sábado, 18 de julho de 2009

Arnaldo Antunes - Penso logo...

"Por que eu penso agora
sem o meu consentimento?"

Arnaldo Antunes

Antunes, Antunes...

"De dentro do avião o céu fica em volta, o céu. Do chão não passa."
Arnaldo Antunes


"Mas não há palavra pra dizer dois corpos encostados, ou uma mão segurando um punhado de terra ou duas mãos dadas com um punhado de terra entre elas."
Arnaldo Antunes


"Passarinho é só escutar não precisa pôr na gaiola não precisa pôr na vitrola pra cantar"
Arnaldo Antunes

Su: é preciso deixar claro q passarim na gaiola é tão absurdo quanto na vitrola, sabe? É claro!


"Parecem longe mas são pequenos"
Arnaldo Antunes


As coisas tem peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, duração, densidade, cheiro, valor, consistência, profundidade, contorno, temperatura, função aparência, preço, destino, idade, sentido. As coisas não têm paz.
Arnaldo Antunes


A chuva murmurou meu nome.
Arnaldo Antunes


Um por si, cem por cento.
Arnaldo Antunes

Arnaldo Antunes - amo

Na noi te eu te mo eu te
amo e te ch
O te lefone do ho te l me
-te me-
do.

Do escuro do negro do breu da voz da noite vem
a tua voz.
Nas estrelas eu tre-
mo e me
a ti ro
a ti só a ti e a
tu: do.

Arnaldo Antunes

Su: Excelência na criatividade!
De qualquer forma atrapalho o cara: ou grifando ou comentando a respeito! Vou deixar em branco a minha parte!


:0)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Fala e não faz...

Um homem que fala e não faz
é como um jardim cheio de ervas daninhas
e quando as ervas começam a crescer
é como um jardim cheio de neve
e quando a neve começa a cair é como um pássaro na parede
e quando o pássaro finalmente voa
é como uma águia no céu
e quando o céu começa a trovejar é como um leão a porta
e quando a porta começa a ceder
é como uma punhalada nas suas costas
e quando sua costas começam a doer
é como uma faca no seu coração
e quando seu coração começar a sangrar
você esta morto
e morto.

[...]

Su: minha irmã me passou! Segue a dúvida: quem escreveu isso?

sábado, 23 de agosto de 2008

Benjamin, Quintana e mais!

"A essência do brincar não é um 'fazer como se', mas um 'fazer sempre de novo', transformação da experiência mais comovente em hábito. (Benjamim, 2002, p.101-102)"

"As crianças não brincam de brincar. Brincam de verdade. (Mário Quintana, porta giratória)"

"A solidariedade é tão frágil quanto o verniz da civilização, 'cada um por si, Deus, por todos'."

"As crianças brincam com o interdito (...). A brincadeira parece só ter espaço para se estabelecer porque o mundo está literalmente na desordem, no caos. (...) aquilo que barraria a barbárie, ou seja, a interdição, não se instalou; por isso, resta às crianças trazer de volta à cena o impedimento, a privação."

livro: imagens do desaprender, de Adriana Fresquet (organizadora)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Imagens do Desaprender

Texto do Livro "Imagens do Desaprender"

Na reflexão feita acerca das teorias do cinema, há seis maneiras de entendê-lo. Uma delas é o cinema como linguagem. Ele fala como que além de evoluir "O significado das palavras também pode involuir, ou esvaziar-se, como diz o poeta, ao falar de uma RUÍNA:

" Um monge descabelado me disse no caminho: 'Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha idéia era fazer alguma coisa ao modo de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem debaixo da ponte, mas pode ser de um gato num beco ou de uma criança presa em um cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado ao arcaico ou ainda de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou: digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode renascer do monturo.' E o monge se calou descabelado" (Manoel de Barros, poesia falada, v.8). "

-----Su: lindo!

É engraçado que para abrigar do abandono se tenha como objetivo construir algo “ao modo de tapera” o q engrandece o abandono do qual se trata! Porque tapera quer dizer:
“[Do tupi = 'aldeia extinta'.]
S. f. Bras.
1. Habitação ou aldeia abandonada.
2. Casa arruinada.
3. Fazenda inteiramente abandonada e em ruínas. ”
Ou seja, criar algo já em ruína para abrigar é uma condição que se quer dar bem modesta a algo que nem isso possui. Não é facilmente dar a vida a tal coisa que ele deseja, mas dar a condição mais simples e por isso (talvez) a necessária para um Renascimento. Se vc dá todas as condições que já conhece, só recria algo que já existia.
Fala do esvaziamento da PALAVRA amor como se já mais que arruinado ele estivesse, e até de ruínas precisasse... É mais sensato falar da palavra, pois seria muito difícil discutir o sentimento em si.

A meu ver essa palavra anda meio sozinha. A mistificação q se criou em torno dela encanta mais do q a realidade de vivê-la. E pela pressa de sentí-la acabam por correr atrás mais do título. O investimento pessoal fica nublado, à deriva, duvidoso... e quando a sensação de ser amado vai embora, vc fica sem saber se houve sentimento!

-----Sobre o Autor:
-
"...E por falar em ruínas, um dos poemas de Ensaios Fotográficos fala do seu desejo de construir uma, mesmo sabendo que a ruína é o estado final da coisa. “Sou eu querendo desconstruir a própria linguagem, as palavras, querendo chegar ao simples”, afirmou.

(fonte: http://www2.uol.com.br/JC/_2000/0305/cc0305a.htm)

- Em entrevista diz:
"Havia um certo fascínio em mim por cidades mortas, casas abandonadas, vestígios de civilizações. Um fascínio por ruínas habitadas por sapos e borboletas. Eu gostava de ver alguma germinação da inércia sobre ervinhas doentes, paredes leprentas, coisas desprezadas. As fontes de minha poesia, estou certo, vêm de errâncias desurbanas."

"
Exploro os mistérios irracionais dentro de uma toca que chamo 'lugar de ser inútil'."

(fonte: http://www.jornaldepoesia.jor.br/castel09.html)

domingo, 7 de janeiro de 2007

O agarrador no campo de centeio

O "agarrador"
Interessante ver como Holden resiste ao mundo em que vive. Isto é: não há mais volta.

"- Você conhece aquela cantiga: 'Se alguém agarra alguém atravessando o campo de centeio'? Eu queria....
- A cantiga é 'Se alguém encontra alguém atravessando o campo de centeio'! - ela disse. - É dum poema do Robert Burns.
- Eu sei que é dum poema do Robert Burns.
Mas ela tinha razão. É mesmo 'Se alguém encontra alguém atravessando o campo de centeio'. Mas eu não sabia direito.
- Pensei que era 'Se alguém agarra alguém' - falei. - Seja lá como for, fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto - quer dizer, ninguém grande - a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê eu tenho de fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto.
Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer. Sei que é maluquice."
Isto aqui, creio, responde a pergunta, duas páginas atrás, de Phoebe: "Então me diz uma coisa de que você goste."
O fato dele não querer que as outras crianças entrem no mundo adulto - caiam no abismo - reflete toda sua fragilidade: ele entrou, viu o mundo e não gostou. Daí sua atitude de apanhador e seus pensamentos ("isto me deprime") acerca do que está, para ele, errado.
A solução, a meu ver, está na carta que Hélio Pellegrino escreveu para Fernando Sabino - e que abre o romance "O Encontro Marcado":
"(...) nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo na sua total e gratuita inutilidade.(...) Este é o preço do encontro".
A poesia de Burns, segundo Phoebe, é: encontrar e não agarrar.
Faz todo o sentido.
Todos pagamos o preço; uns conscientes, outros rebeldes..."a hora do encontro é também despedida".

Gabriel