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terça-feira, 2 de agosto de 2016

ELOISA SAMY: ADVOGADA DA PREFEITURA NO METRÔ-MANGUEIRA

Nota Favela Metrô Mangueira


A Frente Independente Popular do Rio de Janeiro (FIP-RJ) defende de modo incondicional a resistência da Favela do Metrô-Mangueira, pelo direito à moradia que mais uma vez está sendo violado. Direito esse que não é contemplado, de modo algum…, pelo “acordo” imposto pela Prefeitura no fim da semana passada. Essa é uma mobilização política que se prolonga desde 2010, quando a Prefeitura iniciou a pressão para remover essa comunidade – e tem como pano de fundo a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Aproveitamos a oportunidade para esclarecer o que se passa na comunidade, principalmente quanto ao “acordo” apresentado pela imprensa como tendo sido aceito pelos moradores. E, desde já, convocamos todos/as ativistas a se somarem ao ato de solidariedade aos moradores do Metrô-Mangueira que ocorrerá na próxima quarta-feira (15/01), saindo na UERJ às 18h.
ELOISA SAMY: ADVOGADA DA PREFEITURA NO METRÔ-MANGUEIRA
Condenamos energicamente a postura da advogada Eloísa Samy (do Instituto dos Defensores de Direitos Humanos – IDDH), que se apresenta como “advogada representante dos moradores”, mas atuou na verdade, todo o tempo, como advogada da Polícia Militar e da Prefeitura do Rio de Janeiro. Desde a última terça-feira, quando a manifestação dos moradores ganhou contornos de verdadeira rebelião popular, a preocupação de Samy não foi, em momento algum, a defesa do direito de manifestação e resistência, e sim, a tentativa de controlar o protesto dos moradores, concordando inclusive com a presença policial no interior da comunidade.
A advogada supracitada atuou também de forma coercitiva implantando medo nas famílias ao dizer a elas “terão que sair”; minando a luta e a resistência da Favela do Metrô-Mangueira. Eloísa Samy, em momento algum, por exemplo, negociou a saída da polícia militar e do batalhão de choque, que permanecem de plantão na entrada da favela. Policiais fortemente armados “desfilam” com fuzis de guerra para intimidar os moradores. No entanto, procurou a todo o momento negociar com os moradores a saída, dada como certa.
A polícia agrediu diversos moradores: homens, mulheres, crianças, inclusive crianças menores de 10 anos de idade e também uma mulher grávida. Policiais usaram armas de fogo para retirar as famílias que resistiam. São incontáveis os abusos aos direitos humanos. Entretanto, a “defensora dos direitos humanos” estava muito mais preocupada em pôr fim, a qualquer custo, à resistência das famílias, do que denunciar as arbitrariedades da polícia de Sérgio Cabral. Polícia essa com cujos oficiais parece ter um ótimo relacionamento. Isso ficou ainda mais explícito no episódio do “acordo” proposto pela Prefeitura.
O “ACORDO”
O acordo em questão sequer contou com a presença de todos os moradores que vivem na favela, sendo assim, sem a consonância dos próprios moradores. Não houve assembleia e nem reunião para que todos os moradores pudessem participar e decidir uma proposta. Trata-se de um acordo que beneficia, de modo unilateral, a Prefeitura, pois implica a retirada em 15 dias de todas as famílias e a derrubada das casas.
A proposta da Prefeitura é o pagamento de Aluguel Social para dezoito famílias, e posteriormente colocá-las no programa Minha Casa, Minha Vida. O Aluguel Social de valor de R$ 400.00 não é suficiente para sustentar qualquer família no Rio de Janeiro, muito menos alugar um imóvel que dê o mínimo de qualidade de vida. Acrescente-se a isso a prática, bastante conhecida, dos governantes pagarem um ou dois meses de aluguel e, depois, com a desarticulação da luta, não pagarem mais. O cadastramento (ou recadastramento) foi feito às pressas sem sequer uma contagem de todas as famílias da favela. Apenas dezoito famílias foram “contempladas” pela Prefeitura, sendo unânime entre os moradores a opinião de que isso não representa nem mesmo a metade dos que moram na comunidade.
A postura de legitimação deste acordo espúrio é inadmissível e deve ser repudiada. Na última quinta-feira 09/01 Marcelo Chalréo (presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ), Eloísa Samy (advogada do IDDH) e dois representantes do núcleo de terras da Defensoria Pública acompanharam representantes da Prefeitura à comunidade para dizer que as famílias deveriam sair. Sequer se preocuparam em ouvi-las, antes de formar opinião. Não abriram a boca para falar nada sobre a presença ostensiva da polícia para aterrorizar os moradores, mas falaram grosso para coagi-los a aceitar a remoção. Eduardo Paes e Sérgio Cabral não poderiam contar com assessoria jurídica melhor.
A revolta das famílias, e o fato de que esse acordo não é representativo da sua vontade, expressou-se na chuva de ovos que lançaram contra aqueles que defendiam a proposta da Prefeitura, e na realização, horas depois, de nova manifestação na Radial Oeste.
Para nós da FIP-RJ o direito à moradia não se negocia. Estamos falando de vidas, de famílias inteiras que precisam de um teto para viver. Defendemos a justa rebelião do povo pobre, e com ele lutaremos até o fim.
O MOTIVO
A prefeitura pretende construir no espaço um Polo Automotivo, além de instalações como um parque infantil e uma academia da terceira idade. O gasto previsto é de mais de trinta milhões de reais. Isso, sem contarmos as vidas que estão envolvidas e que estão sendo removidas à força de suas casas. Como mensurar este valor?
As famílias vivem há anos e nunca foram contempladas com sequer mil reais de investimento da prefeitura. Nada de saneamento básico ou qualquer direito básico foi respeitado. Ali, na Favela do Metrô-Mangueira, as famílias estão em condições insalubres, de total miséria. E por mais absurdo que pareça, precisam lutar para viver na miséria.

Fonte: Frente Independente Popular
https://frenteindependentepopular.wordpress.com/2014/01/17/nota-favela-metro-mangueira/

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A Jovem e velha Estefany




“Meu nome é Estefany, eu tenho 16 anos. Vim morar na rua aos 10, quando meus pais foram assassinados. Assim que cheguei aqui, eu tinha medo de dormir, mas hoje não tenho mais. Na rua a gente não tem amigo, e sim colegas achegados, rola muita falsidade. Só dá pra confiar em si mesmo.

Uma vez eu me apaixonei. Foi uma coisa muito louca, sabe? A gente se conheceu aqui na Lapa. Ele me tratava como nenhuma outra pessoa já me tratou. O que eu mais gostava nele era o jeito com que ele me olhava. Era diferente. Quando a gente gosta, fica abobalhada. Ele morreu faz um ano. De tiro.

Eu já vi várias coisas acontecerem na rua. Várias coisas mesmo, tipo assim, sinistras. Às vezes, a pessoa tá dormindo do meu lado e, quando eu acordo, ela tá morta. Até tenho medo disso acontecer comigo, mas...”

Estefany não troca o Rio por nada nesse mundo; seus lugares preferidos são Lapa e Copacabana – por ter muita gente diferente, de países diferentes. A pessoa mais maneira que ela conheceu foi uma turista chilena, que a ajudou e deu muitas pulseiras.

Estefany disse que se sente feliz.


Fonte: Rio Invisível
https://www.facebook.com/rio.invisivel/photos/a.653953454722129.1073741828.645134745604000/661911627259645/?type=1&theater

domingo, 7 de setembro de 2014

O Rio de Janeiro começou no morro!

A cidade do Rio começou no morro.

Vídeo: "Um rolé pela História das Favelas em 8 músicas Parte II Análise da música 1 Batuque na cozinha"


A cidade do Rio no século XVI eram 4 pontinhos de gente, cada um em um morro: Morro da Conceição (onde tinha primeiro uma fortaleza militar e depois uma prisão eclesiástica), Morro de São Bento (tinha mosteiro, por isso sobreviveu) e mais dois morros eliminados da paisagem. Não tinha militar, não tinha religioso, só tinha pobre. Foram tirados da paisagem do Rio por isso. Um deles é O Morro do Castelo, onde o Rio foi fundado. Esse foi arrasado pra virar aterro (já era habitado pelos pobres, mal visto, então, já se enquadrava no que hoje chamam favela). Já em 1871 as pessoas tinham medo de subir lá. Porque antes da favela existia o cortiço.

Favela é o nome de uma árvore. (...) Que é perfeita pra simbolizar a favela (...).
A favela ganhou esse nome com origem em um dos maiores massacres da história do Brasil. (...) Foram 4 expedições até que 5 mil soldados ficaram diante de 4 combatentes que foram devidamente eliminados.

O nome "favela" surgiu daí! Era o morro onde os soldados acampavam diante do Arraial de Canudos. Foi de lá que eles desfecharam a ofensiva fatal com as armas mais potentes da época que eram os canhões *. Esses soldados voltaram para a capital, que era o Rio de Janeiro e, pra variar, o governo deu o cano neles. Disse que não podia pagar no momento. E eles disseram "mas como? A gente não tem nem onde ficar. Vcs vão pagar um hotel?". Responderam: "Então! Não. Sobe esse morro aí. Esse tal de Morro da Providência e bota as barracas de vocês aí em cima e fica esperando até a gente pagar". Os soldados foram lá pra cima e montaram as barracas. De barraca virou barraco. O nome Providência não é porque foi providência divina, mas dos humanos. E outras favelas surgiram assim. O Morro de Mangueira também. (...)

Engraçado, né? Depois o Estado fala "quero retirar as favelas", mas foi o Estado que colocou lá!

Ficou tão famoso e temido que os outros morros adotaram a grife "favela". Antes era só "morro". É de onde vem o samba, por exemplo.

As favelas herdaram o medo que já havia do cortiço. Pode pegar a obra de Aluízio Azevedo, "O Cortiço", que fala do ódio entre a polícia e os moradores do cortiço. Polícia entra metendo o pé no portão. Só a polícia ia lá. Light não ia, nem gás, nem urbanização. As pessoas botavam os nomes que quisessem nas ruas. Até a década de 80 não constava nos mapas da cidade. E foi a solução para habitação. Apenas morava lá os trabalhadores, que faziam a cidade se movimentar. Eles davam um jeito de sobreviver, mal pagos que eram.
Favela era o lugar de gente suja, violenta, promíscuo, festa o tempo todo, cachaça. (...) Um conde dizia que em 90 anos íamos acabar. (...)

Falar de favela é falar de questão racial desde o início. Pode falar morador de comunidade, favela, comunidade carente. Na prática, falar em favela é pensar em preto e pobre.

(...) Logo a primeira loura que meu primo encontrou não podia ser "favelada". Aliás, esse é um termo que eu odeio. Porque é adjetivação. Porque ele é favelado, então é asfaltado? Já ouviram falar isso? A gente falar negão e não brancão. Estereótipo que diz que o negro é marcado pelo excesso de força, que é um animal, que ele não tem a plena racionalidade e nem mesmo religião. Porque a religião dele é fetichista e irracional. Marcada só pela ideia de mágica. Ele não pode entender a ideia de Deus.

Primeira Música: Batuque na Cozinha (de João da Baiana)
(...)
A Primeira República tinha ódio do candomblé, da capoeira, do samba. Pandeiro rasgado pela polícia. João não era bobo. Faz música tinhosa que parece um jongo em que vc fala uma coisa querendo dizer outra. Antes do sambista ser malandro, o jongueiro já era malandro no tempo da escravidão.
Batuque é um termo do século XVIII. Uma cerimonia d candomblé com samba. Gregório de Mattos , furioso, fala q os brancos já iam no batuque no século XVIII.  O mesmo que mandava proibir o batuque.

(...) A palavra samba não aparece.
Cozinha era lugar de encontro numa casa de cômodos, casas antigas. Onde antes em cada quarto morava uma família ou homem solteiro. A música é ele conversando com o comissário.
Casa de cômodo era o lugar do medo que o branco tinha do negro. Porque os brancos dormiram mais de anos pensando que se os negros se rebelassem, eles estavam fodidos!

(...) A cozinha é sinônimo de negro. mais quente, desagradável mas também da brincadeira, fofoca, recreação. Tem muita gente. E apelação (confusão, pancadaria, discussão).
(...) É casa de cômodo e tem sinhá? Gingando por um lado com república e pro outro, escravidão. República está tratando a gente como o senhor de escravo tratava antes.
Sinha é república. República não quer batuque.

Não entendo de justiça.
Tem que ver pra saber o que é justiça e não vê.

Teria que começar com a constituição pra depois ir para outras coisas. A gente não começa com constituição e sim com código penal. Porque primeiro tem que prender os animais. Lei da vadiagem: porque o negro só trabalharia se fosse obrigado. Antes era chibata. Pós abolição, na república, se obrigava o homem livre a ficar 18 anos na marinha e era chicoteado como se fosse escravo. Daí a Revolta da Chibata!

O branco quer tudo. Vai na cozinha, quer a cebola, a mulata, a branquinha. O bicho vai pegar, que é esse preto, que vai pegar. Onde é que vai pegar?






domingo, 16 de março de 2014

Lixo e educação

"Por que para as autoridades o lixo tem mais visibilidade do que a educação?
Por que o lixo os afeta, mas a ignorância os sustenta."



Fonte: Operação Fora Eduardo Paes - Eu apóio
https://www.facebook.com/foraeduardopaes/photos/a.688201527870632.1073741825.352349338122521/757784350912349/?type=1&theater

terça-feira, 4 de março de 2014

Locanty

Resumo:

Era Locanty. Agora é a PolyRio.
Foi uma empresa desmascarada pelo fantástico ao pôr um repórter pra trabalhar numa repartição pública. Ela aceitava ser contratada superfaturadamente sem licitação, q é exatamente o q dizem q aconteceu em Seropédica em vários setores.
A Locanty foi proibida d eprestar serviço pro Rio e pra UFRJ. Não cumpria contrato com a UFF!!
Não dava os direitos trabalhistas dos funcionários e ficou devendo na praça!
Aí começou a mudar a empresa d nome: Infornova, SV Brasil.
Sendo q os mesmos donas dessa eram o q comandavam uma empresa super multiuso que tinha o sistema de coleta como secundário!!
Eles comendavam um ramo de tecnologia e matrerial d escritório, recebendo uma babapra dirigir a TV Senado pra Camara do Rio.

E muitas dessas noticias vc só fica sabendo pq a Locanty atuava em quatro municípios! Vai tentar achar alguma informação relacionando Locanty com Seropédica! VOCÊ SÓ ACHA UMA na net!
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A greve de outros garis! 

Pode ajudar muita gente de cidade pequena a se organizar contra os demais serviços públicos CORRUPTOS ou INJUSTOS mesmo quando terceirizados!!!!
A cidade onde fica a Universidade Rural do RJ (UFRRJ), Seropédica, tinha a coleta de lixo feita pela Locanty, mesma da UFF... 

LOCANTY:
A Locanty era a responsável por mais quatro municípios, de acordo com informação de março de 2012. Na coleta que fazia na UFF também ficou sem pagar funcionários, segundo o jornal O Fluminense. Não cumpria contratos, não respeitava direitos (sem carteira assinada, INSS, como eles mesmo comentam na matéria do Extra com link ao final da postagem)!

O Fantástico infiltrou um repórter numa repartição pública do Rio e denunciou fraude em licitações incluindo esta empresa (março de 2012). Vemos que "a empresa conseguiria a verba de R$ 450 mil. O que daria de propina quase R$ 70 mil." Já haviam boatos de contrato sem licitação em Seropédica também, com o prefeito Martinazzo!! 

A empresa muda de nome várias vezes: primeiro "Infornova" (Diário do Vale (UOL)), depois "SV Brasil"(segundo comentários no Jornal O Fluminense).

Os donos da Locanty são figurões!!! Tem também a empresa SCMM (Serviços de Limpeza e Conservação) que vai do ramo de limpeza (que é secundário) até o da tecnologia (fonte: duquedecaxias.net.br) e já ganhou muita verba da Câmara do Rio!!

Praticamente não é possível encontrar material sobre Locanty que fale de Seropédica!

Sabe-se que outro problema com a prefeitura seria o não repasse de verba. Prefeitura esta que fez desaparecer seu site da internet impossibilitando o acompanhamento de sua politicagem! 

Tudo isso nos faz ver tb a importância que tem a MÍDIA para guardar a história de uma cidade da periferia! Se quanto ao Rio sobram informação contraditórias, em SeroTexas só falta!

É possível achar um vídeo de uma greve realizada pelos funcionários publicado no YouTube em março do mesmo ano.
http://www.youtube.com/watch?v=X_TbsW1Z-3s

Denunciando a Locanty tb, ainda achei esse site de um sindicato q eu nem sabia da existência "Sindicato dos vigilantes e empregados em empresa de segurança, de vigilância, de transporte de valores, de prevenção e combate de incêndios, de cursos de formação, similares ou conexos do município do Rio de Janeiro/RJ":

http://www.sindvig.org.br/index2.php?idMenu=01&flag=01&id=310 (fonte "6")

Convocam os trabalhadores do município do Rio a ajuizarem reclamação trabalhista através de seu departamento jurídico.


Agora a empresa de coleta é a PolyRio! 

É fato que as/os garis trabalham na chuva! Já troquei essa ideia com essas pessoas e elas são vigiados pra garantir o trabalho!

Vamos continuar averiguando!



Fontes: 

1 - UOL - Diário do Vale
http://enquantoeucrescer.blogspot.com.br/2014/03/locanty-infornova-mas-ja-mudou-de-novo.html

2 - Extra
http://enquantoeucrescer.blogspot.com.br/2014/03/locanty-trabalhadores-envergonham-se.html

3 - duquedecaxias.NET.br
http://enquantoeucrescer.blogspot.com.br/2014/03/locanty-donos-ainda-possuem-scmm.html

4 - O Fluminense
http://enquantoeucrescer.blogspot.com.br/2014/03/locanty-o-fluminense.html

5 - Fantástico
http://enquantoeucrescer.blogspot.com.br/2014/03/locanty-no-fantastico-tcham.html


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Outras fontes!

Nos comentários desse site "Política de Itaguaí" há várias denúncias. Inclusive a de que foi contrato sem licitação por Martinazzo:
http://www.politicadeitaguai.com.br/2010/08/martinazzo-assume-em-seropedica.html

Locanty - Denúncias

Em 23 de agosto de 2010 Martinazzo assume!

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"O ex vereador e vice-prefeito de Itaguaí, acaba de assumir o cargo de Prefeito de Seropédica. Martinazzo foi candidato a prefeito de Seropédica pelo PSB em 2008, tendo ficado em 2° lugar em votos. Darci dos Anjos foi cassado pelo TRE, recorreu e teve recurso negado.

O Blog Política de Itaguaí torce e acredita que Alcyr Martinazzo fará um bom governo na cidade de Seropédica e levará melhoria para aquele povo. Agora sim Seropédica!!!!"



E nos comentários! rs



"SEM LICITAÇÃO, MARTINAZZIO CONTRATA LOCANTY EM SEROPÉDICA Alcyr Martinazzio, Prefeito recém-empossado em Seropédica-RJ, comete o mesmo erro de outros, contrata a empresa de coleta de lixo urbano LOCANTY sem licitação pública. Envolvida em diversos escândalos de fraude em licitações públicas como: 
- a vencedora da licitação relâmpago em Volta Redonda em abril de 2010, 
- contratação da empresa do pai e da mulher do vice-presidente do INEA a NATURAL GARDEN LTDA para liberação de licenças ambientais em Angra dos Reis, 
- a contratação em caráter emergencial (sem licitação) pela prefeita de São Gonçalo Maria Aparecida Panisset em 2005, com a qual resultou um pedido de explicações do Tribunal de Contas do Estado do Rio pelo montante de mais de 4,5 milhão por seus serviços, 
- favorecimento na campanha do ex-prefeito Zito em Duque de Caxias e a posterior contratação da LOCANTY pela prefeitura (sem licitação), entre outras, 
a empresa LOCANTY é a mais nova “parceira” da Prefeitura em Seropédica. A negociata foi feita na casa do prefeito Charlinho de Itaguaí, amigo e vizinho do empresário João Barros, dono da LOCANTY, no condomínio GOLDEN GREEN BARRA na Barra da Tijuca. 
Procurada para esclarecer os contratos, a Procuradoria Geral do Município de Seropédica na figura de seu Sub-procurador Dr. Jayme não soube explicar a existência ou não do contrato, contudo, os serviços da LOCANTY no recolhimento do lixo urbano já foram iniciados."

Fonte: Política de Itaguaí
http://www.politicadeitaguai.com.br/2010/08/martinazzo-assume-em-seropedica.html


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E muito mais! rs




Locanty: Infornova (mas já mudou de novo!)

Notícia que atesta um outro nome que a Locanty passou a ter:

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Lixo de Angra está sendo levado para Seropédica
Publicado em 20/01/2013, às 18h39




Última atualização em 20/01/2013, às 18h39
Angra dos Reis

O município de Angra dos Reis está passando por sérios problemas na coleta e destinação do lixo da cidade. O transtorno começou no final do ano passado, quando a prefeitura de Angra dos Reis precisou realizar um contrato emergencial pelo período de três meses para contratar uma nova empresa de coleta de lixo, já que a Infornova (antiga Locanty) desistiu de atender o município. A empresa alegou que não tinha condições de manter o contrato, que iria até junho de 2013. A partir disso, a empresa Limpatech assumiu o serviço em toda a cidade, porém não conseguiu normalizar a coleta. 

Além disso, atualmente, a cidade está sem um depósito final de lixo autorizado pelos órgãos ambientais, porque o atual era de responsabilidade da antiga Locanty. Por conta disso, os despejos estão sendo levados para o município de Seropédica. De acordo com a prefeitura, ao assumir a gestão, o atual governo identificou que o descarte era feito numa área particular, sem cobertura contratual com o dono do imóvel. A precariedade desta situação está obrigando a cidade a legalizar o descarte, através da contratação de um novo destino para os resíduos do município. 


- Já estamos em contato com o Inea (Instituto Estadual do Ambiente) para encontrar uma solução deste problema, possivelmente deveremos achar áreas para um novo aterro. Tudo vai depender das próximas reuniões com o Inea - explicou a prefeita Conceição Rabha (PT).


Os vereadores de Angra também estão preocupados com o problema.


- Com a rescisão de contrato da Locanty - que administra o aterro sanitário do município - nosso lixo está sendo levado para Seropédica. Mas acredito que cada cidade tem que cuidar do seu lixo. Até que uma nova firma venha para o município e resolva de vez este problema, a prefeita terá uma difícil tarefa. Mas tenho certeza de que com o apoio desta Casa, do Governo Estadual e Federal, Conceição resolverá esta adversidade - disse o vereador Jorge Eduardo Mascote (PMDB), presidente da Câmara Municipal.


O parlamentar ainda pede a colaboração da população neste momento.


- É preciso que os moradores da cidade tenham consciência da importância de sua colaboração. Não podemos jogar entulho e lixo em qualquer lugar - ressaltou o presidente.




Fonte: Diiário do Vale
http://diariodovale.uol.com.br/noticias/0,68221,Lixo%20de%20Angra%20esta%20sendo%20levado%20para%20Seropedica.html#axzz2v2758mjL

Locanty: trabalhadores envergonham-se

Sem dúvida o mais absurdo ainda é ver os trabalhadores se oprimindo ao invés de reagir aos patrões!



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Escândalo da Locanty: funcionários estão com vergonha, medo e constrangimento
A varredora X., que trabalha em Seropédica, tem sofrido com piadas por trabalhar na Locanty
A varredora X., que trabalha em Seropédica, tem sofrido com piadas por trabalhar na Locanty Foto:


Cíntia Cruz

Vinculados à empresa, mas sem qualquer relação com os escândalos envolvendo a Locanty, coletores e varredores sofrem com a falta de informações e temem o futuro. A varredora X., que trabalha em Seropédica há mais de um ano, conta que tem sido apontada na rua constantemente.

— As pessoas ficam nos olhando. De vez em quando, alguém vem e faz uma piadinha. Mas sou apenas uma funcionária.

Sem receberem qualquer informação sobre o posicionamento da empresa diante das denúncias, seguem trabalhando normalmente. Mas rejeitam a postura da prestadora.

— Sinto vergonha de trabalhar numa empresa como esta — disse a varredora Y., de Itaguaí.

Em Caxias, o varredor Z. prefere deixar o julgamento para a Justiça:

— Se eles estão errados, a Justiça tem que ser feita. Não é porque trabalho na firma que vou concordar.
A falta de informação também tem preocupado coletores e varredores, que foram contratados há menos de um mês.

— Comecei a trabalhar há poucos dias. Espero que não dê em nada. Tenho mulher e filhos para sustentar — disse o empregado W., de Belford Roxo.

A Locanty não informou o número de empregados nos cinco municípios da Baixada onde atua.








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Em contraposição ao afirmado nessa reportagem, de que seguiram trabalhando normalmente, vemos um vídeo de uma greve de funcionários da Locanty publicado no YouTube em março de 2012:


Locanty: donos ainda possuem a SCMM

Empresa que pertence aos donos do Locanty receberá, em um ano, R$ 3,5 mi da Câmara do Rio




A SCMM Serviços de Limpeza e Conservação é eclética: em junho, teve renovado seu contrato para fornecer mão de obra para operação, produção, programação e manutenção da Rio TV Câmara, da Câmara Municipal. Pelos serviços, receberá, em um ano, R$ 3.482.402.

O site da Receita Federal diz que a atividade principal da SCMM é o aluguel de máquinas e equipamentos para escritórios. As atividades secundárias são limpeza e conservação e o comércio atacadista de eletrônicos. A contratação da mão de obra não consta de seu CNPJ.
‘Escopo’
Mas, para a diretoria administrativa da Câmara, a contratação de mão de obra está dentro “do escopo” da SCMM. Segundo a assessoria da Casa, a renovação da prestação de serviços foi feita com um aditivo ao contrato original, conquistado em licitação.
Suspensa
De acordo com certidão emitida em março, a empresa pertence aos donos do grupo Locanty. A SCMM está impedida, até 2015, de participar de licitações do Banco do Brasil e da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Comentários:
eu trabalhei lá 5 anos de nunca pagaram meu fundo de garantia e o pior meu inss é como se eu nunca tivesse trabalhado 5 anos jogados fora, pois aqui em caxias vc não ganha causa nenhuma agora passou o prazo de colocar na justiça e realmente perdi meus direitos pois advogados nenhum pegam a causa que é contra eles REALMENTE ABSURDO.

Maria Nelma Serra Werneck · Em qual faculdade você estudou?
Um erro a consertar: a Locanty passou a se chamar INFORNOVA AMBIENTAL LTDA., usando o mesmo CNPJ da Locanty. Ah! fiquei sabendo que essa tb faliu e os donos da Locanty/Infornova fizeram nova alteração contratual: PRÓPRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME. Será mesmo? Meu Deus! o que esses empresários falidos não fazem prá se manter no mercado! Agora, os trabalhadores, sem suas verbas rescisórias, ficam a ver navios e os advogados tb. Aff!


Fonte: duquedecaxias.NET.br - empregos, notícias e informações
http://duquedecaxias.net.br/Utilidade-Publica/Rio-de-Janeiro/2013082156208/empresa-que-pertence-aos-donos-do-locanty-recebera-em-um-ano-r-35-mi-da-camara-do-rio

Locanty - O Fluminense

Terceirizados da UFF sem salários e serviços estão suspensos até acordo


Por: Priscila Marques e Rafael Lopes 17/10/2012

Funcionários alegam que estão há cerca de três meses sem remuneração e resolvem cruzar os braços. Grupo recorre ao Ministério Público de Niterói para reclamar sobre atraso

Funcionários da Locanty, empresa terceirizada que presta serviços de limpeza na Universidade Federal Fluminense (UFF) alegam que estão há cerca de três meses sem receber salários. Na quarta-feira eles tiveram um o encontro no Ministério Público de Niterói.
Desde segunda-feira, parte dos funcionários da empresa suspendeu o serviço até que seja fechado um acordo com a prestadora de serviços.
A reclamação é que ao procurar a empresa para reivindicar, a resposta é que não existiria previsão de quando esta situação seria regularizada. Funcionários que prestam serviço em uma penitenciária de Niterói também estão na mesma situação.
Contratos não estariam sendo cumpridosO presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de Niterói, Romério Pedro Duarte afirmou que os contratos assinados pela empresa não estão sendo cumpridos. Ele também ressalta que o medo da categoria é que a empresa mude nome e deixe os trabalhadores sem nenhuma indenização. Procurada, a empresa respondeu aos contatos.

O FLUMINENSE

http://jornal.ofluminense.com.br/editorias/cidades/terceirizados-da-uff-sem-salarios-e-servicos-estao-suspensos-ate-acordo

Locanty no Fantástico! Tcham!



Edição do dia 18/03/2012

18/03/2012 00h00 - Atualizado em 11/12/2012 10h30


Repórter se infiltra e flagra corrupção em repartição pública

Durante dois meses um repórter do Fantástico trabalhou em uma repartição pública. O que ele viu - e gravou - é um escândalo.


Licitações com cartas marcadas, negociatas, combinações indecorosas de suborno, propinas, truques para escapar da fiscalização. Certamente, você já ouviu falar muito de corrupção. Mas hoje você vai conhecer a cara dela. E do jeito mais deslavado.
Durante dois meses um repórter do Fantástico trabalhou em uma repartição pública. O que ele viu - e gravou - é um escândalo. Um retrato de como algumas empresas agem em órgãos do governo para ganhar dinheiro. Muito dinheiro. O nosso dinheiro.
Entre quatro paredes, o que a gente paga em impostos e que deveria ser destinado à saúde, à educação e outros serviços vai parar no bolso de empresários inescrupulosos e funcionários públicos corruptos. Uma vergonha.
A reportagem é de Eduardo Faustini e André Luiz Azevedo.
Empresários abrem o jogo. Licitações fraudadas são mais comuns do que a gente imagina. O desvio de dinheiro público é tratado por eles como coisa normal. E eles confessam que pagam propina. Os valores são milionários.
Você vai se assustar com o truque que eles usam para esconder o suborno.
O Fantástico mostra agora o mundo da propina, da fraude, da corrupção. De um jeito como você nunca viu. E vale a pena você ver: É o seu dinheiro que eles estão roubando.
Nosso objetivo foi descobrir como isso é feito. O Fantástico pediu ajuda à direção de um hospital de excelência, hospital de pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um grande hospital público infantil. Queríamos assumir o lugar do gestor de compras da instituição, acompanhar livremente todas as negociações, contratações, compras de serviços. Saber se existe oferta de propina, pagamento de suborno de um dinheiro que deveria ser sagrado: o da saúde.
Conseguimos. Durante dois meses, nosso repórter Eduardo Faustini frequentou o hospital. Na verdade, foi bem mais do que isso. Ele teve um gabinete aqui dentro. Foi o novo gestor de compras da instituição. Essa informação só era de conhecimento de duas pessoas no hospital, o diretor e o vice-diretor. Para todos os outros funcionários, o nosso repórter era mesmo o novo responsável pelo setor de compras.
“Todo comprador de hospital, a princípio, é visto como desonesto. Acaba que essa associação do fornecedor desonesto com o comprador desonesto acaba lesando os cofres públicos. E a gente quer mostrar que isso não é assim, em alguns hospitais não é assim que funciona”, disse Edmilson Migowski, diretor do Instituto de Pediatria/UFRJ.
As negociações foram todas filmadas de três ângulos diferentes e levadas até o último momento antes da liberação do pagamento. Evidentemente, nenhum negócio foi concretizado, nenhum centavo do dinheiro do contribuinte foi gasto. Só mesmo o tempo dos corruptos é que foi perdido. E eles agora vão ser desmascarados.
Com autorização da direção do hospital, o repórter Eduardo Faustini convocou licitações em regime emergencial. Elas são feitas por convite, são fechadas ao público. O gestor convida quem ele quiser.
Sem nenhuma interferência do hospital, o repórter escolheu quatro empresas, que estão entre os maiores fornecedores do Governo Federal.
Três dessas empresas são investigadas pelo Ministério Público, por diferentes irregularidades. E, mesmo assim, receberam juntas meio bilhão de reais só em contratos feitos com verbas públicas.
Em frente ao repórter gestor de compras, nessas cadeiras, se sentaram diretores, donos de empresas que deram uma triste aula de como se é desviado o dinheiro dos serviços públicos.
Cassiano Lima é gerente da Toesa Service, uma locadora de veículos. Foi convidado para a licitação de aluguel de quatro ambulâncias. Ele começa tomando cuidados.
“Queria saber quem me recomendou”, questiona Cassiano Lima. Mas o desejo de fechar negócio é maior. E ele abre o jogo. “Cinco por cento. Quanto você quer?”, pergunta ele.
Falando em um código em que a palavra "camisas" se refere à porcentagem desviada, Cassiano aumenta a propina.
“Dez camisas, então? Dez camisas?”, sugere.
“Pode melhorar isso, não?”, pergunta o repórter.
“Quinze”, aumenta.

Renata Cavas é gerente da Rufolo Serviços Técnicos e Construções. A empresa tem vários contratos com hospitais.
“Vocês estão trabalhando para o Into?”, pergunta o repórter.
“Into, Cardoso, Ipanema, Lagoa e Andaraí”, responde Renata Cavas.

Ela foi chamada para a licitação de contratação de mão de obra para jardinagem, limpeza, vigilância e outros serviços.
Ela também vai direto ao ponto.
“Eu quero o serviço. Você escolhe o que você quer. Vou fazer. Faço meu preço, boto. Qual é o percentual? Dez?”, questiona Renata.
O repórter quer saber exatamente qual é o valor que a gerente está oferecendo.
“Se eu ganho um milhão e trezentos, eu dou 130. É o normal”, diz. “Dez por cento. É o praxe, mercado é 10%. Se a sua pretensão é 15, ótimo. Você tem que me informar, porque eu vou formatar em cima da sua pretensão”, completa.
O repórter quer saber se a gerente é capaz de aumentar ainda mais a propina.
“Eu pensei em 20%”, diz ele.
“Tranquilo, você manda. Eu quero o serviço”, afirma Renata.

Carlos Alberto Silva é diretor e Carlos Sarres, gerente da Locanty Soluções e Qualidade.
“A gente tem muitos contratos. Tem mais de 2 mil contratos”, informa Sarres.
“Nós temos hoje, aproximadamente, 3 mil clientes nessa área de coleta”, diz Silva.
Foram convidados para a licitação de coleta de lixo hospitalar.
“A gente vai precisar é de preço. É um dos itens mais importantes para gente montar lá”, diz Silva.
“O que você tem para oferecer?”, pergunta o repórter.
“Você fala em matéria de percentual? Percentual, o preço que der, a gente abre para você o custo e a nossa margem, e a gente joga o percentual que você desejar, que você achar que encaixa”, afirma Sarres.
“A margem, hoje em dia, fica entre 15 e 20”, diz Silva.
Os empresários explicam como é feito o pagamento da propina para que ninguém perceba.
“Onde você marcar. Os caras são muito discretos. Nem parece que é dinheiro. Traz em caixa de uísque, caixa de vinho. Fica tranquilo. A gente está acostumado com isso já.”, afirma Sarres.
Quem fala é David Gomes, o próprio presidente da Toesa: “Bateu o crédito na conta. No máximo 48 horas depois, está na sua mão”, conta. “Eu diria que é a maior empresa no ramo de ambulância em atividade no país”, afirma.
Ele veio avalizar todo o acerto que foi feito para o pagamento da propina. “Uma das coisas que eu passo para os meus filhos e que eu aprendi,: eu protejo meu contratante, meu contratante me protege”, diz ele.
O pagamento é sempre em dinheiro.
“Que tipo de moeda?”, pergunta o repórter.
“A que você quiser. Normalmente em real, o real está mandando aí”, explica ele.
Ele oferece outras opções: “Dólar, euro”.
“Como você quiser, até iene. Quer iene?”, diz Renata Cavas.
Ela faz outra visita à sala do suposto gestor, e o repórter Eduardo Faustini pergunta: Qual é o melhor lugar para entregar a propina?
“Shopping, praia. Shopping. Subsolo, discreto. Quinta da Boa Vista! Sensacional. Floresta da Tijuca. Olha aí que bacana”, diz ela.
O suborno pode ser um percentual do valor total. Ou um valor fixo em cima de cada item fornecido.
“Tem gente que não conhece alimentação e diz assim: ‘Figueiredo, eu quero 30%’. Isso não existe em alimentação. Em alimentação, nós temos que considerar a quantidade diária, colocar mais um valor ali em cima, que no montante do mês a coisa vai crescer. Então o que eu vou fazer? Eu vou te apresentar os preços e você vai dizer: ‘Figueiredo, tu vai botar mais xis aí em cima’. Deu para entender? Está claro?”, explica Figueiredo.
Jorge Figueiredo é representante comercial da Bella Vista Refeições Industriais.
“Somos uma empresa aberta para negociação. Forneço para Jardim Zoológico, Guarda Municipal. Forneço para Policia Civil, a gente está em todas”, completa ele.
Ele dá um exemplo de como esse esquema de propina pode chegar a valores absurdos: “Isso é bom quando você está falando de três, como eu tenho aí. Eu tenho fornecimento de 12 mil serviços por dia. Aí, meu irmão. Tu bota 12 mil serviços em um dia, acrescentando mais um real em cada serviço e projeta isso para 30 dias. Aí é o diabo”, diz.
Em um hospital, a palavra emergência deveria servir apenas para classificar um tipo de atendimento. Mas não é assim. Emergência pode ser o código para licitações e concorrências de carta marcada.
“Emergências existem. Um terremoto derruba as pontes, enchentes. Agora, uma coisa que acontece demais são emergências planejadas. Você tem uma repartição pública lá e o sujeito do almoxarifado, juntamente com o diretor, que sempre está conivente, deixa o papel higiênico chegar em um ponto em que ,'amanhã vai acabar o papel higiênico, temos que comprar papel higiênico por emergência!", explica Claudio Abramo, diretor da Transparência Brasil.
Como a lei prevê concorrência, mesmo em licitações em regime emergencial, a empresa que corrompe se oferece para conseguir as outras concorrentes.
“Vou trazer tudo filé. Só empresa boa, de ponta. Vou trazer empresa de ponta, tá?”, garante Renata.
As concorrentes, que fazem parte do esquema, entram com orçamentos mais altos que o da primeira empresa. Entram para perder.
“A gente faz a mesma coisa para eles. Eles pedem para gente a mesma coisa. Da mesma maneira que a gente vai pedir para eles formatarem uma proposta em cima da nossa - a nossa mais baixa - eles pedem para gente fazer isso para eles”, diz Sarres.
“Do jeito que eu cubro aqui, ele me cobre lá. É uma troca de favores”, define Silva.
“É uma troca de favores. Isso é muito normal, tá? É extremamente normal”, garante Renata.
O nosso repórter, que se passa por gestor de compras, pede a presença do dono da empresa para confirmar o pagamento da propina. Rufolo Villar vai ao hospital. Ele confirma que, apesar de não estar no contrato social da Rufolo, é ele mesmo quem manda na empresa.
“Quem existe no contrato social é minha mãe e meu tio. Eu toco a empresa”, diz ele.
“Já fizemos todos os hospitais, de uma vez só, do estado”, garante ele.
Ele fala abertamente sobre o pagamento do percentual da propina. “O mercado pratica 10%, é o normal, é o praxe. Aí tem uma negociação melhorzinha e faz para 15%. Hoje, 20% eu não vejo mais no mercado”, diz.
O empresário diz que este roubo do dinheiro público que o Fantástico está denunciando é comum. O que é uma fraude, ele chama de acordo de mercado.
“Felizmente, nós temos um acordo de mercado. Isso é normal. Eu faço isso direto. Tem concorrência que eu nem sei que eu estou participando”, afirma.
“É a ética do mercado, entendeu?”, diz Renata.
“No mercado, a gente vive nisto. Eu falo contigo que eu trago as pessoas corretas. Vigarista, não quero nunca”, afirma o empresário.
Para comemorar a negociata, ele convida o gestor para o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Uma licitação correta, honesta, tem que terminar sempre com a abertura dos envelopes das propostas para afinal se saber quem é o vencedor. Mas na licitação fraudada, isso não acontece. É que os valores de todas as propostas já são acertados previamente.
O representante da Toesa antecipa o que só deveria ser conhecido na abertura dos envelopes. Ele fala em milhares de reais.
“Dois, oito, zero.O nosso, Toesa. O outro é 313”, diz o representante.
A representante da Rufolo faz a mesma coisa.
“Pode abrir? Não lacrei nada. Valor da CNS/ano: 5, 990, 002, 48”, diz Renata.
“O principal para mim: nossos 20%?”, pergunta o repórter.
“Está tudo aí dentro”, garante ela.

No dia do pregão, os representantes das empresas vão ao hospital para completar a farsa.
Preste atenção na cena absurda: a licitação para a contratação de empregados para serviços gerais. A ata é o documento final da licitação. E tem que ser feita por um funcionário público responsável pela concorrência. Mas, lá, o documento oficial é redigido pelos representantes das empresas.
Se o contrato fosse cumprido, a Rufolo receberia R$ 5.184.000. A propina seria de mais de R$ 1.036.800.
A situação se repete na licitação para a escolha da empresa que vai ser respondável pelo lixo hospitalar. Ela está armada para a escolha da Locanty. A empresa conseguiria a verba de R$ 450 mil. O que daria de propina quase R$ 70 mil. E o mesmo acontece na disputa fraudada pela Toesa para fornecimento de ambulâncias. A Toesa ganharia R$ 1,680 milhão pelo contrato. O desvio seria de mais de R$ 250 mil.
Apenas nestes três contratos, o gestor corrupto ganharia quase R$ 1,4 milhão do dinheiro da saúde.
Nós telefonamos para o presidente da Toesa. “Vocês cismam que tem carta marcada e não tem prova para isso. Você tem prova de que existe licitação de carta marcada?”, disse David Gomes, da Toesa.
Durante essa reportagem você viu Cassiano Lima, funcionário de David Gomes, fraudando uma licitação.
Telefonamos também para a empresa Rufolo. É a própria Renata que atende a ligação. Ela diz que o empresário vai falar e marca a entrevista.
No dia marcado, fomos à empresa. Uma secretária avisa que ninguém falaria.
Com Jorge Figueiredo, que no meio da licitação desistiu de disputar o contrato, conversamos por telefone. Ele parece não acreditar. “Só pode ser trote. Para de gozação”, diz ele.
Nós fomos à sede da Bella Vista. Fomos avisados de que não nos receberiam.
E o golpe não termina nem com o fim licitação de emergência, feita por convite. O representante da empresa de coleta de lixo explica como uma fraude pode continuar, mesmo em uma concorrência aberta ao público.
“As empresas que vão participar desse pregão são as empresas que a gente vai fechar, entendeu? Você vai fazer a retirada do edital aqui. Você pode disponibilizar o edital na internet. Mas a retirada do extrato tem que ser aqui. Aí, quando ele retira, tu vai me dizer quem está retirando, entendeu? E deixa o resto com a gente. Aí a gente vai nas pessoas, cara, aí monta tudo, entendeu?”, explica Sarres.
O repórter do Fantástico pergunta por que uma empresa entraria para perder na concorrência.
“Porque existe uma mesa. Pode acontecer. Mas existe uma mesa, você pode ter certeza. Difícil dar errado”, garante Sarres.
O que ele chama de mesa é um acordo para fraudar as concorrências. Nós fomos à sede da Locanty. O gerente Carlos Sarres negou envolvimento nas fraudes.
Carlos Sarres: Desconheço completamente. Isso chega a ser fantasioso.

Fantástico: O senhor não oferece de maneira alguma suborno para o funcionário público.
Sarres: De maneira nenhuma.
Fantástico: O senhor não vem com a licitação já preparada?
Sarres: De maneira nenhuma.

Por email, a Locanty informou que afastou temporariamente o gerente Carlos Sarres.
O ministro-chefe da Controladoria Geral da União, que é um dos principais responsáveis por combater a corrupção nos órgãos federais diz que em oito anos mais de três mil funcionários públicos foram punidos. Ele defende que haja também maior rigor para os maus empresários.
“Existe uma noção pré-concebida contra o funcionário público, que ele é o mau, ele é o corrompível. Enquanto que o empresário, o setor privado, é puro, é eficiente, é eficaz. Associada à noção de que a empresa tem que entrar nesse jogo, porque senão ela não leva vantagem porque as outras vão fazer. Isso distorce o mercado, distorce a competição e no longo prazo prejudica todo mundo”, comenta Jorge Hage, ministro da Controladoria Geral da União.
“A pessoa que rouba da saúde deveria ter o dobro da pena, porque quando você rouba o dinheiro da saúde, você mata as pessoas”, diz Edmilson Migowski.
Eles não sabiam que estavam sendo filmados. Mas sabiam bem o que estavam fazendo.

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2012/03/reporter-se-infiltra-e-flagra-corrupcao-em-reparticao-publica.html