"Quer saber pq imposto não é roubo? Liga a televisão agora.
Nesse momento estou em casa. Não consegui me deslocar para o trabalho em função da situação do Rio de Janeiro. Minha televisão está ligada e a todo o momento aparecem blindados, helicópteros e homens armados. A televisão informa que está acontecendo um cerco à favela da Rocinha, maior do Brasil. É provável que aconteça um banho de sangue nas próximas horas. Boa parte da população aplaude e pede intervenção militar. Como chegamos a essa situação limite? Claro que o problema é complexo e existem centenas de explicações igualmente válidas. Mas eu queria pensar um pouco sobre a natureza dos regimes democráticos.
No longínquo século XVIII, os filósofos iluministas definiam a democracia como o sistema de governo em que o cidadão é ao mesmo tempo súdito e soberano. Ele é soberano porque, ao ser ouvido, participa dos destinos coletivos. Ele é parte naquilo que Rousseau chamou de Vontade geral. Vontade geral não deve ser entendida como a soma das vontades particulares, pois ela deve necessariamente guiar-se pelo interesse comum. É dessa intricada equação entre a soma das vontades particulares e o interesse comum que nasce a Vontade geral.
Portanto, ao contrário do que pensam os liberais, na política a soma das partes não forma o todo. A soma das vontades individuais é apenas a expressão de interesses conflitantes, um jogo de forças. No fim, prevalece quem tem mais poder. É pura e simples dominação.
Foucault, invertendo a famosa frase de Clausewitz, disse que a política é a guerra por outros meios. Eu diria não exatamente a política, mas a democracia que é a guerra por outros meios. Pois, como lembrou Marilena Chauí, o sistema democrático é o único que aceita os conflitos como legítimos e, desse modo, os mantém dentro dos limites institucionais.
Porém, é preciso estar atento. A Vontade geral choca-se, a todo o momento, com as vontades particulares e corre-se o risco que os interesses acabem por prevalecer.
Em 2011, o mesmo traficante que agora leva o terror à favela da Rocinha, Nem, disse as seguintes palavras numa entrevista: “UPP não adianta se for só ocupação policial. Tem de botar ginásios de esporte, escolas, dar oportunidade. Como pode Cuba ter mais medalhas que a gente em Olimpíada? Se um filho de pobre fizesse prova do Enem com a mesma chance de um filho de rico, ele não ia para o tráfico. Ia para a faculdade”. Se um pobre fizesse vestibular com condições iguais a um rico, ele não iria para o tráfico e eu não estaria em casa, sem poder sair, nesse momento. A educação pública de qualidade para todos, portanto, pode ser entendida como a emanação da Vontade geral. Ela assegura o bem e a tranquilidade comum.
A ideia da UPP, porém, era transformar o os moradores das comunidades carente em súditos, sem lhes dar a soberania. Era levar ordem, sem democracia. Era acabar com os conflitos pela força. Por isso estava fadado ao fracasso. Como numa panela de pressão, no primeiro furo, explodiria.
Nessa mesma entrevista, o traficante fez outra afirmação desconcertante: “Meu ídolo é o Lula. Adoro o Lula. Ele foi quem combateu o crime com mais sucesso. Por causa do PAC da Rocinha. Cinquenta dos meus homens saíram do tráfico para trabalhar nas obras. Sabe quantos voltaram para o crime? Nenhum. Porque viram que tinham trabalho e futuro na construção civil.”
Independente da avaliação que cada um de nós tenha do ex-presidente, há nessa frase algumas revelações importantes. Nem, o traficante, disse que o PAC tirou de modo definitivo 50 homens do crime. O investimento público em infraestrutura é outro exemplo prático da Vontade geral. Um programa de obras públicas, agindo numa comunidade carente, gerando empregos e ajudando na construção da paz. Emprego, renda, paz e crescimento econômico.
Essa é exatamente a lógica dos impostos. Meu interesse particular diz que é melhor eu gastar meu dinheiro comigo, com prazeres momentâneos e individuais. Mas, como nos ensinou Rousseau, a soma das partes não forma o todo. E o indivíduo, como parte desse todo, é afetado por essa dinâmica corrosiva dos conflitos egoístas. Os impostos, ao serem aplicados em programas como o PAC, ou em educação, serviriam à Vontade geral. São elementos básicos da democracia.
Claro que essa separação não é tão nítida e muitas vezes o dinheiro público é vertido para outros fins. Mas o golpe que sofremos foi arquitetado por pequenos grupos que, em nome de uma moralidade difusa, colocaram o poder a serviço de poucos.
O que os incomodava era a frágil democracia que havíamos construído nas ultimas décadas. Com o golpe votou-se uma PEC que limita os gastos primários. Programas como o PAC agora são inviáveis. A política cortou os poucos laços que mantinha com a soberania popular. Nosso presidente, o mais impopular da história, aceita qualquer demanda, qualquer pressão, para se manter no cargo. Nossa democracia agoniza num jogo de forças entre vontades particulares, enquanto nosso Estado se desintegra sem direção.
Se a democracia é a guerra por outros meios, sem democracia, a guerra emerge pelos meios tradicionais."
Por Eduardo Migowski
o sol no cafofo! Rodo cotidiano, Rabiscos voadores... As anotações mais urgentes e mais tortas pelo tempo! "Eu sempre espero uma coisa nova de mim, eu sou um frisson de espera - algo está sempre vindo de mim ou fora de mim." C.
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sábado, 23 de setembro de 2017
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
A História da Filosofia em 40 Filmes
A História da Filosofia em 40 Filmes
A História da Filosofia em 40 Filmes foi um Curso ofertado pela Caixa Cultural do Rio de Janeiro com curadoria de Alexandre Costa e Patrick Pessoa. A mostra-curso pôs em pauta temas filosóficos fundamentais e promoveu o diálogo de cineastas, como Bergman, Fellini, Glauber, Wenders, Kurosawa, Kubrick, Visconti e Godard, com importantes pensadores, entre eles Platão, Descartes, Kant, Marx, Nietzsche, Benjamin, Heidegger, Sartre e Foucault.
Organizado em dez módulos temáticos – “O que é a filosofia?”, “Questões estéticas”, “Mito e Tragédia”, “O Existencialismo”, ”O amor em fuga”, “Morte e Finitude”, “História e Violência”, “O Fascismo hoje”, “Cinema e Revolução” e “O cinema nacional e a interpretação do Brasil” –, a mostra/curso ‘A História da Filosofia em 40 Filmes’ faz refletir sobre diferentes disciplinas filosóficas, tais como a metafísica, a epistemologia, a ética, a política e a estética.
Esse evento foi realizado de maio de 2009 a fevereiro de 2010. Nós do Blog Simposionestamos disponibilizando Online todo o conteúdo do Curso: Filmes e Palestras/Aulas. Todo este material riquíssimo foi encontrado na própria Internet e nós apenas reunimos em uma Conta do Google Drive.
Organizado em dez módulos temáticos – “O que é a filosofia?”, “Questões estéticas”, “Mito e Tragédia”, “O Existencialismo”, ”O amor em fuga”, “Morte e Finitude”, “História e Violência”, “O Fascismo hoje”, “Cinema e Revolução” e “O cinema nacional e a interpretação do Brasil” –, a mostra/curso ‘A História da Filosofia em 40 Filmes’ faz refletir sobre diferentes disciplinas filosóficas, tais como a metafísica, a epistemologia, a ética, a política e a estética.
Esse evento foi realizado de maio de 2009 a fevereiro de 2010. Nós do Blog Simposionestamos disponibilizando Online todo o conteúdo do Curso: Filmes e Palestras/Aulas. Todo este material riquíssimo foi encontrado na própria Internet e nós apenas reunimos em uma Conta do Google Drive.
Abrindo o link do Drive você pode tanto fazer o download do material para assistir offline como também assistir o Filme ou ouvir a Palestra diretamente sem baixar.
Como dito acima são dez módulos com quatro filmes cada. Na pasta de cada Filme existe uma subpasta chamada "Outros" onde você encontra mais material acerca do Filme: artigos, imagens, etc.
Espero que essa iniciativa seja útil aos amantes da Filosofia e do Cinema e contamos com todos para divulgação desse árduo trabalho.
Como dito acima são dez módulos com quatro filmes cada. Na pasta de cada Filme existe uma subpasta chamada "Outros" onde você encontra mais material acerca do Filme: artigos, imagens, etc.
Espero que essa iniciativa seja útil aos amantes da Filosofia e do Cinema e contamos com todos para divulgação desse árduo trabalho.
Link para baixar o Livreto do evento.
PROGRAMAÇÃO
MODULO 1 – o que é a filosofia?
Rashomon | Akira Kurosawa - Livre
Persona | Ingmar Bergman – 14 anos
Stalker | Andrei Tarkovsky - Livre
Blow-up | Michelangelo Antonioni – 16 anos
>>> link da pasta
MODULO II - questões estéticasMorte em Veneza | Luchino Visconti – 16 anos
Oito e meio | Federico Fellini – Livre
Cidade dos sonhos | David Lynch – 16 anos
Asas do desejo | Wim Wenders – Livre
>>> link da pasta
Se os Filmes não abrirem nos avise: simposion@gmail.com
MÓDULO III - mito e tragédia
Medéia | Pier Paolo Pasolini – 12 anos
Oldboy | Chan-wook Park - 18 anos
Ladrões de bicicleta | Vittorio De Sica – Livre
Crimes e pecados | Woody Allen – 12 anos
>>> link da pasta
Se os Filmes não abrirem nos avise: simposion@gmail.com
MÓDULO IV - o existencialismo
Estranhos no paraíso | Jim Jarmusch – 12 anos
Acossado | Jean-Luc Godard – 12 anos
As coisas simples da vida | Edward Yang – 14 anos
>>> link da pasta
Se os Filmes não abrirem nos avise: simposion@gmail.com
Janela indiscreta | Alfred Hitchcock – 12 anos
Todas as mulheres do mundo /Domingos de Oliveira – 14 anos
O último metrô | François Truffaut – 14 anos
>>> link da pasta
Se os Filmes não abrirem nos avise: simposion@gmail.com
Os links dos môdulos abaixo serão postados progressivamente nos próximos dias
MÓDULO VI - morte e finitude
Nosferatu, o vampiro da noite | Werner Herzog – 16 anos
Hiroshima meu amor | Alain Resnais – 14 anos
Paris, Texas | Wim Wenders – 12 anos
O sétimo selo | Ingmar Bergman - Livre
MÓDULO VII - história e violência
Ricardo III | Al Pacino – 14 anos
Macbeth | Roman Polanski – 12 anos
Dogville | Lars von Trier – 16 anos
Marcas da violência | David Cronenberg – 18 anos
MÓDULO VIII - o fascismo hoje
M, o vampiro de Düsseldorf | Frizt Lang – 18 anos
Taxi Driver | Martin Scorsese – 14 anos
Apocalypse now | Francis Ford Coppola – 16 anos
Laranja mecânica | Stanley Kubrick – 18 anos
MÓDULO IX - cinema e revolução
O anjo exterminador | Luis Buñuel – 14 anos
O encouraçado Potemkin | Sergei Eisenstein – Livre
O homem sem passado | Aki Kaurismaki - 14 anos
Nós que nos amávamos tanto | Ettora Scola – 14 anos
MÓDULO X - o cinema nacional e a interpretação do Brasil
São Bernardo | Leon Hirszman – 10 anos
Deus e o diabo na terra do sol | Glauber Rocha – 14 anos
Brás Cubas | Julio Bressane – 12 anos
Macunaíma | Joaquim Pedro de Andrade – 12 anos
Fonte: Filosofia em 40 Filmes
http://simposion.blogspot.com.br/p/a-filosofia-em-40-filmes.html?m=1
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