quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ano Novo: morri, morreu?

De repente, acabou. Assim. E tudo. Demorou pra eu entender o fim.
Pensei: morri. Morreu. Morreu a vida que eu conhecia. Morreram os momentos infinitos que me desenharam e que me fizeram desfecho nessa que até então achava que era. Morreram pessoas que fiz minhas, em constituição de tempo que também achava meu. Perdi chão, perdi céu, perdi tempo. Pensei de novo: morri. MORRI! Por que, como faz? Como faz pra se viver quando se crê morta? Como se continua a partir do fim que grita como se derradeiro fosse? Como faz quando se perde identidade, e se passa a ser vácuo por dentro? Como a gente esquece a gente?! Como? De onde? Com o que se renasce? Com o que se reinventa? Como se vira outra depois que a gente já virou coisa nenhuma? Como?!
Tempo, senhoras e senhores. TEMPO. Tempo,  com tempo cicatriza. Se cura, não faço idéia,  porque ainda me sinto aberta. Carne viva gritante. Mas viva. E, quem diria, brincante e dançante! Sou sobrevida. Estou sobre a vida. Estou aqui. Ainda.
Feliz 2017. Porque, adivinha, 2016?! Eu não morri. ♡

Alexandra Montava no
(Amiga da galera, Williana)

Mundo e Quintana

"Esse mundo pode ser que não preste, mas é tão bom de olhar."

Mario Quintana

!

Feminismo: ninguém é superior

Ninguém é superior a nada e vice - versa.
Ainda não fazemos partenogênese também.
Acho que quando conseguirmos estabelecer narrativas que fujam do gênero como delimitante poderá ele ser usado como mais uma característica da natureza tão diversa em sua infinitude. Nos somarmos nas nossas diferenças para além disso.

E essas ligações entre pessoas serão sempre algo melhor,  mais coletivo, mais profundo pra quem se propuser. Relembrar algo tribal em nós (nesse sentido de desfazer o muro da família so nuclear).

Quando tocamos realmente nos seres, em tudo que existe da natureza (não esse concreto que nos isola do chão, se saber como é  a terra e o que eu poderia obter dela), sejam eles pessoas, bicho,  planta , outras naturezas, não tem nada melhor do que tá junto.

S.

Saúde dos gordos?

"Nem adianta tentar. Seu comentário é gordofóbico, sim. Você não liga para a saúde do gordo. Muito pelo contrário, inclusive.

Aliás, você não liga para a saúde de ninguém, vai ligar para a do gordo por quê? Você não liga se seu amigo bombado toma anabolizantes. Ou se seu amigo magrelo vive a base de cigarro, café e sanduíches. Ou se sua amiga bebe todo dia. Ou se seu outro amigo não come frutas. Ou se sua outra amiga não toma sol. Ou se aquela outra amiga toma sol sem proteção solar. Ou se seu amigo nunca fez o teste de HIV. Ou se sua amiga não faz o auto-exame da mama. Ou se seu pai não faz exame de próstata porque não quer o médico dedando ele. Ou se sua amiga dorme 3 horas por dia apenas. Ou se seu primo só come coisas industrializadas. Você não liga para a saúde de nenhum deles. E você também não liga para a saúde das pessoas gordas.

Porque você não quer saber se a pessoa gorda tem uma alimentação balanceada e uma vida ativa. Você vê que a pessoa é gorda e pressupõe que não.

Você não é médico e nem viu os exames de sangue da pessoa gorda. Mas você pressupõe que estão péssimos.

E aí, quando você vê a pessoa gorda emagrecer, você diz "nossa, tá ficando linda!". Ou "você está tão mais bonito!". E você não quer saber se a pessoa está emagrecendo de maneira saudável ou se ela está fazendo jejum e vomitando o pouco que come.

E você, definitivamente, não tem a menor preocupação se a pessoa gorda, de tanto ouvir comentários gordofóbicos, está deprimida.

Então pare. Não é sobre saúde. Nunca foi."

Fonte: página Igreja de Santa Cher na Terra
Face, 4 Jun 2016

~R Wilbert

O grito

O grito

Logo eu, que não gritava. ALTO eu falava. Que achava horrível OUVIR as pessoas brigando. Logo eu que me segurava. Mas eu me segurava não pra não gritar , porque eu não sabia gritar. Eu me segurava pra não ferir. Me arrependia quando feria. Nunca dá pra atingir uma pessoa só ou eu podia ser melhor do que aquele método.

Gritar era coisa de "favelada".

Cotiadianamente penso em como me defender. Que eu não sabia gritar se fosse preciso.  E se eu precisasse gritar e não só falar alto? E se eu precisasse... ferir? Qual a função dessas ações nessa sociedade?  Eu estaria tão distante dessa necessidade se perambulo por tantos cantos?

Foram 13 situações de assalto. E se eu precisasse gritar pra me defender?

Mas hoje assaltaram minha paciência. Algo nítido pela roupa que eu saí (calça, tênis, mas com uma blusa transparente e aberta nas costas). Homens me chamando e me olhando o tempo todo.

Ignorar
Ou
Reagir?

Eu achava horrível OUVIR as pessoas brigando. Mas elas também brigam no baixo.
Oprimem baixinho.
O tempo TODO.
Ferem com uma aparente edução.

(Quando é alguém que amamos, aquele que deveria ser mais que namorado, teu parceiro, dói muito mais!)

Se bolinam dentro dos seus ouvidos como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Analisei a conjuntura, concluí: Eu não ia deixar esse omi fechar o século fazendo isso!

Reagi. Gritei. Expus dois idiotas. Um era um velho que ainda me encarou ainda por cima quando eu olhei pra trás. Ah mas eu voltei.

"Quem você pensa que você é?
Nessa idade?
Não tem vergonha não?
Não tem filha?
Não tem neta?
Não tem mulher não?
Tá muito enganado se acha que vai ficar mexendo com os outros na rua.
São outros tempos.
Seu nojento. Sem vergonha."

A mulherada na rua me apoiou.

Tem como fazer isso sem perder a paz?
Mas olha... que paz.

Limiar entre o joguinho e o tempo

(...)
As pessoas têm um ritmo. E perceber o limiar entre o ritmo e o joguinho é tentar entender isso
Joguinho eu desconstruo logo. Trato todo mundo com naturalidade e falo o que gosto e o q não gosto. Se não tiver espaço pra isso, eu nem continuo.

Pra n perder meu tempo sempre prefiro q, ficando ou não,  as pessoas se tornem amigas. Aí sempre valerá a pena e haverá um depois. Quando não há um depois, acho que perdi meu tempo. As pessoas, em geral, se limitam pelo fim do desejo sexual ou da relação de ficar (ou namorar) quando não se relacionam para além disso (o/a atual namorad tb dificulta relações de amizade nesse caso, principalmente se elas não forem solidificadas antes da pessoa entrar numa nova relação). Isso faz com que elas, q gostavam de alguma forma de vc, n gostem mais. Fica o ego ferido e uma lembrança q n vale a pena. Pra q q eu me enredaria nisso? Rs


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dizer amor-livre mas agir como sempre

Sobre aquela mesma coisa de sempre disfarçada de amor-livre

Já faz um tempo que não estou buscando (mais) uma relação sexo-livre, como as outras que eram comuns me acontecerem – por alguns motivos que vou explicar mais pra frente. Mas como as coisas vão acontecendo, organicamente, por elas mesmas, a gente muitas vezes perde a racionalidade e deixa acontecer. Tudo bem, embora eu não busque, é bom (exceto pelos motivos que me fizeram encher o saco disso).
Pelas minhas experiências nesse tipo de relação, e observando o que acontece de forma parecida nas outras – principalmente com as moças -, consigo perceber que alguma coisa bem estranha acontece nesse universo.
As pessoas com quem desenvolvi, até sem saber, relações sexo-livre são geralmente: homens que buscam/lutam (ou pelo menos mantém esse discurso) para se afastar das amarras monogâmicas. Com a posição de “amor sem posse é possível, o amor é livre”, etc. Muito bonito, muito harmonioso. Só que pelo que pude perceber, é que eles acabam não mergulhando, e sim só molhando os pés.
Abrindo um parênteses imaginário pra explicar melhor: eu busco me relacionar de forma diferente e, usando de comparação ou pequena análise, as pessoas podem me enxergar no grupo de pessoas “livres”. Ou seja, estou disponível, assim como não vou encrencar com nada também. Então conheço essas pessoas, trocamos muitas ideias interessantes e na semana seguinte tomamos uma cerveja, nos beijamos, transamos. Aí isso se repete algumas vezes, mas as trocas de ideias vão sendo bem escassas, o interesse no outro menor ainda. Mas eu permaneço sendo alguém disponível para sexo.
Enquanto eu desenvolvo um grande apreço pela pessoa, por poder compartilhar com ela algumas trocas (ideais e corporais) – tendo ela como personagem vivo e presente no meu processo de desconstrução, o mesmo não acontece de forma recíproca.
Nos encontramos algumas vezes, – por acaso, na maioria delas -, um “oi, tudo bem?” esquisito, seguido por um beijo (beijo esse que não é a demonstração do carinho/apreço/afeto, e sim apenas um passo pra ter certeza de que o sexo ainda pode acontecer). Então esse beijo aceito significa que sim, o caminho continua aberto e sim, eu ainda faço parte desse universo dele. E aí, foi só um beijo, dois beijos e lá vou eu novamente sendo guiada pra um sexo completamente estranho, mas bem comum, disfarçado de liberdade – onde eu não me sinto nada segura.
Esses caras não vão criar vínculo nenhum. Não serão pessoas que falarão “oi, tudo bem?” realmente importando-se com isso, porque não se importam. Quer dizer, percebo que os homens chegam até mim demonstrando interesse, falando de relações livres e de como o mundo é bonito. E depois que dormimos juntos, o objetivo “livre” já foi alcançado e eles podem continuar vivendo normalmente e me colocando na lista de pessoas disponíveis. O que é isso senão continuar reproduzindo a ideia pessoa-produto? Ou, no caso, mulher-produto.
Aprofundando na minha situação enquanto mulher na posição sexo-livre: os homens não me consideram uma pessoa para somar, trocar. E sim pra fugir do usual. Inclusive muitas vezes percebo que na verdade eles estão até buscando um amor romântico e fantasiado com alguém, paralelamente, mas mantendo o discurso amor livre comigo pra ter sexo livre.
Quero dizer que é fácil gritar amor livre aos ventos. Qualquer um pode fazer isso. Mas o que eles estão fazendo de diferente? Se antes de questionarem a monogamia, eles também tinham várias parceiras sexuais, sem envolvimento, preocupação e cuidado – e ainda com respaldo pra isso? Não só respaldo, como também um grande prêmio por isso. Na verdade o que acontece então é a mesma coisa de sempre, mas com um nome diferente. Ou seja, sem desejo algum de realmente criar laços mais verdadeiros.
Não reduzo esses laços apenas às relações nesse campo, repensar nossas relações significa olhar pro que o capital impõe. Falta de tempo, competitividade, pressa, não ouvir o outro, não se importar com o outro. Falta de presença nas relações, de ser, de estar, de disponibilizar a sua existência. Só que romper com isso é um processo. Um processo a ser descoberto e construído de forma individual, mas com toda certeza coletivamente. Isso envolve diálogo, verdade e presença.
E eu não estou esperando um amor romântico de filme, que a pessoa se apaixone por mim loucamente. Pelo contrário. Eu luto pra que a gente se importe um com o outro, eu espero que o porteiro do meu prédio sinta-se amado quando eu pergunto se ele está bem, porque eu espero que ele esteja bem e espero que ele sinta-se confortável pra me pedir ajuda. Porque sim, as pessoas precisam de ajuda, precisam da relação com o outro de forma verdadeira (e o caos se sustenta justamente nesse afastamento, nesse não estar presente. E é contra isso que estamos, ou não?)
Eu até gosto de sexo-livre, quando a relação me deixa bem consciente do que tá acontecendo. Eu tenho tesão, gosto de dividir essa disponibilidade com alguém. Sexo é divertido, gostoso, saudável. Mas são pessoas. Ou seja, são pessoas com quem me relaciono. E pra mim, por ser mulher, preciso parar e pensar a cada momento sobre qual papel eu estou ocupando.
Resumindo: ter sexo livre da forma sacaneada como ele acontece, principalmente pras mulheres, não vai sanar minha sede por relações verdadeiras num mundo caótico. Não vai.
Relações livres, ou qualquer uma que se disponha a questionar a monogamia, não diz respeito a quantos parceiros sexuais você tem. E sim à forma como voce se relaciona.
Percebo que repensar isso – falando pessoalmente – significa transformar como eu me posiciono diante das outras pessoas. Refletir que situações de poder existem em toda relação, seja ela “amorosa” ou não. E que precisamos nos cuidar, ajudar o outro a se cuidar e cuidarmos juntos. Até poderia fazer considerações sobre a dificuldade da mulher (e de diferentes “ser mulher”) nessa desconstrução toda, mas prefiro deixar pra outro momento.
E é com muito auto-cuidado que escrevo. Esse texto começou com uma vontade de tornar explícito algo que me incomoda. Mas é um texto pra mim, antes de tudo.
Cuidando pra que não aconteça da forma que eu não gosto. Como proteção, auto-cuidado, por saber a minha posição.

Fonte : Versoando
Júlia Vitta da uff
https://versoando.wordpress.com/2014/10/01/sobre-aquela-mesma-coisa-de-sempre-disfarcada-de-amor-livre/