insônia coletiva. Para mudar. É preciso desnaturalizar a iniquidade e o cinismo."
(de Luiz Eduardo Soares)
"... É imprescindível promover a insônia coletiva...."
(de Luiz Eduardo Soares)
__________________________________
"A cidade não pode dormir sobre tantos corpos e tanta dor. E despertar amanhã para outro dia, mais uma vez, indiferente ao genocídio. É imprescindível promover a insônia coletiva. Para mudar. É preciso desnaturalizar a iniquidade e o cinismo."
(de Luiz Eduardo Soares)
Fonte: Maria Clara
https://www.facebook.com/maria.c.fernandes1/posts/10201856406876032
Frio na barriga de Antonio
"e esse frio na barriga talvez seja só a coragem esfriando seus medos."

Fonte: Eu me Chamo Antonio
https://www.facebook.com/eumechamoantonio/photos/a.430921366972121.102124.418909221506669/613247022072887/?type=1&theater

Fonte: Eu me Chamo Antonio
https://www.facebook.com/eumechamoantonio/photos/a.430921366972121.102124.418909221506669/613247022072887/?type=1&theater
Ordem e progresso?
Violência entre eles mesmos...

Fonte: Daniel Braga
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2692939475925&set=a.2527713665383.2112314.1029669342&type=1&theater

Fonte: Daniel Braga
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2692939475925&set=a.2527713665383.2112314.1029669342&type=1&theater
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segunda-feira, 17 de março de 2014
Crítica social
"A arte moderna não interessa às pessoas comuns"
Polêmico, hein?
A lógica é sempre essa:
Política e economia
Desigualdade social
Desigualdade
Academicismo
Violência
Paz e violência
Pretensa neutralidade
_____________________________________
40 imagens que criticam as contradições humanas e vão mexer com você
Conheça Pawel Kuczynski, artista gráfico polonês que através de sua arte faz reflexões e críticas, utilizando-se do humor, para tratar da realidade e problemas universais.
SER MELHOR, 40 ilustrações críticas de Pawel Kuczynski, Acessado em 27 Fevereiro de 2014
A Arte tem como uma de suas principais funções, que às vezes parece ter se perdido pelo caminho, denunciar, criticar, fazer pensar.
![]() |
| O Artista Gráfico Pawel Kuczynski |
Pawel Kuczynski é um cartunista/ilustrador polonês nascido em 1976. Graduado pela Academia de Belas Artes de Poznam e especializado em Artes Gráficas trabalha com Ilustrações satíricas desde 2004 e já foi agraciado com mais de 100 diferentes prêmios.
Em 2005 recebeu o prêmio "Eryk" da Associação Polonesa de cartunistas como artista revelação por haver ganho inúmeros prêmios pelo mundo.
Tantos prêmios justificam-se já que a temática de seu trabalho é universal, abordando a desigualdade, a fome, ativismo ecológico e a falta de liberdade, por exemplo, temas estes que fazem parte do cotidiano de qualquer país, especialmente do Brasil.
Aliás falando em Brasil, a primeira vez que vimos suas obras imaginamos ser um artista brasileiro e não polonês, pois sua temática encaixa-se tão bem à nossa realidade que só um filho da terra, em nossa imaginação, teria condições de traduzir as mazelas nacionais desta forma. Ledo engano imaginar que os problemas do Brasil são únicos e exclusivos nossos e foi o que Pawel Kuczynski mostrou-nos.
Talvez possamos não concordar com alguns dos questionamentos de Pawel Kuczynski, mas se eles nos fizerem minimamente refletir já será um grande avanço, pois o cotidiano geralmente faz-nos agir e pensar mecanicamente.
Para entender um pouco mais o que se passa na cabeça deste fantástico artista é interessante conhecer algumas de suas frases:
"Me considero um observador de tudo que se passa ao meu redor"
"Acredito que os artistas podem mudar tudo"
"Eu tento converter em desenhos minhas observações sobre a condição humana"
"A arte moderna não interessa às pessoas comuns"
Procuramos organizar algumas das criações de Pawel Kuczynski de forma temática para facilitar a visualização de tantas obras, porém sabemos que tal organização está longe de abranger todas as temáticas contidas em seu trabalho.
Fonte: Folha Social
http://www.folhasocial.com/2014/02/40-imagens-que-criticam-as-contradicoes.html
domingo, 16 de março de 2014
Curvar-se
Curvem-se
ou curvem-no.

Fonte: TV Revolta
ou curvem-no.

Fonte: TV Revolta
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Lixo e educação
"Por que para as autoridades o lixo tem mais visibilidade do que a educação?
Por que o lixo os afeta, mas a ignorância os sustenta."

Fonte: Operação Fora Eduardo Paes - Eu apóio
https://www.facebook.com/foraeduardopaes/photos/a.688201527870632.1073741825.352349338122521/757784350912349/?type=1&theater
Por que o lixo os afeta, mas a ignorância os sustenta."

Fonte: Operação Fora Eduardo Paes - Eu apóio
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A paz
A gente não muda a realidade vendo o q não existe mas entrando em sintonia com o q podemos fazer existir....
"O coração que está em paz vê uma festa em todas as aldeias." Provérbio Hindu

Fonte: Kleberson Capone
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=717556748265889&set=p.717556748265889&type=1&theater
"O coração que está em paz vê uma festa em todas as aldeias." Provérbio Hindu

Fonte: Kleberson Capone
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Água sem lixo, de graça - San Francisco
Toma na lata, Nestlé!!!!
Quando vc perguntar qual a solução para um empresário, ela sempre será cara!
Quando vc perguntar qual a prioridade para as pessoas, ela se aproximará mais do necessário!!!

"San Francisco se tornou agora em março a primeira cidade a proibir a venda de água engarrafada em propriedade pública. A cidade tem como objetivo produzir "lixo zero" até 2020. A ideia é que as pessoas levem a sua própria garrafa e encha com água em locais como este da foto de graça! Engula essa Nestlê!!! http://pindorama.ning.com/ profiles/blogs/ nao-mais-agua-engafrrafada "
Fonte: Instituto Pindorama
https://www.facebook.com/InstitutoPindorama/photos/a.427976016687.231142.176662111687/10151910587366688/?type=1&theater
Quando vc perguntar qual a solução para um empresário, ela sempre será cara!
Quando vc perguntar qual a prioridade para as pessoas, ela se aproximará mais do necessário!!!

"San Francisco se tornou agora em março a primeira cidade a proibir a venda de água engarrafada em propriedade pública. A cidade tem como objetivo produzir "lixo zero" até 2020. A ideia é que as pessoas levem a sua própria garrafa e encha com água em locais como este da foto de graça! Engula essa Nestlê!!! http://pindorama.ning.com/
Fonte: Instituto Pindorama
https://www.facebook.com/InstitutoPindorama/photos/a.427976016687.231142.176662111687/10151910587366688/?type=1&theater
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