terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Belchior - Fotografia 3 × 4

"Mesmo vivendo assim, não me esqueci de amar
Que o homem é pra [amar] e o coração pra gente dar
...
Esses casos de família e de dinheiro eu nunca entendi bem
Veloso, o sol não é tão bonito pra quem vem do norte e vai viver na rua
A noite fria me ensinou a amar mais o meu dia
E pela dor eu descobri o poder da alegria
E a certeza de que tenho coisas novas
Coisas novas pra dizer"

Belchior - Fotografia 3x4

Li como novo: Guardador de Rebanhos (Pessoa)

Nossa. Caiu muito bem. Parece que eu nunca tinha lido antes. Gosto muito disso que nega a memória porque acontece de novo mas não como repetição. Mas como novo.

"Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.

Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.
Mas flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram cousas vivas, não eram pedras;

E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.

É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.

Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza."

(Guardador de Rebanhos, XXVIII)

Rebelião em presídio do Rio Grande do norte

Rebelião em presídio do Rio Grande do norte: a Rede Globo só fala da briga entre facções. Animais,  não?

Ah. Vale lembrar que não existe teletransporte pra armas daquele tamanho.  E que tb não dá pras visitas botarem debaixo da saia pra entregar SEM OS PRÓPRIOS POLICIAIS do local saberem.

É  óbvio mas precisa ser dito. A falha é  sempre coletiva. Ninguém erra sozinho.

O cenário é de? GUERRA.

Quantos governos lançam mão dessa mesma técnica nas competições econômicas? Religiosas? Políticas?

Se bandido bom é bandido morto, vamos visualizar que tantos advogados e forças armadas não dão conta de cumprir a própria lei, então não podem zelar por ela. Vamos lembrar d Cunha e Cabral e de como jamais a lei mataria quem tem poder econômico mesmo esses, que estão descobertos. Rs

Nos nossos municípios não é diferente.
Cada vez que denunciam no jornal o absurdo da saúde e esse sistema de (des)organização de filas (o famosíssimo SISREG) que assina em baixo de tantas mortes, analiso como é comum esfregar a dor da população na sua própria cara sem que se ajude em nada essas pessoas a reagirem.

Me faz perceber que tipo de jornalismo é esse (que eu não aguento mais e, por isso,  raramente vejo) que chega em tanta gente e não muda nada.

Me faz pensar porque não basta pras pessoas, verem uma notícia como essa pra se revoltarem. Me faz analisar como você tem q ser muito privilegiado pra ter tempo de pensar e se formar, antes de ser vencido pelo bordão de que "não adianta fazer nada", mais uma vez, porque a lei é só para os protegidos políticos. Em todo lugar.

. Precisamos descansar e falar sobre o que nos incomoda.

. Nos unir enquanto povo pra dizer o que o governo deve fazer, e não o contrário.

. Encher o mundo de milhões de grupos que discutam e se proponham a fazer alguma coisa, um dia no mês , no próprio bairro. Seja pra se ajudarem, seja pra conhecerem a realidade da sua cidade e, assim, poderem cobrar melhorias.

. Que esses vários grupos valorizem as iniciativas de pessoas conhecidas que se disponham a dar uma aula de futebol ou de matemática seja de forma material ou financeira;

. Que sejamos mais éticos nos nossos trabalhos ao invés de brigar entre nós por causa de ordens ruins e ver no nosso semelhante um inimigo;

. Que a gente substitua a lógica de guerra e da competição que nos separa, em favor de uma lógica de cooperação. Eu não preciso pagar na mesma moeda se meu objetivo é fazer um bom trabalho;

. Vamos brincar e cantar, mas também debater a boa política. Essa que está no nosso cotidiano e que nos priva d direitos se a gente só deixa quem tem dinheiro resolver e nem sabe o que a gente vê e passa decidir.

...

Tem muito o que ser feito. E com alegria apesar do cansaço.

Horas de vôo e Teori - por Marco Antônio P.

Publicação dos amigos sobre a morte de Teori, relator da Lava-jato.

Marco Antônio P. Da Costa:
"Meu pai tem entre 30 e 35 mil horas de vôo na Amazônia. Garimpos, balatal, Marajó de cabo a rabo. É daqueles contemporâneos do "Deixa Comigo", do "Pantera Cor de Rosa" e toda uma moçada acostumada à pistas de 200 metros em aclives dentro de vales e outras adversidades. Quem é da Amazônia conhece nosso clima e nossas chuvas. Os CB's da Amazônia não são de brincadeira. Só meu pai caiu 5 vezes e tá inteirinho aqui do meu lado, e isso tudo quase sempre em modelos de avião da Cesnna monotores. Esse avião que caiu é dá Beechcraft, bi motor, novo e todo revisado. Se pára um motor, tem outro. Os ventos do momento eram de 11 nós, e chovia pouco, muito pouco para um avião que é considerado muito seguro e apelidado de King Air. Há uma brincadeira na aviação que diz que de tão bem feitos e de tanta qualidade "um avião da Beach dá dois Cesnna e três Piper". Não poderia ter apenas o piloto, o padrão era ter um co-piloto. Cair há 2 KM da pista?  Já é a "final curta", já tá "visual" e não "instrumento". Tudo, mas exatamente tudo, indica uma sabotagem. Mal súbito do piloto? Erro humano? Pane seca? Não dá pra afirmar. Não há nada de conspirativo imaginar essas coisas. Passada as possibilidades técnicas, basta dizer que muitos canalhas dormiram felizes e aliviados, simulando suas ditas "solidariedades". O Brasil não é pra amadores."



Quando fui a Córdoba, Argentina (♡),  apresentar uns trabalhos em um evento da universidade desse local em 2011, conheci uma antiga cadeia aonde foram torturads e morts tants press políticos e que tinha virado o "Archivo Provincial de lá Memoria". Dá pra ver obviamente a arte a serviço da (daquela) história,  algo tão necessário e importante. Era inevitável entrar no clima.

Acho que não tem muito como julgar as pessoas pelas fotos sorridentes porque informa muito pouco, mas fico feliz de demonstrarem estranhamento em relação ao aparente comportamento, na falta de oportunidade de fazer uma intervenção mais profunda e constante no local, de fato.

Havia algum contato com a tristeza daquelas histórias, no labirinto em que se transformara  a cadeia pra gente passar. Em uma cela subterrânea, passava um vídeo preto e branco louvando a ditadura. Era o lugar ideal pra se falar em ditadura. Mas a maior das intervenções, além das fotos por todos os lados, foi a da sala branca com uma bicicleta azul.

VC SUBIA NA BICICLETA E COMEÇAVA A PEDALAR. ISSO GERAVA ENERGIA PRA UM RÁDIO QUE ESTAVA AMARRADO A SUA GARUPA. A MÚSICA TE FAZIA SAIR DO LUGAR, DANDO SENSAÇÃO DE IR ADIANTE. A SUA FRENTE, TINHAM DOIS CARTÕES POSTAIS:
. UM VIRADO DE FRENTE, COM A FOTO DA MESMA BICICLETA;
. OUTRO, DE COSTAS, ONDE SE LIA A HISTÓRIA DE EDUARDO GOLDAR, DESAPARECIDO, DEIXANDO A BICICLETA COMO LEMBRANÇA  DA SUA AUSÊNCIA. E A "ESPERA ETERNA QUE UM DESAPARECIMENTO PRPDUZ".

Esse link foi o primeiro que achei. Nada muito bom, mas tem algumas fotos e outros detalhes essenciais pra se vislumbrar o clima do lugar que citei.

http://www.360meridianos.com/2015/02/cordoba-e-ditadura-militar-na-argentina.html

"Boa" viagem.
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"Yolocaust. Um site está alterando fotos tiradas no memorial do holocausto em Berlim inserindo imagens reais do holocausto. A ideia é questionar a alegria e animação de pessoas em um lugar que foi feito para lembrar um dos maiores massacres da humanidade.


*Link para o site nos comentários."


Sobre:
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1344671155589268&id=165205036869225

Fonte :

Morreram - Lapa

Morreram

Estava lá. Com o pessoal que tenta, através do teatro do oprimido, alçar novos voos nos seus trabalhos.
Eis que nem todo vôo é  figurado.

Um corpo se lançou de um prédio no chão.

Não ouvimos essas histórias todos os dias? Mas que diferença faz quando essa tristeza acontece tão próximo de vc? Na esquina em q vc está?

Por que isso haveria de chocar?

O que eu tenho a ver com isso?

Fui lá.

Um moço chamava o SAMU. No meio de tanta tristeza me orgulhei dele. Pus aquilo em palavras. "Tenho orgulho d vc!! Que isso seja ser humano.". Mas eu não ignorava. Que o garçom do bar em que eu estava tinha andado na minha frente.  Com um sorriso, tirou foto. Me guardei. Pra primeiro me dar essa chance q eu tive de me orgulhar.

Fui atrás do garçom.  Não era raiva.  Era como quem preparava o corpo pra uma luta, pra uma porrada.  Entrei no bar. Falei baixo: "vc acha certo o q vc fez? O q vc vai fazer com essa foto? Vc vai ficar olhando ou vai jogar na internet?".

Sem mais ele falou "tu é  da família? ". Falei "todo mundo é. ". Ele retrucava e falava q ele faria o q que ele quisesse.

Meu irmão. ...

Aí o grito veio.
Falei alto mesmo. Veio todo mundo.  Dono de bar, cliente preferida.  Eu ali no termômetro. Analisando até onde dava pra ir.

Só um momento fazia todo mundo engolir frio durante 1 segundo:

"SE FOSSE DA SUA FAMÍLIA?
VC IA QUERER VER ANTES D SABER?
TEU FILHO?
TEU IRMÃO?
TEU PAI?
VC IA QUERER VER COM AS TRIPAS PRA FORA NA INTERNET? ENTÃO?".

Engolir antes de falar.
Foi o q puderam fazer.

E eu disse: ENTÃO A GENTE CONCORDA. SEU PROBLEMA NÃO É COMIGO.

Disse o dono do bar que nada podia fazer. Q era a "liberdade dele de tirar foto". Eu falei que não.  Que era uma questão de humanidade e que se a gente não era capaz de se horrorizar com uma atitude daquelas era o nosso mundo que estava perdido.

Ele falou que ia pedir pra apagar.

Suicídio ou assassinato.  Por que acontecer do nosso lado faz tanta diferença?
Por isso.

Não consegui comer.
Ou era o corpo da luta ou o do prazer.